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Detroit e ouro a realidade do endividamento

O presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, disse no Congresso Americano que não compreendia o ouro, quando questionado sobre a queda do seu preço. As suas palavras exactas foram: “Ninguém percebe o preço do ouro, é um activo particular que as pessoas guardam contra a inflação, mas que não é um bom indicador da inflação”.
A minha surpresa nesta declaração prende-se com o facto de os bancos centrais só terem três instrumentos para seguir: a moeda, os títulos de dívida e o ouro. Seria natural que percebessem, profundamente, estes três instrumentos. Aparentemente, não é verdade!

Bernanke diz agora não perceber o ouro, mas em 1933 a Reserva Federal percebeu perfeitamente a sua importância quando Roosevelt criminalizou a sua posse, obrigando a sua venda a 20,67 dólares, para depois estabelecer uma paridade para a onça de ouro a 35 dólares, uma desvalorização de mais de 75%. Actualmente, está a mais de 1.300 dólares. O endividamento dos países é inversamente proporcional a esta desvalorização.

O ouro tem mais de 5.000 anos de história como dinheiro, o código penal conhecido mais antigo tem cerca de 4.000 anos, é o Código Hamurabi da antiga Babilónia, e previa que os devedores dessem como garantia em escravatura a mulher ou os filhos, por um período limite de tês anos. Felizmente, agora não é necessário nenhuma família entregar os filhos em escravatura durante três anos individualmente, os Estados garantiram pelo montante das dívidas dos respectivos países que a próxima geração toda fique escrava da dívida assumida por esta.

A história está carregada de situações em que o Estado assalta o aforro dos seus cidadãos de forma proporcional às dificuldades sentidas pelo mesmo Estado.
Por falar em dificuldades, os Estados Unidos viram reforçado o seu ‘rating’, que de ‘outlook negativo’ passou a ‘estável’ pela Moodys, precisamente no dia em que é declarada a falência da cidade de Detroit, apesar de se adivinhar que será a primeira entre outras.
Detroit é a realidade do que alguns comentaristas exemplificam fazendo futurologia, o que deveria chamar a atenção de todos os países que vivem situações como a do Sul da Europa. Detroit negociou durante anos aquilo que foi possível negociar, aumentou todos os impostos que foi possível aumentar e actualmente não tem electricidade pública em 60% da cidade e vai ratear o fundo de pensões dos seus trabalhadores.
Em 1971, Detroit era a quinta maior cidade dos Estados Unidos, hoje tem 1/3 dos habitantes. Da capital mundial automóvel entre 1950 e 1971 não resta nada. Fortemente sindicalizada, a cidade foi gradualmente aumentando benesses para os seus trabalhadores até transformar as empresas construtoras de automóveis  em fundos de pensões, com custos que se tornaram insuportáveis. As empresas tinham de assumir os trabalhadores no activo mais os reformados, tornando-se gradualmente menos competitivas até falirem. Primeiro, a maquinaria ficou velha, depois os trabalhadores amoleceram, finalmente a descentralização atirou com a produção para fora da cidade e do País. Obama salvou a GM em 2009, mas na realidade salvou os seus sindicatos ao garantir os salários e as benesses que a empresa não podia garantir. A cidade faliu em 2013. Na realidade, começou a falir muito antes, quando as empresas começaram a sair, seguidas dos seus habitantes baixando a base de incidência de imposto colectado.
As empresas que se iam mantendo em Detroit eram subjugadas pelos impostos municipais que foram aumentando, inviabilizando a recuperação dos imóveis por parte dos seus habitantes até deixarem de pagar. Ficaram essencialmente os que viviam à custa do município ou do Estado.  Outras cidades estão na calha para falir. Estão dependentes da provável subida das taxas de juro para assumirem a mesma inviabilidade do pagamento do serviço da dívida. Também essas cidades continuam a subir os seus impostos para tentarem manter o equilíbrio e também aí as pessoas e as empresas continuam a abandonar essas cidades para outras mais equilibradas financeiramente. O ‘rating’ dos Estados Unidos está estável, se calhar a situação do Sul da Europa também.

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