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Como investir na Bolsa de Valores?

Ao longo da história, foi sempre prática corrente nomear pessoas ou grupos sem rosto como forma de espiar todos os males da sociedade. Tipicamente, numa crise, aparece sempre alguém com o dedo em riste: A culpa é dos estrangeiros! A culpa é da falta de regulação! 

É sempre fácil acusar alguém sem rosto. Tranquiliza as massas, pois o culpado já está identificado e não é ninguém em concreto, nenhum familiar, conhecido ou amigo. A lista de iniciativas para solucionar o problema passa sempre, regra geral, por uma destas: maior poder e controlo sobre a sociedade para um grupo de burocratas “iluminados”, início ou reforço de uma guerra ou legislação discriminatória para um determinado grupo da sociedade – por exemplo, entraves à entrada num dado negócio, maior tributação sobre uma actividade.

A expressão “a culpa é dos especuladores” é particularmente interessante, pois dá a entender que existem por aí, à solta e sem controlo, indivíduos a ganhar “uma pipa de massa”, com a maior das facilidades e sem nenhum esforço: nada mais errado, estimado leitor!

Especular em bolsa, ao contrário do propalado, é extremamente difícil. Assim, neste artigo, vamos tentar detalhar 5 princípios que qualquer investidor que se inicia neste meio deverá seguir para ter sucesso nos mercados financeiros. Se o leitor não sabe, então deveria saber que, uma grande maioria dos investidores não profissionais perde dinheiro em bolsa.

Investir na Bolsa de Valores:

1.       Seja ambicioso, não tema os mercados

Não é necessário ser-se economista para entender que na sociedade em que vivemos somos todos agentes económicos. O mundo das finanças, contrariamente ao que muitos julgam, não é assunto só para especialistas, ou não estivesse sempre presente, por exemplo, quando pagamos os impostos ou quando sofremos os efeitos da inflação.

A Bolsa de Valores não é um jogo, nem deverá ser encarada como um casino. Todos nós, sem excepção, temos posições curtas («shorts») ou longas («longs»). O mais curioso é que para isso não é necessário ter feito uma única operação nos mercados financeiros.

Alguns exemplos do dia-a-dia: quem tem um filho de 16 anos ou menos está curto («short») nos seus custos de formação universitária, ou pode estar longo se criou um fundo próprio e específico para este efeito.

A compra de uma habitação é um exemplo ainda mais fácil: para o proprietário, o activo, neste caso a casa, fica longo, e curto no empréstimo bancário correspondente.

No contexto das posições que as pessoas tomam como suas escolhas, os seus “investimentos” ao longo da vida devem ter o intuito de maximizar o valor da carteira de activos que possui, de acordo com a sua tolerância ao risco. O mesmo se passa na Bolsa de Valores, só que de forma mais rápida e mais fácil. Assim, não hesite em tomar o assunto em mãos, em lugar de o entregar a terceiros. Não tenha medo de assumir-se como um especulador em bolsa. Todos especulamos ao longo da vida, ao tomarmos decisões com base em expectativas futuras.

2.       Tenha um plano de investimento

Qualquer investidor que decide aplicar as suas poupanças nos mercados financeiros deverá ter um plano claro, assente em três aspectos: (1) entrada; (2) montante a investir; e (3) estratégia de saída. Previamente a qualquer investimento, é crítico ter em conta estes aspectos, caso contrário, as consequências poderão ser terríveis.

No que respeita à entrada, deverá sempre questionar-se se o momento de entrada é o correcto, em particular, se o preço de compra ou de venda é o ideal. O momento de entrada deverá ter em conta: se o preço rompeu uma formação gráfica, uma resistência ou um suporte. Após esta análise, deverá ser definido um intervalo de preço como entrada aceitável, caso contrário, a decisão de abrir uma determinada posição não deverá ter lugar. 

Por outro lado, o montante a investir é outra regra importante. Deve estar consciente da percentagem da carteira que deverá estar investida num determinado valor. Por exemplo, uma regra simples poderá ser adoptada: qualquer que seja o valor da minha carteira nunca deverá representar mais de 5% da mesma. Desta forma, o risco da carteira é mitigado, pois não estamos dependentes unicamente do desempenho de um valor.

Por fim, a estratégia de saída. Talvez a mais importante. Os grandes investidores, na maioria dos casos, não apresentam taxas de acerto superiores a 50%. Ou seja, se um investidor profissional decide abrir 10 posições no mercado, é muito provável que apenas 3 ou 4 apresentem ganhos. Desta forma, o leitor deverá perguntar-se: então como ganha dinheiro?

Para cada posição, deverá existir um plano para uma saída com ganhos ou perdas, neste caso, através de um stop. Vamos imaginar que um investidor entrou numa posição longa a 100 euros, colocando uma ordem limite, para ganhos, a 125, e uma ordem stop, a 95, para eventuais perdas. Assim, o rácio ganho/perda é de 5 (25/5). Ou seja, uma posição ganhadora vale por 5 de uma perdedora.

Outra possibilidade, consiste em deixar “correr” as posições ganhadoras, ajustando apenas o stop à medida que os ganhos potenciais incrementam. Estas posições são, na maioria dos casos, aquelas onde se obtêm rendibilidades excepcionais.

3.       Defina o risco da sua carteira; não ponha todos os ovos no mesmo cesto

Para além de não dever estar dependente de um valor, tal como explicado no ponto anterior, deverá procurar investir em instrumentos financeiros não correlacionados. O que significa?

Este conceito é muito simples; basta analisar uma série histórica e verificar se um determinado activo, por exemplo A, quando valoriza, e outro activo, por exemplo, o B, desvaloriza; neste caso, os activos A e B não estão correlacionados, a situação perfeita para um investidor que deseja reduzir o risco.

Um exemplo desta situação é o Ouro: tem tendência a valorizar-se quando os índices bolsistas desvalorizam, ou seja, em momentos de crise e pânico bolsista tem tendência a beneficiar de fortes apreciações.

Infelizmente, atendendo à recente evolução dos mercados financeiros, a maioria dos activos estão crescentemente correlacionados, ou seja, as intervenções dos bancos centrais estão a originar movimentos no mesmo sentido, gerando movimentos semelhantes em todas as classes de activos. Apesar disto, o investidor deverá sempre diversificar a sua carteira tendo em conta o seguinte:

  • A geografia; se decide investir numa determinada classe de activos, por exemplo, acções, deverá ter em conta a região ou regiões onde o desempenho é superior e segue uma tendência;
  •  A classe de activos; o investidor deverá ter em conta as várias classes de activos e de que forma se correlacionam. Em caso algum, o investimento deverá limitar-se a uma classe de activos, devendo considerar outras classes de activos, tais como as acções, obrigações, divisas, taxas de juro e matérias primas.
  • O sector de actividade; o investidor quando investe em acções, também deverá dar especial atenção ao sector de actividade em que o valor se insere. Regra geral, as empresas do sector das «utilities» são mais defensivas em momentos de crise, ou seja, podem não sofrer desvalorizações, ao passo que as empresas tecnológicas podem apresentar quedas abruptas em mercados com tendências descendentes. Por conseguinte, o peso assignado a um determinado sector de actividade é crítico para o desempenho de uma carteira.
  •  A volatilidade do activo onde deseja investir; actualmente, a maioria das plataformas de negociação já permite calcular com facilidade esta variável, medida através do desvio padrão. Em termos simples, quanto maior este valor, maior a volatilidade; ou seja, se um determinado valor A é mais volátil que o índice B, significa que quando o último sobe 2% é provável que o A suba 4 ou 5% e vice-versa. Assim, o investidor deverá estar consciente que uma carteira com valores muito voláteis, significa maior risco, mas provavelmente maior rendibilidade.

4.       Siga a tendência

Os mercados financeiros permitem que milhões pessoas possam negociar e fazer valer a sua opinião relativa ao preço de um determinado activo, ou seja, a maioria sempre ganha, não vale a pena lutar contra a opinião da maioria.

Podemos utilizar a analogia de uma sala de cinema. Imaginemos que o leitor se encontra nessa sala de cinema. É a única pessoa que está certa relativamente à saída de emergência, ou seja, a saída é na parte frontal da sala, enquanto a maioria julga que é nas traseiras da sala. Na eventualidade de acontecer alguma emergência, o que irá acontecer? O leitor irá correr para a frente e a multidão para trás, sendo provavelmente esmagado por ela. É precisamente isto que acontece a muitos investidores que decidem ir contra a opinião da maioria, no entanto, podiam estar certos.

Em Maio de 2019, a empresa Uber foi valorizada em cerca de 75,5 mil milhões de USD, apesar de apresentar prejuízos trimestrais de 900 milhões de USD aproximadamente! Assim, um determinado investidor pode ter toda a razão do mundo ao afirmar que a Uber vale 0 ou que o retorno de 0,4% da dívida da República Portuguesa a 10 anos é uma insanidade, atendendo a que o Estado português está técnicamente falido, no entanto, a maioria dos investidores julga o contrário. Ou seja, no médio prazo muitos investidores isolados podem ter razão, como se viu no filme “The Big Short”, mas é importante ter em conta a tendência, pois negociar contra a mesma, e apesar de poder estar errada, pode arruinar uma conta: quando o investidor, finalmente, vê que tem razão, pode, entretanto, já ter a conta arruinada.

Em conclusão, independentemente do tipo de análises realizadas, inclusive a fundamental, é crítico antes de investir em bolsa conhecer a opinião da maioria. Essa maioria manifesta-se através da tendência do valor, podendo ser ascendente, descendente ou lateral. Esta última, é a que menos interessa, pois os dois lados da contenda estão equilibrados.

5.       Tenha paciência

A quinta e última regra, será, talvez, a mais determinante para o sucesso de um investimento em bolsa: ter paciência.

Não se deve esperar resultados imediatos. Muitos investidores traçam um plano claro, abrem várias posições para diversificar, com uma estratégia clara de saída; no entanto, quando algumas posições se tornam perdedoras ou saltam «stops», desatam a encerrar todas as posições, reagindo, em pânico, a um mau início. Deve sempre concluir o seu plano, caso contrário, não poderá realizar um diagnóstico correcto quando algo correu mal.

Outro aspecto onde se revela a falta de paciência é a tendência em reforçar posições que estão a correr mal. Ou seja, compro 100 acções a 10 Euros e, de repente, o preço cai para 9 Euros, a reacção é comprar, por exemplo, mais 100 acções para diminuir o custo de aquisição. Em lugar de 10 euros, o custo de aquisição passa a 9,5 Euros. Isto é um erro que pode custar muito caro. Um dos maiores exemplos desta desgraça foi o caso BCP. Este valor, apesar de apresentar uma tendência descendente há vários anos, continuou a atrair investidores, sempre com a seguinte expectativa: agora sim, isto vai dar a volta; no entanto, frustrados com a evolução do título, muitos investidores compravam mais e mais, afundando-se em perdas.

Por fim, a tendência que muitos investidores têm em fechar de imediato as posições ganhadoras. Ou seja, se perdem, pensam: o mercado está errado e eu estou certo, por isso, importa reforçar, eu vou mostrar-lhes que tenho razão; se perdem: deixa-me já fechar e meter ao bolso o lucro. Nada mais errado! Como dissemos anteriormente, os investidores profissionais obtêm excelentes desempenhos em posições vencedoras, deixando-as “correr”, enquanto que as perdas, estancam-nas de imediato, não insistindo no desastre. É isto que deverá ter em conta e seguir à risca.

Julgamos que com formação em bolsa e tendo em conta estes cinco princípios, seguramente os mercados financeiros serão uma agradável surpresa para as suas poupanças. 

 

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