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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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Tempo

Quando se é jovem não se pensa em morrer, mais tarde quando se começa a sentir o peso da idade a noção de mortalidade torna-se mais evidente, mas à medida que vamos envelhecendo tornamo-nos mais verdadeiros, o melhor e o pior de nós vem ao de cima, ora a nossa arrogância ora as nossas inseguranças.
Imagino pelo que observo que temos consciência que somos já realmente velhos quando não nos importamos com o que nos rodeia quando só o nosso mundo importa, quando a nossa liberdade pode invadir a liberdade dos que nos rodeiam sem nenhuma preocupação do que possam pensar.
Vem isto a propósito de quê? Pois vem a propósito de algumas conjecturas que tenho feito sobre a democracia e os resultados das últimas eleições europeias. Parece que os políticos já estão naquela fase da vida em que também eles não se importam com o que os rodeia e não têm nenhuma preocupação com o que 75% da população possa pensar. Esta situação torna-me pessimista porque me faz pensar que tal como a vida isto só pode acabar mal com a diferença que não sabemos como vai acabar.
O que sabemos é que continuarão a fazer tudo o que lhes é possível para não alterar nada ao que tem sido feito com o auxílio dos bancos centrais, tal como manter os bancos que são grandes demais para falir, a ter demasiada dívida e a planificar o nosso futuro na base de estatísticas demasiado manipuladas.
Fomos evoluindo ao longo destes anos de crise para um sistema de socialização desta finança ‘too big to fail’, e não existe indicação alguma do que será diferente quando formos confrontados com a próxima crise. Na realidade, um documento da Comunidade Europeia a que a Reuters teve acesso, propõe que as poupanças dos 500 milhões de europeus seja usada para financiar a economia em projectos de longo prazo, mobilizando as pensões.
A política actual está cheia de contradições, procura-se garantir tudo o que é possível eliminando o risco, ao mesmo tempo procuram-se novos empreendedores que assumam risco. Assume-se que os mercados financeiros são locais de risco, mas os Estados promovem a criação de produtos sem risco. A todos isto parece normal, certamente pela complexidade do tema. Todos entenderiam que se se quisesse promover campeões de fórmula Um a primeira medida não poderia ser limitar a velocidade a 30 km/hora.
Garantir parece ser a palavra-chave deste milénio. De acordo com o que já se sabia, não se conseguiu garantir que a taxa Libor não fosse manipulada, não se conseguiu garantir que o mercado Forex fosse manipulado e não se garantiu também que o mercado de metais preciosos nomeadamente o ouro não fosse também manipulado.
O regulador Inglês acaba de aplicar uma multa de 26 milhões de libras pela manipulação do ‘fixing’ do ouro.  O ‘Financial Times’ escreveu que desde 2008 a banca de investimento global já pagou mais de 100  mil milhões em acordos extra judiciais a reguladores.
Estas foram as manipulações ilegais. A manipulação que os bancos centrais fazem para manter o sistema financeiro em funcionamento, para evitar deflação e garantir inflação é por enquanto uma manipulação legal. Teremos tempo para ficar cínicos antes de ficarmos velhos?