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Promessas políticas não são garantia de resultados futuros

O programa “Isto é tudo muito bonito, mas…” na TVI,  de Ricardo Araújo Pereira, tem prestado um enorme serviço à sociedade portuguesa demonstrando em imagens as constantes incongruências dos políticos.

Em período de campanha eleitoral tem sido o programa em questão aquele que melhor tem esclarecido a população. E não é certamente em resultado das respostas dos entrevistados.
A primeira conclusão a que cheguei é que os políticos acreditam realmente que os eleitores existem para dar suporte às posições que tomam. Assim sendo, não são pois as posições assumidas pelos políticos que dão suporte a um melhor futuro da sociedade. A segunda conclusão, inerente à primeira, é a manifesta necessidade de uma revolução. Não uma revolução com mortes, como nos é sugerida pelo PCTP/MRPP em cartazes já retirados, mas na nossa forma de pensar.

Os franceses fizeram uma, em tempos, com muito sangue, com o objectivo de eliminarem a monarquia e impor três conceitos que ao longo dos anos foram evoluindo: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Vejamos como, após essa evolução, se encontram agora.

A Liberdade implica compreender agora que é a produtividade das pessoas, as empresas e o capital que são a fonte de riqueza e progresso e não os governos. A Liberdade não está dependente nem é mais uma questão de esquerda ou direita. Impõe-se compreender que, sem riqueza, essa Liberdade não existe. A liberdade financeira é fundamental para sermos verdadeiramente livres dos constrangimentos do capital.

A Igualdade é impossível, não passa hoje de uma utopia. Todo o esforço despendido numa sociedade mais igual resultou sempre num enorme aumento das desigualdades. Somos todos diferentes no talento e nas capacidades produtivas. Os que não entendem ou aceitem isso, serão forçados a aprender a viver com essa realidade. Ninguém pode imaginar que, lendo jornais desportivos, se torna um grande futebolista, como o Ronaldo.

A Fraternidade não é complacente com a necessidade de progresso, necessidade de fazer mais e melhor para que os nossos filhos tenham melhor futuro. Também não se pode ser complacente com as liberdades que nos são regularmente retiradas por estados falidos, nem pensar que para ser fraterno é suficiente querer auxiliar refugiados, porque se tem um sentimento de culpa, resultante de um nível de vida, superior.

No mercado financeiro existe um aviso obrigatório em produtos que oferecem rentabilidades e  que diz: “Rentabilidades passadas não são garantia de resultados futuros”.

A política, obviamente, não está sujeita a este tipo de “avisos”, daí o título deste artigo. As pessoas que agora foram votar não devem esquecer que promessas políticas não são garantia de resultados futuros.

A realidade é que nas últimas décadas temos vindo a tomar más decisões em cima de más decisões, sendo por isso uma farsa pensar que regressaremos à prosperidade ao votar nestas eleições e que na próxima legislatura se resolvem os problemas. Mesmo tomando todas as decisões de forma acertada, seriam precisas muitas legislaturas. Quando o Estado gasta todo o dinheiro que colecta em salários, segurança social e juros da dívida, a solução não está ao virar da esquina.

Façamos o seguinte exercício baseado nos dados de 2014 do orçamento de estado:

Receita do Estado –                                          67.940.000
Orçamento do Estado –                                    73.331.000
Défice do Orçamento –                                       5.390.000
Divida Total do Estado –                                  219. 649.000
Total dos juros pagos em 2014 –                          8.502.000
Aumento do Endividamento entre 2013 e 2014 –  1.600.000

A estes números vamos agora  retirar três zeros e imaginar que são os números da família Apolinário Contente!

Tem de receitas anuais – 67.940 euros
De despesas anuais 73.331 euros
Tem um défice anual de 5.390 euros que é coberto por crédito bancário e cartões de crédito
Tem uma dívida total acumulada de 219.649 euros (casa, carro, crédito ao consumo)
Pagou de juros 8.502 euros em 2014
Com este orçamento a família Apolinário Contente aumentou o seu endividamento total relativamente ao ano anterior em 1.600 euros

A família Apolinário não fez nenhuma formação específica, não criaram nenhum negócio novo mas continuam convencidos que os seus níveis de rendimento irão crescer mais que a sua dívida. A bem da verdade, Apolinário tem um plano para baixar esse défice de 5.390 euros ao ano para 1.000 euros nos próximos quatro anos. Será isto razoável? A família Apolinário, está falida, mas o mais dramático é a aparente ignorância sobre a sua real situação.

Ora nada disto impede os candidatos em campanha de dizer toda a espécie de inverdades, desde que os eleitores as queiram ouvir. “A segurança social está bem e tem solução”, “Iremos ter a dívida sob controlo”, “O governo promoverá políticas de emprego”, “O sistema financeiro está sólido”.

Mas a verdade é que não temos ideia alguma do que irá acontecer e nenhuma ideia das possíveis soluções. Os 450.000 portugueses que emigraram limitaram-se a avaliar as suas opções e optaram por um plano B que não inclui o seu país de nascimento. Nenhum dos partidos que seja eleito e forme governo tem qualquer plano B.

Votar só permite mudar os jogadores, mas o que é realmente necessário é mudar o jogo. Provavelmente dando menos poder aos políticos, permitindo talvez menos influência do Estado nas nossas vidas, seguramente substituindo o formato dos bancos centrais actualmente existentes, que só actuam em benefício da política e dos banqueiros, para um formato em benefício de todos, através da Segurança Social.

Os políticos acreditam no Governador do Banco Central e no sistema que lhe dá uma capacidade sobrenatural, porque estabelece as leis que governam o universo financeiro. Porque em função disso ele responde às preces dos governos, perdoa ou castiga os bancos pelos pecados cometidos, intervém no mundo financeiro operando verdadeiros milagres para manter o sistema em funcionamento. É o Deus da finança.

Tal como na religião, existe uma ideia generalizada de que os bancos centrais são particularmente vulneráveis à ofensa. Tal como na religião o sistema financeiro tem no seu âmago algumas ideias sagradas. Por exemplo, a faculdade de emitir dinheiro do ar (sem nenhum outro suporte) em beneficio de alguns, nomeadamente, dos bancos.

O privilégio concedido aos bancos centrais pelos políticos só pode ter explicação nos benefícios directos que retiram juntamente com a banca.

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