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Ser pobre custa uma fortuna

Estava a ver televisão quando, sem nenhum aviso prévio, chego à conclusão que é mais fácil parecer inteligente que ser inteligente. Talvez por isso pareça haver tanta gente inteligente, pelo menos na televisão, nos canais noticiosos, e tão poucas pessoas realmente inteligentes.

Porque de vez em quando também vou à televisão, perguntei-me se também eu pareceria inteligente. Fiquei na dúvida. Quando era mais novo tinha a mania que era inteligente, mas com o andar dos anos fui percebendo pelos resultados que não devia ser tão inteligente assim. Agora, apesar de todo o conhecimento adquirido, tenho a certeza de não ser suficientemente inteligente.

As pessoas realmente inteligentes passam mais tempo em ‘coktails’, almoços e  recepções do que a trabalhar, parecem crescer em altura quando falam, juntam facilmente ao redor de si pessoas do sexo oposto e falam praticamente de tudo, mesmo que não saibam nada de nada, e têm sempre uma opinião.

Este profundo pensamento ocorreu-me enquanto via o telejornal de um canal de televisão quando se falava de pobreza. Naquele momento teria gostado de dizer em público que sai muito caro ser-se pobre. Os pobres pagam mais por quase tudo. Se comprar uma unidade tem um preço se comprar cinco, algo que o pobre não pode, sai mais barato. Se pagar a pronto tem desconto, se utilizar crédito, uma necessidade do pobre, sai muito mais caro. Se tiver que pedir emprestado a sua taxa de juro é sempre mais elevada, muito mais elevada porque é pobre. Custa uma fortuna ser-se pobre.

Ter capital, ou seja, riqueza que não se gasta, é o que diferencia os ricos dos pobres, não é ter dinheiro, porque dinheiro gasta-se, entra e sai, mas capital não, o capital é investido cuidadosamente, é planeada a sua aplicação, normalmente em projectos que ofereçam menor risco com o melhor retorno possível. O capital mantém-se, justamente porque não é gasto como o dinheiro.

O problema é que hoje em dia tende-se a confundir tudo. Incentiva-se mais as pessoas a consumir que a produzir, dá-se mais ênfase aos direitos que às obrigações e frequentemente não se explica por que razão as coisas são como são. Em ‘Outliers’ de Malcom Gladwell demonstra-se que o profundo conhecimento e provavelmente o sucesso chegam ao fim de 10.000 horas de trabalho, logo alguém que esteja na disposição de colocar mais horas de trabalho que os outros deveria ter mais probabilidades.

Lá estou eu novamente a divagar e a querer parecer inteligente com o que parece ser uma ideia quando a maioria das ideias são formas de distracção.

O mundo continua, independentemente do que pensamos ou das nossas ideias, que, verdade seja dita, são construídas à medida das necessidades.

Imagino que cada um de nós pensa o que temos de pensar para fazer o que temos que fazer. Por exemplo, um latifundiário acreditará nos direitos de propriedade, um comunista acredita na redistribuição de riqueza, porque as ideias e as opiniões reforçam as posições já assumidas. Pode acreditar-se no que se quiser, mas o interessante é quando esse passatempo se torna um verdadeiro puzzle como, por exemplo, este:
– O balanço do Banco Central Americano, a FED, passou de 800 biliões em 2008 para 4,5 triliões em 2015. Um balanço muito elevado significa uma grande alavancagem e uma grande alavancagem significa ter pouca margem de segurança. A FED quase não tem margem de segurança com este balanço, correndo o risco de ficar insolvente. Claro que o banco central americano é garantido pelo Estado Americano, mas este tem a dívida mais elevada que alguma vez um Estado teve e, de acordo com os seus próprios números, tem um resultado líquido negativo, ou seja, se fosse possível liquidar tudo não ficaria com dinheiro suficiente para assumir as suas responsabilidades. O país é, no entanto, considerado rico, os seus bancos são considerados seguros, a sua moeda também.

Outro exemplo de outro puzzle está relacionado com o país que neste momento parece ganhar cada vez mais importância no mundo, a China. É governado por comunistas, ou seja, pessoas que em princípio não acreditam no funcionamento dos mercados, mas é este proletariado que controla a China, que tem criado o país em que os capitalistas conseguem realizar mais dinheiro.

Será porque a realidade política é a maior parte das vezes totalmente inútil ou porque a realidade factual é infinitamente mais complexa?

Com tudo isto quase me esquecia do que queria dizer. Porque os mercados me tornaram mais cínico e mais humilde são eles que me permitem dizer que os Chineses podem ser comunistas, mas estão conscientes que é o capital que controla o mundo moderno e não a teoria politica, apesar de curiosamente, ou talvez não, os mercados financeiros serem cada vez mais comandados pela política.

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