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Como funciona o mercado de Forex?

 

Para começar a falar sobre o mercado de Forex, importa, em primeiro lugar, realizar uma breve resenha histórica, começando pelo acordo de Bretton Woods, assinado por 44 países, em 1944.  

Neste tratado internacional estabeleceu-se que o dólar norte-americano passaria a ser a única moeda convertível em ouro, com um preço de 35 USD por onça de ouro, aproximadamente 31,10 gramas. As demais divisas passariam a ser convertíveis apenas em dólares norte-americanos, a um cambio acordado entre os signatários do tratado.  

Nos anos 60, com a guerra do Vietnam, os Estados Unidos iniciaram um processo inflacionário, ou seja, sem se assegurarem que eram emitidos de acordo com as suas reservas de ouro, para financiarem o esforço de guerra, aquilo que vulgarmente se designa por ‘’emitiram dólares do nada’’ . Nesse período, tanto a França como a Alemanha possuíam fortes excedentes comerciais e seguiam uma política fiscal austera, pelo que foram acumulando reservas em dólares. No entanto, em particular a França de Charles de Gaulle, começaram a pressionar os Estados Unidos, exigindo regularmente converter as suas reservas em ouro: algo que não era do agrado dos Estados Unidos. Em consequência disso, o presidente norte-americano, Richard Nixon, em Agosto de 1971, decretou o fim dos acordos de Bretton Woods. O dólar não seria mais convertível em ouro; além disso, todas as divisas passariam a ser negociadas livremente, sem câmbios pré-fixados, dando origem ao mercado de Forex. 

Como funciona o mercado de Forex?  

A negociação é realizada através de pares cambiais, por exemplo, USDGBP.  

Cada divisa é definida por três letras, neste caso, o dólar norte-americano é definido pelas letras USD. As duas primeiras referem-se ao país (United States) e a terceira ao nome da divisa, dólar. No caso da libra esterlina, GB, refere-se a Grã-Bretanha (Great Britain), e P, refere-se a libra esterlina (Pound Sterling). A primeira moeda, neste caso, o USD, é a moeda negociada, enquanto que a da direita, a GBP, é a moeda em relação monetária que completa o PAR. 

Este tipo de negociação gera, muitas vezes, a maior das confusões em muitos investidores que se iniciam no mercado de Forex. No entanto, se realizarmos uma analogia com a negociação em acções, iremos verificar que é bastante simples.  

Vamos imaginar que estamos a negociar acções da Amazon, a cotar a 1800 USD por acção. Se um investidor decide comprar 10 acções da Amazon, terá de pagar 18 mil USD. O seu objectivo é uma valorização da Amazon, ou seja, uma subida do seu preço, por exemplo, de 1800 para 1900 USD. Chamamos a isto uma posição longa, em que o investidor primeiro compra e depois vende.  

Se, pelo contrário, a expectativa do investidor é uma desvalorização da Amazon, terá que solicitar o empréstimo de 10 acções, vendê-las em bolsa, recebendo, em troca, 18 mil USD. Se a cotação da Amazon descer, vamos supor, de 1800 para 1700 USD, o investidor decide comprar 10 acções em bolsa, devolvendo os títulos ao proprietário que lhe facultou o empréstimo e ganhando mil USD, pois custaram-lhe apenas 17 mil USD. Tratou-se de uma posição curta, em que o objectivo do investidor era uma desvalorização do activo, neste caso a Amazon.  

Na prática a negociação de acções é igual à negociação em Forex, pois estamos, neste exemplo, a negociar o par AmazonUSD, o par esquerdo, o activo, o par direito, a moeda. Todos os ganhos ou perdas são expressos na moeda, o par direito, no nosso exemplo, o dólar norte-americano (USD). Se pensarmos que estamos a negociar em acções, a negociação em Forex torna-se bastante simples. 

Como funciona o mercado de Forex tendo em conta a dimensão e liquidez deste mercado? Quais os pares mais líquidos? 

Actualmente, estima-se que o volume diário transaccionado no mercado Forex situa-se em 5 biliões de USD (fonte: Statista 2019; triliões na terminologia anglo-saxónica), sendo, portanto, a muita distância dos demais, o maior mercado financeiro do mundo. A título de comparação, a bolsa de Nova Iorque tem um volume de negociação diário de 25 mil milhões de USD aproximadamente (fonte: Statista 2019), cerca de 200 vezes inferior ao mercado Forex.  

Segundo o BIS (Bank of International Settlements; 2018), os pares cambiais EUR/USD, GBP/USD, USD/CHF, USD/JPY, AUD/USD, NZD/USD e USD/CAD são os mais negociados, destacando-se a presença da divisa norte-americana em todos os pares. 

Que notícias podem impactar as cotações dos pares cambiais? 

Em primeiro lugar, os principais indicadores macroeconómicos de um dado país são determinantes para o valor de uma divisa, tal como, relatórios de emprego, inflação, evolução da balança comercial e corrente, entre outros. Estes dados, quando publicados, podem gerar importantes alterações na cotação de um determinado par cambial.  

Em segundo lugar, as intervenções realizadas pelo banco central responsável por emitir uma determinada divisa. Assim, se o Banco Central Europeu decide alargar no tempo um programa de compra de activos, significa que irá emitir moeda para realizar essas compras, o que poderá significar uma depreciação do EUR. 

Como se processa a negociação em Forex? 

A maioria dos clientes de retalho negoceiam divisas através do instrumento CFD, tendo um determinado par cambial como activo subjacente; imaginemos o par cambial EURUSD, a cotar a 1,10 USD. Trata-se de um instrumento negociado em margem, tal como seguidamente iremos explicar.  

Se o investidor decidir abrir uma posição longa de 10 000 Euros, do activo negociado, significa o seguinte: solicitar um empréstimo de 11 000 USD para comprar EURs, recebendo em contrapartida 10000 EURs. Para abrir uma posição, a corretora irá solicitar, por exemplo, 5% do valor da posição, neste caso 550 USD (11 000 × 5%). Desta forma, 550 USD serão bloqueados para a eventualidade de perdas do investidor quando a posição é encerrada. 

Assim, um mês depois da posição ter sido aberta, caso a cotação suba de 1,10 para 1,15, o investidor decide fechar a posição. Neste caso, vende os seus EURs por 11 500 USD, o que significa que ganhou 500 USD. No entanto, terá que pagar custos de financiamento. Suponhamos que a taxa de juro do USD é de 4% e a do EUR de 2%, neste caso temos: 

  • Empréstimo de 11 mil USD: 11 000 × 4% × (1÷12) = 37 USD (valor a pagar, pois foi um empréstimo); 
  • Depósito de 10 mil EUR: 10 000 × 2% × (1÷12) = 17 EUR (valor a receber, pois foi um depósito, ou seja, o investidor aplica o valor em EURs que recebeu no momento da abertura da posição). Assim, este valor corresponde a 14 USD (17÷1,15). 
  • Valor líquido em USD a ajustar: 23 USD (37-14). Ou seja, o ganho teria de ser ajustado a 477 USD (500 – 23). 
  • A corretora poderia ter cobrado este valor através de um ajustamento do preço de abertura, modificando-o, no momento de encerramento da posição, para 1,1023. Assim, ao calcular-se o ganho teríamos 10 000 × (1,15-1,1023) = 477 USD 

Neste exemplo, ao negociar com margem, o investidor apenas teve de investir 500 USD, o depósito de margem, em lugar de 11 000 USD. No fecho da posição recebeu 977 USD, ou seja, o ganho de 477 USD e a devolução da margem depositada, 500 USD. Tal operação tinha significado uma rendibilidade de 95% (977 ÷ 500). 

No entanto, se a cotação do EUR tivesse descido de 1,10 para 1,05, em lugar de subir, teria tido uma perda de -500 USD e ainda teria de pagar 23 USD de custos de financiamento, uma perda global de -523 USD. Neste caso, a rendibilidade passaria a ser de -105% (-23 ÷ 500).  

Ao negociar mercados alavancados através do depósito de margem, as perdas/ganhos amplificam-se expressivamente. Ao contrário com uma operação que não tivesse necessidade de utilização de margem ou encargos de financiamento, teriamos: 

  • Cenário 1: 11 500 – 11 000 = 500 (rendibilidade: 5% > 11500 vs. 11000) 
  • Cenário 2: 10 500 – 11 000 = -500 (rendibilidade: -5% > 10500 vs. 11000) 

Horário de negociação e preparação? 

Saber como funciona o mercado de Forex passa, igualmente, por ter em conta que o mercado de Forex pode ser negociado durante 24 horas, 5 dias da semana. Abre na zona asiática ao Domingo, às 22:00 (GMT), e encerra às 20:00 (GMT), à Sexta-Feira nos Estados Unidos.  

Atendendo à elevada liquidez deste mercado, a aplicação da análise técnica é muito utilizada, sendo mesmo a forma de análise preferida, atendendo que se trata de um mercado “mais nobre”, se o comparamos com outras classes de activos financeiros. Por outro lado, para se implementar uma estratégia de sucesso, para além de um profundo conhecimento da análise técnica, o investidor deverá seguir as seguintes rotinas: 

  • O que se passou na sessão asiática; quais os eventos/notícias que tiveram maior impacto? Quais os pares cambiais que apresentaram os maiores movimentos? 
  • Conhecer os principais indicadores económicos que serão publicados com impacto directo nas divisas; em que momento, os bancos centrais vão anunciar a sua política monetária? 
  • Realizar análise gráfica para diferentes períodos (10 minutos, diário e semanal), visando identificar tendências e padrões; 

Por fim, deverá saber realizar uma rigorosa gestão monetária, dado que ao negociar em margem, deverá ter extrema atenção à percentagem da sua carteira adstrita a uma determinada posição. 

  

 

 

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