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Fascismo monetário

O fascismo, tal como é normalmente conhecido, tem uma carga política negativa muito grande porque está associado a nacionalismos exacerbados mas, curiosamente, é raramente associado à sua racionalidade económica que é baseada num conluio entre o Estado e a indústria, com vista a um desenvolvimento da sociedade.
O que actualmente estamos a viver pode ser considerado um fascismo monetário no qual o Estado e a Banca se uniram para dessa forma atingirem o desenvolvimento da sociedade.

As épocas do fascismo caracterizaram-se pela particularidade de terem sido períodos curtos da história pois são, na sua essência, um culminar de situações, ou seja, a última fase de um ciclo antes da mudança. Foi assim com o fascismo tradicional associado à época de industrialização e deverá ser assim com o fascismo monetário associado ao crédito.

A dívida existente no mundo é muito superior à riqueza, e a capacidade de criar essa riqueza é insuficiente para que se assumam as necessárias responsabilidades. As minorias já o sabem, quer sejam elas de credores ou de devedores. Infelizmente, a maioria dos políticos ainda não e a maioria das pessoas também não. As intervenções de organismos como o FMI nos países em dificuldades são vistos como uma versão moderna da famigerada inquisição. À época, a Igreja e o Estado estavam intimamente ligados, agora o sistema bancário substituiu a Igreja. Estas intervenções tornaram-se um meio político-social de coerção.

É uma realidade que a economia mundial está em condições periclitantes, mas é discutível que os bancos centrais possam fazer o que estão fazer para salvar a economia. Pretender estimular as economias com a criação de dívida, ou seja, dinheiro, é uma ilusão que tem como único resultado salvar os bancos. Essa é a razão pela qual, ao fim de cinco anos nos Estados Unidos, depois de três anos na Europa e ao fim de 20 no Japão, este tipo de medidas aplicadas pelos bancos centrais não resultou em recuperação económica, não resultou em crescimento das economias nem em crescimento de emprego.
A única coisa evidente e palpável com este tipo de estímulos foi o crescimento do endividamento.

No que diz respeito aos mercados financeiros, é um facto que esta situação específica dos estímulos tem resultado na recuperação destes desde a crise de 2007. Na prática, resume-se a uma aposta feita pelos investidores no senhor Bernanke e no senhor Draghi, se assim não fosse, não faria sentido estarem a comprar acções ou obrigações. Este é o ponto que realmente incomoda;  resumir os mercados a uma simples aposta nos governadores dos bancos centrais, “porque não existe alternativa”. O dinheiro tornou-se o Estado e o Estado é forçado a servir os interesses do dinheiro.

Os governos, nesta fase do ciclo de desenvolvimento da sociedade, tornaram-se instituições reaccionárias com o monopólio do uso exclusivo da força para proteger os interesses instalados quaisquer que sejam. No caso actual são os interesses das populações em idade adulta e os sectores económicos actuais. As razões são óbvias, as futuras gerações ainda não votam e as futuras indústrias não fazem ainda contribuições para os partidos.

Joseph Tainter escreve no seu livro “O Colapso de Sociedades Complexas” que o declínio das civilizações tem por origem a incapacidade de resolver problemas quando se tornam demasiado complexos. Segundo ele, cada problema requer uma solução que no seu processo cumulativo envolve uma cada vez maior complexidade. São as burocracias, as hierarquias, as leis e regulamentações impostas, com um custo cada vez maior até se chegar a uma situação impossível. Actualmente, para além desta verdade de Joseph Tainter, há que acrescentar as incessantes intervenções dos governos que alteraram também os valores morais na dinâmica da sociedade. Entre os casos de desespero e total incapacidade de gerar meios de sobrevivência temos também recompensado a preguiça dando-lhe o nome de “ajuda social”, temos promovido a incompetência, alegando o desenvolvimento da auto-estima, e temos deixado a democracia em nome da política ridicularizar os valores promovendo a ignorância.

O problema mais importante que a sociedade enfrenta neste momento tem ainda a designação de Estado Social. Uma outra mais apropriada deverá ser encontrada porque esta tem um estigma de classes e está demasiado politizada. Um exemplo feliz foi a transformação dos países do terceiro mundo em mercados emergentes, retirando o estigma da miséria e substituindo-o por um de esperança só com a alteração da designação.

O Estado Social não é mais um problema de esquerda ou de direita, porque ele enfrenta as mesmas dificuldades no sector público como no sector privado. O Estado Social é um problema de todos porque é uma fraude (sabe-se hoje que é insustentável) e moralmente injusto. Os empresários em Portugal contribuem mas não podem receber subsídio de desemprego em caso de falência. Os funcionários do Estado descontam 11% para a segurança social, mas o Estado não desconta os 23.75% como qualquer empresa para os seus funcionários.

No sector privado, o problema das pensões não é diferente. Nos Estados Unidos, as empresas com planos de pensões passaram de 112.200 em 1985 para 29.700 em 2005 e o número de trabalhadores activos com pensões passou de 22 milhões para 17 milhões no mesmo período. A grande maioria das 1.000 maiores empresas identificadas pela “Fortune 1000” deixou de ter ou congelou os seus fundos de pensões e o motivo é que’’ as pensões são uma coisa do passado’’. A realidade é que estes “contratos sociais” são inviáveis para as empresas porque incomportáveis.

Em Portugal, temos o exemplo recente do sector bancário que foi transferido para a segurança social. A curto prazo resolveu-se o problema do Estado, a longo prazo resolveu-se o problema dos bancos com os seus fundos de pensões.
Este é o paradigma que acredito será alterado. As pensões são essenciais para um continuado progresso da sociedade, o modelo que lhes dá suporte actualmente está obsoleto e só um novo modelo pode evitar o retrocesso.

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