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Investir na bolsa em 2020?

  • Subida da bolsa entre 2009 e 2019

Agora que fechámos 2019 e vamos iniciar 2020, julguei interessante conhecer o que se passou nos últimos 10 anos nas principais bolsas de valores mundiais; em particular, conhecer as regiões e os sectores que obtiveram o melhor desempenho, bem como as empresas que se destacaram pela positiva.

 

Investir na bolsa em 2020?

 

Desta forma, recolhi dados das empresas constituintes dos distintos índices bolsistas, para as quais existem dados para o fecho de 2009 e de 2019, por forma a realizar dita análise. Para se obter uma cobertura global, foram considerados os principais índices bolsistas mundiais, entre outros: o S&P 500, o DAX 30, o HANG SENG e o NIKKEI 225.

Apesar de existirem empresas que fazem parte de mais de um índice, por exemplo, as acções da Apple (NASDAQ 100, S&P 500 e DOW 30), cada empresa seleccionada foi considerada uma única vez na análise. Desta forma, o exame incidiu em 2458 empresas cotadas em bolsa, distribuidas pelas seguintes regiões/países: Ásia/Oceania, Europa, EUA, América do Sul e Rússia. Após se efectuar a dita selecção, de 2458 empresas, podemos verificar que na análise 53% pertencem à Ásia/Oceania, 22% à Europa, 19% aos EUA, 5% à América do Sul e 1% à Rússia (ver Figura 1).

Figura 1

estudo de 2458 empresas dos principais índices bolsistas mundiais
Número de empresas dos distintos índices bolsistas

No final de 2009, este universo de empresas representava uma capitalização bolsista de 21 biliões de Euros (milhões de milhões), em que os EUA, a Ásia/Oceânia e a Europa representavam cerca de 30% cada (ver Figura 2).

Entretanto, o que aconteceu nos últimos 10 anos? O mercado bolsista norte-americano destacou-se claramente dos demais. A sua capitalização bolsista subiu 250% para este período, passando a representar 50% aproximadamente da capitalização bolsista para esta análise em 2019.

Globalmente, o mercado de acções continuou a ser uma excelente opção para a canalização das poupanças dos investidores, pois o seu valor multiplicou-se 2,3 vezes (130%), ou seja, uma rendibilidade anualizada de 8,7%. No caso dos EUA, essa rendibilidade anualizada foi de 13,3%. Em qualquer dos casos, um investimento na bolsa nos últimos 10 anos teria permitido, não só, cobrir a perda do poder de compra do dinheiro (inflação), bem como obter uma remuneração real muito superior às demais alternativas de investimento existentes.

  • Pela negativa, importa salientar que a América Latina e a Rússia não foram as melhores opções de investimento para estes 10 anos que passaram.

Figura 2

Evolução da capitalização bolsista entre 2009 e 2019
Evolução da capitalização bolsista entre 2009 e 2019 para 2458 empresas

Uma das razões para o superior desempenho da bolsa norte-americana resulta da existência de grandes empresas dos sectores Tecnológico e Saúde, precisamente os que apresentaram o melhor desempenho para este período (ver Figura 3). No caso do sector Tecnológico, um investidor que tivesse aplicado 100 euros no final de 2009, agora teria 412 euros; no caso do sector Saúde, teria 338 euros. Os sectores de actividade tradicionais, ou menos associados à tecnologia, foram claramente os perdedores, em particular o sector da Energia e das Matérias Primas.

A pergunta que se coloca é a seguinte: será que serão igualmente os sectores com pior desempenho nos próximos 10 anos? O sector Tecnológico continuará a ser a estrela?

Figura 3

Evolução da capitalização bolsista entre 2009 e 2019 discriminado por sector de actividade
Evolução da capitalização bolsista entre 2009 e 2019 discriminado por sector de actividade

Quais foram as empresas-estrela desta análise? Se tivermos em conta apenas as empresas que apresentavam uma capitalização bolsista superior a 10 mil milhões de Euros no final de 2009, iremos obter uns nomes interessantes e não desconhecidos da maioria do grande público.

Tal como podemos verificar na Figura 4, aparecem-nos os seguintes 5 nomes: Amazon, Mastercard, Tencent, UnitedHealth e Apple. Deste grupo, apenas a Tencent não cota na bolsa norte-americana, todas as outras estão admitidas à cotação em bolsas norte-americanas. A Tencent cota na bolsa de Hong Hong e faz parte do índice HANG SENG.

Como podemos constatar, um investidor que tivesse destinado 100 euros para a compra de acções da Amazon no final de 2009, hoje teria 1781 euros! No caso da Apple, a 5ª melhor, teria 1232 euros.

Em conclusão, os gigantes tecnológicos norte-americanos proporcionaram rendibilidades excepcionais aos seus accionistas nos últimos 10 anos. Mais uma vez, a Europa ficou para trás e continuam a não existir empresas tecnológicas globais, estando a perder terreno para os EUA e China.

Figura 4

Empresas com uma capitalização bolsista superior a 10 mil milhões de Euros
as 5 empresas com o melhor desempenho em bolsa entre 2009 e 2019

Apesar da impressão massiva de dinheiro por parte de todos os bancos centrais nos últimos 10 anos, a bolsa norte-americana foi a que conseguiu captar a maioria desta injecção de liquidez, em particular pela utilização de “buy-backs”; em que consiste esta prática? A empresa contrai dívida e utiliza-a na compra das suas próprias acções na bolsa de valores, obviamente, colocando uma pressão compradora no preço. Por outro lado, existe uma enorme pressão política para manter o mercado accionista norte-americano nas “nuvens”.

  • Desde a sua eleição em 2016, sempre que o mercado accionista norte-americano supera um novo máximo, o presidente Trump diz que tal subida é um certificado de qualidade das suas políticas.

Por outro lado, a bolsa norte-americana, na perspectiva de um investidor europeu, também se beneficiou da queda do EUR USD, passando de 1,43 para 1,11; ou seja, a divisa norte-americana apreciou-se face ao Euro, permitindo que à valorização em bolsa se juntasse a valorização cambial.

O ano que entretanto passou foi fantástico, pois o NASDAQ 100 possibilitou um retorno anual de 36% (em USD), enquanto o S&P 500 possibilitou uma valorização de 28% (em USD). A bolsa norte-americana, mais uma vez, foi a estrela de todas as bolsas.

Os desafios que agora se colocam a qualquer investidor é o seguinte: 2020 irá proporcionar os mesmos retornos que 2019? E nos próximos 10 anos? Será que a bolsa norte-americana será o melhor destino das poupanças. Os sectores mais interessantes continuarão a ser a Tecnologia e Saúde?

Uma coisa é clara: deixar o dinheiro no banco a 0%, ou mesmo a taxas negativas, não será a melhor opção!

 

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