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Investir na Bolsa depois do Covid-19

Desde mínimos de Março de 2009, o índice S&P 500, o principal índice norte-americano, iniciou uma tendência ascendente que já dura há mais de 11 anos, tornando-se, desta forma, a mais longa tendência ascendente da história da bolsa de valores dos EUA.

Depois das forte quedas do final de Fevereiro e Março do presente ano, a pergunta que agora se coloca é a seguinte: a tendência ascendente do mercado norte-americano terminou? Será que iremos recuperar o máximo histórico de Fevereiro de 2020?

Se utilizarmos um gráfico de velas japonesas mensais, podemos observar que entre o máximo do índice sp500 que se verificou em Fevereiro do presente ano, próximo dos 3400 pontos, e o mínimo deste ano, nos 2190 pontos, registou-se uma queda superior a 35%!

Figura 1 (nota: actualizado a 8 de Abril de 2020)

Apesar desta forte queda, uma das mais rápidas de sempre, o índice encerrou o mês de Março nos 2 585 pontos, um valor superior ao mínimo anterior, que se situava nos 2506 pontos e registado no final de 2018.

Esta é uma das condições de uma tendência ascendente: máximos e mínimos crescentes.

Por outro lado, durante o mês de Março do presente ano, apesar do índice ter rompido a tendência de longo prazo, no sentido descendente, na região dos 2650 pontos, acabou por se tratar de uma falsa ruptura. E porquê?

Como podemos observar na Figura 1, o índice sp500 voltou a cotar em valores superiores a esta linha de tendência de longo prazo. Esta recuperação deu-se no final de Março e de Abril do presente ano.

Atendendo a estes dois aspectos, a manutenção da dita linha de tendência, com mínimos e máximos crescentes, poderá indicar que a bolsa de valores norte-americana poderá continuar a manter a sua “exuberância irracional”: desde Março de 2009, regista um ganho de 252%, considerando o valor de fecho de Março do presente ano.

Trata-se de uma valorização sem paralelo: em Fevereiro do presente ano, quando registou um máximo histórico, a bolsa de valores dos EUA apresentava uma capitalização bolsista que representava 200% do PIB, algo nunca visto!

Esta tendência tem sido alimentada por factores muito particulares.

Em primeiro lugar, a Reserva Federal norte-americana (FED), o banco central dos EUA, manteve as taxas de juro a 0% durante todo este período, excepto durante o intervalo entre 2016 e meados do ano transacto, em que “ameaçou” os mercados de que iria normalizar a sua política monetária. Mas foi sol de pouca dura!

Assim que o mercado registou uma forte queda no final de 2018, de imediato a FED voltou a reduzir a taxa de juro, fazendo-a regressar a 0% durante o mês de Março, no meio do pânico gerado pelo Covid-19.

Em todas as anteriores recessões, a FED subia as taxas de juro durante a recuperação económica, ou seja, normalizava a sua política monetária, e depois tinha espaço para reduzir as taxas durante o período de contracção económica. Agora, a recessão ainda não se iniciou e já estamos a 0%!

Figura 2

Desde o princípio da década de 80, do século XX, a FED não parou de descer as taxas de juro, alimentando consecutivas bolhas bolsistas, sendo a última a maior da história: nunca por um período tão prolongado tivemos taxas de juro a 0% durante tanto tempo!

Com este tipo de política monetária, temos o segundo factor que explica as circunstâncias especiais que influenciaram o vigor ascendente da bolsa norte-americana durante os últimos 11 anos: as empresas cotadas na bolsa de valores, em particular as de elevada dimensão, decidiram empurrar a cotação no sentido ascendente, através de empréstimos para aquisição de acções próprias – os famosos buy-backs!

Por outras palavras, endividaram-se para adquirir as suas acções na bolsa de valores, colocando uma forte pressão compradora, resultando na sua importante apreciação.

Este tipo de operações também foi responsável pela subida meteórica em bolsa das cotações das acções do grupo FAANG: Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google (Alphabet).

Estas empresas foram, nos últimos anos, as grandes estrelas da bolsa de valores dos EUA.

Desde o início da sua admissão à bolsa, as acções da Facebook valorizaram 490% (actualização efectuada no fecho da sessão de 7 de Abril de 2020). Após a queda do final de 2018, a cotação recuperou a linha de tendência ascendente de longo prazo; ao contrário do sp500, a cotação ainda não recuperou esta tendência e parece existir uma importante resistência em torno dos 200 USD.

No curto prazo, afigura-se difícil que a acção recupere o máximo histórico do presente ano.

Figura 3

Quanto à Apple, esta apresentou uma subida de 2000% aproximadamente desde 2009. Após a correcção do final de 2018, a sua cotação registou uma subida vertiginosa, fruto do programa agressivo de recompra de acções próprias (buy-backs) implementado pela gestão – as vendas medidas em unidades de iphones encontram-se estagnadas há vários anos.

A cotação encontra-se há mais de 11 anos em tendência ascendente, mesmo com as correcções entretanto ocorridas em Fevereiro e Março do presente ano. O mínimo anterior, em torno aos 155 USD, será uma região de suporte da cotação.

A cotação da Amazon está a formar um triângulo ascendente, uma figura que indica a continuação de uma tendência ascendente, caso a cotação rompa os 2040 USD no sentido ascendente.

O negócio da Amazon tem beneficiado com a situação de emergência causada pelo Covid-19, atendendo que todo o seu modelo de negócio é online.

Desde 2009, a sua cotação já subiu mais de 3 350% aproximadamente.

Figura 5

A Netflix é a única deste grupo que entrou numa lateralidade desde o final de 2017, oscilando entre 260 e 370 USD por acção; apesar disto, foi dos valores que sofreu o menor impacto das recentes correcções, atendendo ao facto do seu consumo ter explodido durante a crise sanitária do Covid-19. Desde o princípio de 2009, a sua cotação subiu 7090% aproximadamente!

Figura 6

Por fim, as acções da Google. A cotação encontra-se por debaixo da linha de tendência de longo prazo que se iniciou em finais de 2015. Nos próximos tempos, teremos de verificar se a cotação da acção volta a recuperá-la. A Google valorizou mais de 600% desde o início de 2009.

Figura 7

O que parece claro é que tanto o governo norte-americano como a FED irão utilizar todas as “armas” para manter o mercado “fora da realidade económica”.

Apesar da taxa de desemprego ter disparado para 14% da população activa, apesar de aviões sem voar, apesar de toda a actividade económica parada, apesar de tudo e todos os fundamentais, a verdade é que, ao contrário do que se pensava, as cotações ainda continuam em tendência ascendente e não existem sinais claros que a mesma tenha terminado!

Importa ter sempre presente que tanto o tesouro norte-americano como a FED parecem ser os maiores aliados das bolsas de valores, fornecendo tanto estímulos monetários como orçamentais sem fim! Tudo isto apesar do desastre em que se transformou a realidade económica nos Estados Unidos!

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