Voltar ao Blog
A morte, a vida e a economia

A vida é essencialmente um estado mental e tudo quanto fazemos ou pensamos, tem para nós validade na proporção que lhe atribuímos, que é invariavelmente diferente da validade que outros atribuem.

Essa é a razão por que há momentos em que tudo cansa e outros em que nada cansa. Estou num desses momentos, parecendo oco, com a exagerada consciência que sempre tive. Vem este estado de alma devido ao recente falecimento do meu pai.

Normalmente, quando morre uma pessoa com muita idade é normal que não apareça muita gente, ou porque amigos e familiares já morreram ou porque já poucos se lembram da pessoa. O meu pai teve no seu velório mais gente que aquilo que esperava, o que me surpreendeu.

O meu pai era uma pessoa especial, sabia tudo, tinha uma opinião sobre tudo e tinha razão sobre tudo. O meu pai não era um homem de impressões, era um homem de convicções.

Claro que isso tornou difícil a vida para os filhos. Os filhos gostam de ter o respeito dos seus pais, mas nada podíamos fazer para o impressionar.

Na nossa família o meu pai gostava de ser a referência entre as diferentes gerações. Não era necessário pedir-lhe uma opinião porque ele tinha uma opinião sempre crítica, sempre uma queixa e sempre de voz elevada. Nunca dizia nada que sugerisse estar de acordo.

O seu problema, ou melhor o meu problema com ele, era justamente o facto de ter uma opinião sobre tudo, de apontar permanentemente os vários mal-estares da sociedade e impressões de desagrado. Quando se tem uma opinião, pensa-se imediatamente contra a opinião contrária, é como formar uma equipa contra outra.

O meu pai era do Benfica, doente pelo Benfica, e a sua vida foi assim, ou ganhava ou perdia e por isso, naturalmente, estava sempre pronto para a guerra. A sua energia emocional e intelectual concentrava-se em ganhar a guerra, todas as guerras, qualquer guerra.

O meu pai era uma pessoa estranha que ao longo da minha vida tentei compreender mas sem sucesso e por isso talvez não sei o que sinto, nem sei o que quero sentir. Era inútil dizer-lhe que a guerra era desnecessária. Era inútil falar-lhe da futilidade de argumentar por causa de futebol ou da política, ou da família em quarto grau, quando existem coisas mais importantes. Para ele o importante era ganhar, como se fosse uma questão de sobrevivência. Era por isso que tomava partido, era por isso que deixava de ver as coisas com clarividência.

O meu pai gostava de falar de pobreza. Gostava de poder dizer que para ele o dinheiro não era importante, mas não era verdade, o dinheiro dava-lhe a esperança de poder ser feliz. Sentia-se mais livre com dinheiro, respirava melhor.

O meu pai fazia ponto de honra de não sorrir, como se um sorriso o inferiorizasse, guardava os sorrisos para algumas ocasiões fazendo uma gestão cuidada como se tivesse poucos sorrisos em ‘stock’.

Uma das poucas coisas que o faziam sorrir era a tecnologia. Tornava-se uma criança mexendo em todos os botões para ver o que acontecia.

No fim, este homem orgulhoso, combativo e por vezes arrogante, tornou-se um ser frágil e indefeso na sua cama de hospital, lutando com todas as suas forças para manter a dignidade que ostentou ao longo da sua vida.

A morte, o amor, o futuro, a economia, são temas abstractos. Nunca se sabe o que teremos. Tudo em nós é acidente. Sem querer, sinto que tenho estado a pensar na minha vida, a frustração por não encontrar a verdade. Mas qual verdade? Se fosse possível conhecer a verdade seria possível vê-la. Habitualmente aqui falamos de dinheiro e não há nada com menos verdade que o dinheiro. Quantos endinheirados pensam que são inteligentes? Infelizmente, a vida não é um exame de resposta múltipla que se equipare a uma pergunta sobre branqueamento de capitais como esta do exame sobre Mifid2.

«No âmbito da prevenção e repressão do branqueamento e do financiamento ao terrorismo, as entidades financeiras devem informar as autoridades competentes sempre que tenham a suspeita ou o conhecimento de factos que indiciem uma situação de branqueamento ou de financiamento do terrorismo.» Esta definição corresponde ao cumprimento de que dever legalmente previsto?

(a) Dever de identificação e diligência.

(b) Dever de colaboração.

(c) Dever de comunicação.

(d) Dever de abstenção.

Na vida real não é possível saber o que vai acontecer, quando vai acontecer e como vai acontecer. O mesmo se passa com a economia. Como dizia o meu pai, ‘’ao contrario do que pensam os economistas a economia não é uma máquina’’. E é verdade. Não existem plantas com diagramas, nem manuais, para explicar como funciona e não podemos enviar mensagens para o ‘’support desk’’ a pedir ajuda. A economia, como as pessoas, é um sistema adaptativo complexo em que cada uma das partes tem informação e desejos únicos que funcionam de forma independente. Se a economia fosse um carro teríamos os travões a quererem ir para a direita a suspensão a querer ir para a esquerda. O carro passaria a ser uma economia com múltiplas ideias próprias, em que cada uma das suas componentes quer coisas diferentes, por motivos diferentes, em ritmos diferentes, mas deixaria de ser uma máquina. Tudo o resto é ilusão. É por esta razão que as intervenções de governos ou bancos centrais sobre a economia, não são sustentáveis, porque não é uma máquina. As máquinas podem ser controladas, podem até ser manipuladas, as economias não, e isso sempre já se sabe desde a ‘’mão invisível’’ de Adam Smith.

O crescimento actual das economias, não é um crescimento normal. Os bancos Centrais só criam mais dinheiro, não criam riqueza. Este novo dinheiro vai para o sistema financeiro mas são os que estão no topo da pirâmide que têm acesso ao crédito canalisado depois para a especulação financeira. No lado oposto está o slogan ‘’a austeridade mata’’, no pressuposto que a austeridade é a causa da perda de postos de trabalho e de benefícios sociais.

Apesar de o futuro não se conhecer e o passado já ser, resta-nos a possibilidade de não complicar uma sociedade que evolui à medida que as pessoas vão desenvolvendo novos produtos, novas formas de trabalhar, de forma voluntária, sem necessidade de ter um Estado omnipresente com regras e regulamentos, licenças e controle de preços, tudo em nome de um mundo melhor que terá que acabar. Esta é a realidade que bem conheço, e agora resta-me a saudade de outras coisas sobre o meu pai que não conheci.

AVISO LEGAL: A informação aqui apresentada é apenas para fins informativos e não constitui uma recomendação de investimento, convite ou oferta para realizar qualquer operação ou transacção. Esta informação não é um reflexo de posições (própria ou de terceiros) firme dos participantes nos mercados de valores. A DIF Broker não tem em conta objetivos de investimento específicos ou situações financeiras particulares. Também não faz qualquer declaração ou assume qualquer responsabilidade sobre a confiabilidade das informações fornecidas ou perda decorrente de investimentos realizados. Este conteúdo é puramente informativo, portanto, não deve ser utilizado para valorizar carteiras ou ativos, nem servir de base para recomendações de investimento. Para os fins informativos deste blog, as decisões de investimento tomadas com base neste conteúdo são da exclusiva responsabilidade do investidor. As operações feitas em seu nome seguindo as recomendações de uma análise, em investimentos particulares e sem limitação, e alavancados, como o comércio de câmbio e investimento em derivados pode ser muito especulativo e, portanto, gerar lucros, mas também perdas. Antes de fazer um investimento ou efectuar uma transacção, deve considerar a sua situação financeira e consultar o seu / s conselheiro / s financeiros / s, a fim de compreender os riscos e considerar se é apropriado à luz da sua situação. Todas as opiniões expressas estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. O conteúdo pode mostrar a opinião pessoal do autor que pode não reflectir a opinião da DIF Broker.
Os CFD são instrumentos complexos e apresentam um elevado risco de perda rápida dinheiro devido ao efeito de alavancagem.
86% das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este distribuidor.
Deve considerar se compreende como funcionam os CFD e se pode correr o elevado risco de perda do seu dinheiro.