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O dinheiro não existe

No espaço de tempo que mediou entre as guerras Napoleónicas (1803) e o fim do padrão ouro em 1971, com excepção da herança, só havia duas maneiras de se ter mais dinheiro: ganhá-lo ou roubá-lo.

Ou seja, durante mais de 150 anos tudo estava limitado, ou pelo menos havia a noção dessa limitação, a começar pelo dinheiro, mas também o tempo, os ganhos, o aforro e até a dívida.

Durante esse período de tempo, esses tais 168 anos, era preciso ganhar antes de começar a gastar. Este conceito foi-se perdendo gradualmente desde 1971, para desde 2008 deixar simplesmente de ser verdade, pelo menos em relação ao Estado, ao sector bancário e a uma grande parte do tecido empresarial, transformando de forma crucial as nossas vidas quotidianas.

O dinheiro deixou de ter limites e passou a ser criado a pedido, os recursos naturais também parecem não ser mais um problema, o tempo também deixou de o ser, agora que se instituiu a prática das taxas negativas, significando factualmente que o tempo pode andar para trás, e o aforro deixou de fazer sentido porque a dívida deixou de ter limite, para as pessoas, as empresas, e as nações.

Literalmente, passou a ser possível gastar sem ter que ganhar, mas curiosamente existe um sector que não beneficiou desta alteração: as pensões e a segurança social, ou seja o Estado Social.

Esse é o único sector que continua limitado em dinheiro, em tempo, em aforro e em dívida, apesar de ser provavelmente aquele a quem se justificaria uma alteração de conceito, tendo em conta que não é mais que um sistema Ponzi, em que os novos contribuintes pagam para os actuais pensionistas.

Sem fazer juízos de valor sobre os sistemas monetários (não somos apologistas do padrão ouro), os factos provam indiscutivelmente que existe uma diferença entre o dinheiro até 1971 e o dinheiro depois de 1971, e existindo uma diferença no dinheiro tem que haver uma diferença no conceito de capitalismo, que antes requeria verdadeiro capital, constituído com aforro obtido no tempo.

Sem aforro, uma economia capitalista não tem base de trabalho, ou seja, não tem excedentes, para a criação do processo de transformação. A dívida que hoje se confunde com capital é na realidade o anticapital, porque dívida não é aforro, é dinheiro que ainda nem foi ganho e que por isso em termos práticos anula o aforro. Aliás o dinheiro hoje só existe porque existe divida, ou seja se não houvesse divida simplesmente não existiria dinheiro.

Com a nova realidade incentivada pelos bancos centrais de fomentar o endividamento e penalizar o aforro, quanto maior o endividamento menor é a capacidade de aforro e menor a capacidade de crescimento de uma economia.

A economia nasceu como uma ciência social, mas à medida que se tornou mais dependente de métodos matemáticos, menor foi a preocupação social e maiores foram os avanços conceptuais. Estamos, provavelmente, no limiar de um novo estado de evolução da economia, que forçosamente deverá ser mais social, passando a utilizar alguns desses avanços conceptuais em benefício dos agentes económicos reais ou seja as pessoas, e quando isso acontecer será uma revolução.

As revoluções económicas são mudanças radicais em relação ao passado que ocorrem normalmente de forma gradual, por vezes súbitas, e que levam a uma quebra de paradigma. A economia evolui com as revoluções, depois da revolução industrial, da revolução energética e da revolução digital estamos a viver uma revolução monetária, com impactos nos sistemas políticos e sociais.

Depois de se convencionar que os Estados existem para dar prejuízo e de agora se aceitar que empresas de referência, de que a Uber ou a Tesla são só alguns exemplos, possam não ter como objectivo dar resultados positivos, estamos com receio de aplicar as mesmas teorias ao Estado Social certamente com medo de perder conceitos morais.

Como reagiriam os agentes económicos se o dinheiro deixasse de ser um problema? Continuariam as pessoas a estar preocupadas com critérios de eficiência ou de qualidade nos seus locais de trabalho? Seria possível manter limites nos padrões morais? Sabemos a realidade do passado, sabemos que o dinheiro no passado dependia da confiança mutua entre as partes envolvidas na transacção, mas hoje a confiança é unilateral, limitamo-nos a ter fé no Banco Central, veremos o que o futuro nos trará.

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