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Aforro em risco

Nas actuais condições económicas e financeiras dos países ocidentais, as poupanças de milhões de pessoas por esse mundo fora estão neste preciso momento em risco. Por poupanças estamos a referir-nos a seguros de vida, a PPR, a saldos de contas bancárias, a dinheiros que as famílias pensam ter de forma segura e que estão, neste momento, a financiar os défices dos países ocidentais, ainda até há pouco tempo conhecidos como países ricos.

Na realidade, com as suas poupanças, e sem terem muita consciência disso, estas pessoas fazem parte do movimento de resgate da elite financeira e do sistema político mundial.

Imagino que possam ficar incrédulos e até desconfiados da veracidade destes factos. Afinal de contas, o sistema financeiro existe há muito tempo, as contas bancárias estão garantidas até 100.000 euros, existem seguros para dar protecção às incertezas e foram criados sistemas de indemnização para investidores e aforradores. Assim sendo, como é então possível que esteja tudo em risco se ainda temos o Estado para nos defender?

Foi no final de 2007 que se começou a duvidar da confiança cega existente no sistema financeiro, e logo em 2008  se assistiu a uma crise generalizada do sistema bancário. Nessa altura, os investidores viram o seu património desvalorizar-se, em média, entre 50 e 70% em poucas semanas, o mesmo sucedendo aos investimentos feitos pelos bancos e seguradoras. Natural, pois, que a crise financeira se transformasse numa crise económica que acordou os governantes para a possibilidade de uma grande depressão, levando-os a injectar enormes montantes na economia. A União Europeia injectou 200 mil milhões, os diferentes países da União Europeia muitos milhares de milhões, Os Estados Unidos, a soma astronómica de mais de 1.000 milhares de milhões. Nenhum destes governos se lembrou que os seus défices já estavam a níveis recorde em 2008, ainda antes de criarem este tsunami de dívida para ajudar à retoma. Sim, é bom que se tenha em conta que todo este dinheiro injectado na economia pura e simplesmente não existia e teve que ser encontrado por via do endividamento. Ora, é exactamente a estas situações que as populações costumam estar menos atentas, sobretudo quando se lhes fala no Estado e na possibilidade de ser este a resolver o problema. O Estado há muito tempo que vive acima das suas possibilidades pelo que, quando se propõe resolver outro problema, isso quer dizer pedir mais dinheiro emprestado.

É a partir deste ponto que peço a vossa melhor atenção, porque é a partir daqui que o vosso aforro começa a ficar em risco. Vejamos porquê.

Quando um governo se encontra sem recursos, tem de se financiar, o que acontece praticamente todos os 15 dias, como as pessoas ficaram recentemente a saber. Estes pedidos de empréstimo são feitos directamente às famílias ou ao estrangeiro por via dos mercados, através de obrigações. E aqui entra o aforro das famílias. Via fundos de pensões, via depósitos bancários, via seguros de vida, fechando o círculo vicioso da dívida.

Quando um país como a Suíça diz que não compra mais dívida portuguesa ou irlandesa, está a fazer de conta que controla o risco e a passar uma mensagem de confiança aos seus investidores, confiança essa que é a base do nosso sistema financeiro. Mas entretanto continua a atafulhar-se de dívida de outras países que ainda não são percebidos como sendo de risco mas que na realidade também são como os Estados Unidos ou o Reino Unido.

O mecanismo é portanto simples, tão simples que é um absurdo. Os activos tóxicos dos bancos que deram origem à crise foram comprados pelos governos, por via dos bancos centrais. Para salvar o sistema financeiro, e consequentemente a economia, os governos endividaram-se e foi o sistema financeiro que comprou essa mesma dívida.

O busilis deste esforço inglório é que o problema não desapareceu, limitou-se a ser transferido, primeiro para o sector público através da dívida soberana, depois novamente para o sector privado, com a compra dessa mesma dívida pelos privados.

Nada mudou em relação ao que originou o subprime. A dívida criada para permitir a compra das casas era transformada em produtos de aforro subscritos pelas famílias directamente e indirectamente por todo o mundo, contaminando assim a poupança mundial. A dívida soberana está, exactamente da mesma forma, a contaminar a poupança mundial. O problema da Grécia é, na realidade, um problema francês e alemão porque 40% dessa dívida está parqueada nesses dois países. Como esses mesmos países também têm dívida irlandesa, portuguesa e espanhola, brevemente esses países também estarão com problemas, se, entretanto, não se encontrar solução para os problemas dos outros.

A dívida americana, essa, está por todos os países, e não é nem melhor nem diferente das outras. A dívida americana acaba de passar os 14 triliões e o secretário do Tesouro Geithner acaba de fazer um pedido dramático ao congresso para que o seu limite autorizado seja aumentado. Essa dívida já representa mais de 60% do PIB americano, pelo que a situação não vai melhorar. Pelo contrário, se o pedido for aceite só pode piorar e a ameaça de falência que paira sobre a economia mundial fica mais próxima.

O sistema financeiro mundial utiliza as dívidas soberanas como reservas bancárias e base monetária. Tudo funciona na base da confiança e enquanto as crises forem de tamanho suficientemente pequeno para não afectar a confiança global.  O problema é que a confiança já está afectada e as crises estão a ter um efeito dominó em que economias pequenas são salvas por economias maiores, que por sua vez vão ficar afectadas também.

As crises da Grécia, Irlanda e Portugal são um aperitivo para o que vai acontecer às economias maiores, mas será dos Estados Unidos que chegará o golpe final. Quem poderá acorrer para salvar os Estados Unidos?

Os economistas já sabem que não é possivel financiar défices tão grandes como os existentes actualmente. Só nos Estados Unidos o montante de juros sobre o défice pago diariamente é mais de mil milhões de dólares. Não admira, pois, que no caso americano a solução seja imprimir dinheiro na expectativa de gerar inflação, porque essa é a forma conhecida de escapar às dívidas.01

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