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Obrigações, que responsabilidade!

”Obrigações a 100 anos: não há mal que sempre dure”, era o titulo de um artigo no diário la Nación de Buenos Aires, escrito pelo cronista Emilio Ocompo.

Porque escolhemos falar hoje de obrigações de responsabilidades e do titulo do diário la Nación?

Porque, como se recordam, estivemos recentemente na Argentina e aí soubemos que este País havia feito uma emissão de obrigações a 100 anos. Justamente a Argentina, que nos últimos 20 anos restruturou e não cumpriu a sua divida por 2 vezes e apesar disso, levantou 2.750 (dois mil setecentos e cinquenta mil milhões), em dólares, para serem pagos daqui a 100 anos.

Este tema é interessante por muitas razões. A primeira é, indiscutivelmente, porque que revela a dificuldade dos investidores institucionais em obter rendimento. Isso é patente no facto de assumirem riscos sobre um País que passou 75 dos últimos 200 anos em alguma das múltiplas formas de ´´default´´ou incumprimento. A segunda é a adopção desta aparente nova moda de emissões a 100 anos. Belgica Irlanda e México já o fizeram, com a particularidade de os Mexicanos o fazerem por duas vezes. Também empresas como a Coca Cola, a Disney, a IBM, a Motorola e a Petrobrás seguiram o exemplo.
A terceira razão para esta moda é que certamente ela estará relacionada com a conjuntura de taxas negativas.

Isto só é possível porque os índices americanos estão em máximos históricos, as obrigações estão em máximos históricos, o imobiliário em máximos históricos. O que não se diz com o mesmo ênfase é que o crédito ao consumo está também em máximos históricos, e as dividas governamentais também estão em máximos históricos.

A quarta razão é o interesse destas emissões na optica do emitente, que tem que ser vista na perspectiva da inflação, isto é, com a desvalorização da moeda. Ora esta emissão feita pela Argentina foi feita em dólares americanos pelo que o que aqui está em causa é a inflação americana, cuja taxa média nos últimos 100 anos foi de 3,27% ao ano. Na eventualidade de os próximos 100 anos terem a mesma inflação média, este empréstimo de dois mil setecentos e cinquenta mil milhões agora contraído, será provavelmente pago no ano de 2117 por um montante equivalente a 110 milhões ao valor actual.

O quinto ponto de interesse, ou a quinta razão, é o risco. Quanto mais longa é a emissão mais arriscada ela é, e neste caso, haverá que considerar o risco Argentina, que já vimos, e o risco dólar, que também abordámos, sem esquecer que não saberemos nunca se, daqui a 100 anos. o dólar ainda será dólar ou sequer se ainda haverá dólar.

Para avaliar o risco convém sempre falar da taxa de remuneração. Ora, com uma taxa de 7,91%, esta emissão poderia ser recuperada em 12 anos, não sendo, neste contexto, assim tanto tempo, o que limitaria o risco.

As emissões de obrigações a 100 anos não são uma inovação. A primeira entidade foi o Banco de Inglaterra a fazê-la em 1751, com a emissão de ”consols”que pagavam 3,5%. Salazar emitiu divida perpétua, designada por consolidados 2,5% e 3,5% que, basicamente, agrupou toda a divida avulsa que Portugal tinha. Estes consolidados desapareceram este seculo da circulação.

Não há portanto verdadeira inovação nestas emissões. A inovação está no facto dos Bancos Centrais dos Países ditos desenvolvidos terem conseguido manipular a economia ao ponto de se tornarem na própria economia. O balanço do BCE corresponde ao PIB do Japão, a terceira maior economia do mundo. Os lucros destes bancos têm origem em investimentos feitos com dinheiro criado do nada.

Tendo em consideração a revolução monetária em que nos encontramos, promovida pelos bancos Centrais, a pergunta que fica é se haverá limite? Não poderiam os bancos centrais, fazendo o mesmo, actuar por conta da segurança Social em beneficio de todos? Se é mesmo verdade que os bancos centrais podem fazer investimentos e gerar lucros com dinheiro criado do nada, justifica fazer de conta que se investe a cem anos? Não é este tempo só uma ilusão para permitir aos governos fazerem o que fazem? E o dinheiro assim criado é real, tem valor? Já que aqui estamos, será mesmo necessário ter bancos para além dos bancos centrais? Será que todo o sistema ainda se mantém por uma questão de confiança? Será esta confiança a razão por que se começa a dar valor às moedas digitais? Tantas perguntas, tantas obrigações, tanta responsabilidade e ainda se continua a falar de capitalismo, como se ainda houvesse capital.

Mas o capital não é divida e ninguém poderá garantir que o actual sistema ainda durará 100 anos.07

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