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Qual o problema de se dar dinheiro a quem não trabalha?

Podemos mudar de sistema sem riscos morais?

 

O problema de se dar dinheiro a quem não trabalha são os riscos morais.

A falta de dinheiro é um problema universal, mas também é verdade que se confunde falta de dinheiro com fatores emocionais. Aquilo que nos interessa hoje é justamente a questão moral das coisas.

Normalmente, são os pensamentos que determinam os sentimentos e estes dão lugar aos comportamentos. Em termos práticos e simplistas a sequência é: pensamos que não estamos bem, com isso sentimos que somos infelizes e isso tem impacto no comportamento.

Nietzsche dizia que um sistema moral que fosse válido para todos era basicamente imoral. A razão é porque a vida das pessoas, a nossa vida, é o reflexo do ‘nosso grupo’ de iguais. A ênfase está ‘no nosso grupo’ porque para o bem ou para o mal não somos todos iguais. Na escola pode ter-se eliminado a diferença entre os que sabem e os que não sabem, os políticos talvez procurem eliminar as diferenças na sociedade, mas a vida real é implacável e não tem piedade para com ganhadores e perdedores. Veja-se o futebol para não ir mais longe.

Mas voltemos aos riscos morais. Imagine que acrescentamos a esta situação das diferenças naturais… dinheiro.

Um filho está em sofrimento moral, sem trabalho, como acontece com mais de 30% dos jovens, sente-se infeliz. Os pais, com o intuito de o fazerem sentir-se melhor, dão-lhe uma mesada de 5.000 euros e uma embalagem de canábis legalizada. Qual imaginam que vai ser o seu comportamento? E se em vez de 5.000 euros lhe forem dados 500 euros sem a embalagem de canábis. O comportamento vai ser diferente? Para melhor, para pior? Esta é a questão moral do comportamento que pretendemos ver de forma mais clara apesar do exagero do exemplo. Foi propositado porque se exemplificássemos com um subsídio de prestação social para a inclusão, ou de desemprego, o leitor nem prestaria atenção porque fazem parte do nosso dia-a-dia. Ora qual é o propósito destes subsídios? O que querem em troca, se é que querem algo em troca? Mas se não querem nada em troca porque será, se isso representa um esforço para todos aqueles que contribuem? Eu sei que já haverá gente a gritar solidariedade, mas recordo que o título deste artigo é: qual o problema de se dar dinheiro a quem não trabalha?

Mantendo o ceticismo natural de quem não tem certezas diríamos que nenhum problema, se em contrapartida for pedido alguma coisa em troca que mantenha a moral das coisas e a justiça das coisas intactas, mesmo tendo em conta a solidariedade.

Não se pedindo nada como acontece agora, podemos ter comportamentos desviantes e, no mínimo, está-se a fazer concorrência desleal aos que trabalham, criando situações de injustiça.

O verdadeiro problema do nosso século e do período de transição em que se encontra a nossa sociedade está nestes riscos morais de injustiça e de desigualdades, que se verificam em crescentes doses no nosso quotidiano, mas que por agora não são percebidas como um problema. Mas os factos não são animadores com a previsível futura crise das pensões, dos seguros de vida e da segurança social. Os média e os políticos têm por hábito falar dos problemas depois de acontecerem, nós gostamos de o fazer antes de acontecerem, e para isso nem é preciso ser adivinho.

 

Repare-se que a nossa segurança social está investida em dívida Portuguesa que está a pagar praticamente 0%, e os bancos remuneram os depósitos a zero. Já os fundos de pensões ou os seguros de vida têm o mesmo problema com a dívida Portuguesa, mas se optarem por dívida europeia, muita dela negativa, podem investir com a garantia de que vão perder dinheiro. Talvez ainda ninguém se tenha lembrado mas estas instituições que referi são instituições cujo capital reunido serve para pagar as reformas ou as pensões ou os seguros dos trabalhadores e, simplesmente, não vão ter ativos suficientes para garantir as obrigações a que se comprometeram, a menos que se altere o paradigma.

Daí este nosso exercício de que vai ser necessário um banco central da Segurança Social para fazer um ‘bailout’ às pessoas, à imagem daquele que foi feito aos bancos e que, forçosamente, deverá ter em consideração as questões morais que não foram equacionadas no resgate dos bancos.

Voltando às questões morais, existe risco moral em ter taxas de juro a zero ou negativas? Certamente que sim, se tivermos em consideração que os atuais beneficiários estão efetivamente a ser beneficiados em relação aqueles que estão a pagar para um futuro beneficio, que não vão ter com estas regras. Existe risco moral para aqueles que aforraram ao longo da vida com o intuito de viverem agora melhor e não serem capaz de o fazer sem as remunerações que esperavam e que agora não podem ter.

É indiscutível que o dinheiro tem uma característica moral que implica que qualquer perda do seu valor corresponde a uma perda equivalente de valores sociais e políticos, como pensamos ficou demonstrado, mas o contrário não parece ser evidente, e é aqui que a moral entra. Dar dinheiro torna as pessoas melhores?

Em 2008, estivemos à beira de precipício e desde então temos dado grandes passos em frente, sem alterar nada que possa mudar o rumo que seguimos.

Como se pode utilizar o dinheiro como influência positiva é a tese que defendemos desde 2008 com a criação de um novo paradigma económico criando um banco central da Segurança Social, sem riscos morais, em substituição dos atuais bancos centrais. Com o recuo, hoje já é possível reconhecer que se o dinheiro gasto tivesse servido para eliminar as dividas das pessoas, o problema dos bancos já teria sido resolvido.

O modelo experimental que vivemos atualmente não é sustentável. A filosofia atual dos bancos centrais faz do endividamento e da penalização dos aforradores a nova forma de opressão e de exploração existente.

A filosofia marxista fundada na luta de classes fez da opressão e da exploração a premissa para uma reflexão sobre a história. Segundo Marx, a desigualdade económica era necessariamente um sinal de injustiça, ora a desigualdade financeira extrema que se vive atualmente é também um sinal de injustiça e o que procuramos é também uma reflexão sobre a situação atual.

Que impacto tem esta atuação dos bancos centrais na liberdade das pessoas? Pode o dinheiro ser visto sem uma certa filosofia? Tem o dinheiro verdadeira importância para além daquele que nos é absolutamente necessário? Será o dinheiro uma coisa boa e será que aqueles papéis que o representam têm mesmo valor?

O objetivo de um banco central para a Segurança Social é garantir que todos se sintam com dignidade, mas talvez tenham que ter mais conhecimento para se poder ultrapassar a questão moral. O objetivo desta reflexão é sugerir condições para evitar a próxima crise. Para evitar o que se aproxima é necessário um novo conjunto de regras. O colapso económico e financeiro não é um acontecimento, é um processo, e não creio que este facto seja corretamente entendido pela maioria.

 

 

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