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Economia transgénica

Em condições normais, num mercado sem coações, unicamente sujeito à lei da oferta e da procura, estaríamos agora a entrar na época do ano em que a procura do ouro deveria suplantar a oferta porque, justamente, estamos no inicio da época em que, por todo o mundo, com maior ou menor vontade, se oferecem prendas. Começa, para o mundo Islâmico, por alturas do Ramadão, em Agosto, segue-se Diwali para os Indianos, depois a época de Natal para os ocidentais e acaba no ano novo chinês. Estas seriam as condições normais. Depois, vêm as condições anormais, como o facto de 85% do mercado de derivados do ouro estar nas mãos de dois bancos, que são o HSBC e o JPMorgan, os quais têm, por isso, o controlo do mercado.

Tomei a liberdade de falar em condições anormais. Porém, situações como esta são agora a normalidade. Em quase todos os sectores vivemos situações de oligopólio com duas a cinco entidades a controlarem os respectivos mercados, (5 bancos representam 85% do mercado bancário nos Estados Unidos, 3 construtores automóveis representam 95%, 5 grupos farmacêuticos 85%, 2 produtores de software 60%, na refinação petrolífera 5 empresas controlam 60%). Enfim, são poucos mas bons, como gostamos de dizer.

As forças exercidas por estes oligopólios distorcem os mercados, porque estão conscientes da força que têm e que lhes alimenta a razão. Por exemplo, neste momento, a divida americana parece ter-se transformado em ouro tal é o entusiasmo com que o oligopólio a compra. Claro que não obstante um país continuar a endividar-se ao ritmo que os Estados Unidos o fazem, conseguir obter taxas cada vez menores, apesar de não sair da crise, é digno de ser considerada uma nova economia que, quando estiver testada e aprovada pela totalidade dos investidores, deve poder ser extensível à Grécia ou a Portugal.

Se fosse olhada como o era na velha economia, com a inflação nos Estados Unidos nos 1,2% e a taxa de juro nos 0.25%, (muito abaixo da taxa de inflação), seria de esperar que as taxas subissem, mais mês menos mês, porque todos deveriam saber que não poderiam manter-se neste nível para sempre. Se a inflação vier a subir para os 2% (algo muito provável) a taxa de juro natural seria 3,5%, mas não parece possível a ninguém, sobretudo a nenhum político, que as taxas possam ir para tal nível. Como seria com o serviço da divida americana? Como é que as famílias, que têm feito das tripas coração para conseguirem pagar a sua hipoteca, iriam fazer com uma subida de taxas assim? Logo, admito que seja natural que o oligopólio esteja à espera que as taxas venham para zero. É a única explicação.

Esta nova economia parece ser o resultado de muitos anos de trabalho político e de apuro monetário, que permite uma espécie de economia transgénica, a qual, passa por ter sido manipulada geneticamente com novas características relativamente às originais. Esta nova economia seria como ter o cristianismo sem inferno, a criação sem destruição ou o dia sem a noite. Veremos se conseguem ter o crescimento sem recessão.

Antigamente, o propósito das crises era redistribuir oportunidades, daqueles que estão fragilizados aos que estão de boa saúde. Não é isso que está a acontecer agora. As pequenas empresas, apesar de boas, estão a ser estranguladas pela falta de crédito, enquanto as grandes empresas sobretudo as multinacionais estão a ser beneficiadas com a situação. A IBM colocou no mês de Agosto obrigações a 3 anos a uma taxa de juro de 1%, o nível mais baixo alguma vez obtido por uma empresa, só comparável com a divida soberana americana que está também em mínimos históricos. A Johnson & Johnson colocou obrigações a 10 e a 30 anos no montante de 550 milhões de dólares a 2.95% e 4.5% respectivamente. Estas são taxas que Portugal, Espanha, Grécia Itália Irlanda e Inglaterra não conseguem.

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