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Hoje mito, amanhã realidade

Talvez já não se lembrem mas uma das razões que nos levou ao “crash” de 1987 foram as chamadas Junk bonds.

Este produto agora conhecido como obrigações lixo, foi transformado pelo senhor Mike Milken. Tudo o que era a negociação de um mercado obscuro e marginal de obrigações de risco de empresas pequenas foi transformado, graças a ele, num produto estrela e, em consequência, num mar de dinheiro. Literalmente Mike Milken  e o Banco Drexel foram, com este produto, responsáveis pela transformação do mundo financeiro nos anos 80.
Em 1997 com a crise do hedge fund LTCM, a crise russa e ainda a crise asiática, o termo ‘’Greenspan put’’ foi cunhado pelos intervenientes no mercado. Porquê? Porque o então governador da FED Alan Greenspan baixava as taxas em movimentos de 0.5% para dar confiança aos investidores, e simultaneamente forçar as acções a subir. Esta famosa put nunca mais deixou de ser usada. Como resultado disso, deu origem à crise de 2008 e desde então está em preparação a próxima crise.

Todas as crises têm o seu isqueiro, ou seja o detonador que faz acender a crise. Foi assim com os junk bonds de 1987, foi assim com a nova economia do final do seculo XX, foi assim em 2008 com as obrigações subprime e em…. 2017 talvez seja com os Bancos Centrais responsáveis pelas LTRO (as operações de refinanciamento bancário de longo prazo, ou Long Term Refinancing Operations LTRO). Vejamos o que significa na prática este palavrão. Em tempos idos os bancos centrais emprestavam dinheiro aos bancos comerciais em situações pontuais de falta de liquidez e a muito curto prazo. Depois da crise de 2008 estas operações alargaram-se no tempo e a última do BCE foi no dia 22 de Março, para liquidação em 2021. Nestas operações, os bancos financiam-se a uma taxa de menos 0.4%, ou seja por cada 100 euros recebem 0.40 cêntimos. Em contrapartida comprometem-se a financiar a economia excluindo o imobiliário. O montante desta ultima operação de LTRO foi de 120 mil milhões de euros. Claro que não sabemos se são as LTRO que vão criar o próximo problema. O que sabemos é que se transformou uma operação de falta de liquidez de muito curto prazo, que tinha custos proibitivos para os bancos, em operações a 4 anos remuneradas para os mesmos bancos. É verdade que o homem é um animal de hábitos, e talvez esteja já habituado a esta normalidade, como parece estar habituado ao facto de existirem investidores que pagam em vez de receberem, pelo privilégio de terem divida de alguns países sob a forma de obrigações.

Infelizmente, este dinheiro gratuito, como se sabe, não é para todos, porque conhecemos o preço a que chega às pequenas empresas, mas isto é apenas e só um detalhe. Os mais atentos lembram-se que referi 2017 uns parágrafos acima. Certamente perguntam-se porque dizemos que este pode ser o problema de 2017. Basicamente porque faz sentido que assim seja. Já passaram 10 anos desde a crise de 2007 com os Bancos Centrais a fazerem uma verdadeira revolução monetária utilizando medidas não convencionais que já vimos acima, com o único objectivo de perpetuar o sistema financeiro, mas criando uma enorme repressão em toda a sociedade, primeiro sem remunerar o dinheiro, depois sem lhe dar valor com taxas zero ou negativas. Esta revolução é uma contradição porque se procura perpetuar o sistema forçando a gestão global da economia ao alterar radicalmente a condução da politica monetária.

É verdade que esta situação se pode manter ainda durante muito tempo mais. Afinal esta manipulação é feita pelos bancos centrais e a maioria das pessoas ainda não entende todo o seu poder. O primeiro dos Rothschild e fundador da dinastia já dizia: ‘’Deixem-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importa quem faz as suas leis’’.

Um exemplo do poder arbitrário e da gestão global que está a ser feita por parte de quem controla o dinheiro está mais uma vez evidente no recente caso Banco Popular. No dia 9 de Junho foi anunciado que o banco tinha sido vendido por 1 euro ao Santander, numa decisão tomada em 24 horas. Curiosamente, a 29 de Junho de 2016, há 11 meses, o Popular anunciava publicamente ao mundo os seus altos e excelentes níveis de capital registados nos testes de stress a que foi submetido pelo BCE e Autoridade Bancaria Europeia (EBA). Os resultados eram então de 13,45% no cenário base e 7,01% no cenário adverso. Isto ainda antes de um aumento de capital de 2,5 mil milhões de euros realizado faz 1 ano.
Na época a TVI noticiava :’’ O El País refere que no caso espanhol, dos seis bancos analisados pela EBA, Santander, BBVA, Bankia, CaixaBank (acionista do BPI), Sabadell e Popular, todos superaram, sem problemas os testes de stress’’.

Ora este Popular de Junho de 2016  é o mesmo, que em finais de 2016 apresentou 3,5 mil milhões de prejuízo, porque teve que criar 5,5 mil milhões em provisões para acomodar perdas com empréstimos. Percebem a sequência? Testes de stress em Junho de 2016 bons. Aumento de capital de 2,5 mil milhões em Julho de 2016 bom, prejuízos de 3,5 Mil Milhões em 2016, mau, e os reguladores Europeus obrigam a uma venda por 1 euro ao Santander em Junho de 2017. Tudo em exactamente 12 meses. O BCE resolveu este problema 3 vezes como vimos, primeiro com o teste de stress, depois obrigando a fazer um aumento de capital, e depois ao obrigar à venda por 1 euro. Estará agora finalmente o problema resolvido?
O Banco Popular tem um balanço de 150 mil milhões que foi vendido por 1 euro, porque provavelmente não era bom (para referencia o PIB de Portugal é de 185 mil milhões), mas o Santander vai resolver o problema com um aumento de capital de 7 mil milhões.
Compreendem a perplexidade quando li no DN : O comissário do Euro reagiu à operação de resolução do Banco Popular, considerando que se tratou de “um exemplo bem-sucedido” na primeira vez em que o Mecanismo Único foi chamado a intervir na resolução de um banco. Valdis Dombrovskis entende que a solução encontrada deu as garantias necessárias ao funcionamento do banco.  A perplexidade tem a ver com o facto que, imagino, este senhor já tinha tido garantias anteriormente com os testes de stress, e teve mais garantias com o aumento de capital feito há um ano. Será que os Bancos Centrais correm o risco de ficarem sem soluções? Será que nesta revolução estamos a caminho de outra realidade?
Com taxas de juro a zero a divida tende para o infinito, mas para que a divida tenda para o infinito os emprestadores teriam que ser em número infinito a emprestar dinheiro na troca de nada. Em condições normais tal não seria viável, mas os Bancos Centrais ao não ter limites na criação de dinheiro podem manter esta situação ainda muito tempo. As implicações deste facto é que podem ser perniciosas, como a percepção do valor do dinheiro.
Por enquanto os mercados e a sociedade no seu conjunto precisam de continuar a acreditar numa história. Em 2007 acreditavam  na história dos produtos derivados, em Credit Default Swaps para proteger o risco, hoje, acreditam que os Estados se podem continuar a endividar sem risco, que as famílias e as empresas podem continuar a fazer o mesmo e que os Bancos Centrais têm o controlo da situação.
O crédito é o elixir da sociedade do seculo XXI. Utilizamos o cartão de crédito quando já não temos dinheiro na conta, as empresas financiam os seus equipamentos com crédito, os carros são comprados a crédito, as casas são compradas a crédito, os estudos são feitos a crédito, os governos só vivem a crédito e os bancos só vivem do crédito. Todo o dinheiro em circulação só existe porque ele representa crédito. O perigo está no crédito mas é importante não fazer confusão entre mitos e realidades, e aqui é que está a dificuldade, o que é mito e o que é realidade? Porque as revoluções são processos evolutivos com consequências inesperadas, não se pode falar de bancos centrais sem falar da nova realidade que são as moedas virtuais como o Bitcoin. É notória uma correlação inversa entre a moeda americana, cuja gestão é da responsabilidade da Reserva Federal Americana e esta criptomoeda. O dólar baixa e o bitcoin sobe, o dólar sobe e o bitcoin baixa. É também notória a semelhança deste fenómeno com aquele que existiu com as empresas de internet nos anos 90. Todos tinham uma ideia para uma nova empresa de internet, por vezes criada em poucas semanas. O objectivo era cotar em bolsa, porque era o futuro e no processo fazer alguns ricos. Moedas virtuais já existem mais de 800, algumas criadas em semanas também, e com a sua cotação em movimentos parabólicos, criando alguns milionários no processo. A internet teve o seu crash, de mito sobre o futuro transformou-se em realidade. Estarão as moedas virtuais num processo idêntico? Serão elas a futura realidade, ou serão mito?  Para já são pelo menos um processo intrigante, pelo simples facto de existirem. Qualquer pessoa ou empresa que decidisse emitir moedas em ouro ou prata seria presa pelo Estado mas o mesmo Estado não parece estar preocupado com a proliferação de moedas virtuais. Eventualmente tal como na euforia da internet, a grande maioria das moedas virtuais irá desaparecer e algumas irão ficar. Porquê o sucesso destas moedas virtuais? Será porque estão fora do sistema bancário e são uma das consequências inesperadas da revolução criada pelos bancos Centrais? Será porque são globais, numa época de globalização? Será porque se equivalem ao ouro da era digital?
Não temos respostas para nenhuma destas questões mas sabemos que o futuro constrói-se com a destruição criativa popularizada pelo economista Schumpeter. Hoje mito amanhã realidade.16

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