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A protecção de dados é um…..Pokemon

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A directiva europeia relativa ao tratamento de dados pessoais e à protecção da privacidade no sector das comunicações electrónicas é, talvez, o maior exercício de hipocrisia política da era moderna.

 

A protecção de dados é um…..Pokemon

 

Os governos têm o poder de regulamentar e sancionar e a intenção de controlar tudo, graças à tecnologia. A tendência é mais governo, mais regulamentação, mais e maior interferência do Estado, mais controlo, mais criação e centralização de bases de dados para poderem interferir directamente na vida das pessoas, em suma, menos liberdade.

Existem leis que dão suporte a múltiplas multas e processos em resultado de um simples erro ou de um qualquer engano de um funcionário, mas não com o intuito de punir verdadeiros e conscientes prevaricadores, mas apenas e só com a intenção de se aplicar a lei; um maná para o Estado, uma esperada oportunidade para os advogados.

O Estado transformou-se numa instituição que, sempre que alguém gasta dinheiro, sempre que alguém ganha dinheiro, ou sempre que alguém investe dinheiro, está presente para receber o seu quinhão, e em primeira mão, tal como a nobreza na Idade Média se arrogava o direito de “prima note” (direito à noite de núpcias).

No fundo, todos vivemos um novo período de feudalismo, mais sofisticado, mas que continua a dividir-nos em três classes, os políticos que serão a antiga nobreza, os responsáveis pela finança que serão o antigo clero  (assumem fazer agora o trabalho de Deus), e os servos, que continuam a ser a maioria da população. Tal como no feudalismo também agora não são livres, apesar de se poder votar ‘’democraticamente’’, mas curiosamente não de forma electrónica, vota-se como sempre se votou, à mão, com papel e lápis e em longas filas.

  • O curioso é que neste momento existe uma enorme confusão devida ao desenvolvimento tecnológico. As pessoas acreditam que têm mais poder e mais controlo sobre os seus destinos, quando na realidade a tecnologia não democratizou os mais importantes aspectos da nossa vida, muito pelo contrário, condiciona totalmente a nossa liberdade. Consumidores e empresas assim como o Estado, são agora mais vulneráveis à pirataria informática com prejuízos para a economia dificilmente quantificáveis. Os gastos na segurança cibernética são avultados e o roubo de identidades cada vez mais frequentes.

Na Internet, somos levados a aceitar longos contratos para instalar aplicações que na generalidade pretendem apenas e só o acesso a tudo, com a nossa autorização. Utilizamos motores de busca e redes sociais com sofisticados algoritmos que na prática não fazem mais senão espiar os nossos hábitos, para, entre outras coisas, sugerir publicidade.

 

A privacidade morreu.

 

Na realidade actual, não é mais possível preservar a privacidade, não existe transparência nem conhecimentos para se perceber o que é transparente, e é impossível saber o que existe realmente por detrás da tecnologia.

Governos e empresas continuarão a mentir com todos os dentes, para terem cada vez mais e maior controlo sobre as nossas vidas e por essa razão, é totalmente hipócrita por parte dos legisladores haver uma lei sobre a protecção de dados que na prática mais não faz que permitir que nos retirem das listas de ‘emails’ de alguns sites. Seria mais honesto informar as pessoas de que não têm nenhuma protecção de dados sempre que se utiliza o ‘smartphone’ ou o computador, ou os cartões de crédito ou de débito, ou as redes sociais ou ainda os jogos tipo… Pokemon.

Se alguém se deu ao trabalho de ler o contrato de aceitação deve ter visto que a empresa Niantic informa que coopera com agências governamentais e companhias privadas e que poderá revelar qualquer informação a seu respeito e que não permite a opção “Do not track” no navegador, ou seja, que estará permanentemente a ser vigiado. É o que diz o ‘site’ diarioliberdade.org.

Para que serve uma directiva sobre protecção de dados pessoais se quando o telefone vibra e informa que ‘’Pikachu está próximo’’ ao agarrar o seu smartphone, activa a câmara, o  microfone e GPS e ao circular disparando para todos os lado,s como o jogo exige, o cidadão protegido pela directiva está a mapear a sua localização fornecendo as coordenadas, o ângulo do telefone e fotografias de tudo aquilo que, eventualmente, lhe é precioso e privado, em beneficio de não se sabe quem.

Claro que estas coisas não são importantes para os legisladores e para aqueles que fazem cumprir a legislação. Para esses o que é importante é que este e os outros ‘sites’ tenham uma política de ‘cookies’ e de privacidade.

 

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