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Avaliar Risco e Retorno

No momento actual do mercado, é fundamental recordar a importância de conceitos base como risco e retorno. Vem isto a propósito da subida sustentada que muitos mercados têm mantido ao longo dos últimos 12 meses e em particular desde o inicio do ano. Estas subidas tornaram os títulos em causa ‘’sobre comprados’’.

 

Avaliar risco e retorno

 

Como se pode avaliar esta designação sem conceitos muito técnicos? A forma mais prática é quando os stops que devem ser colocados em todas as posições se situam a uma distância muito grande do último preço. Este facto torna o risco de entrar num eventual titulo maior que o retorno que se espera tirar dele. Esta a razão pela qual se deve ter uma estratégia previamente definida.

Os acontecimentos no Irão e Iraque , devem lembrar aos investidores que um problema nunca vem só e devem lembrar também como é importante manter uma estratégia quando os bancos centrais estimulam os mercados com liquidez. Esta realidade criada pelos bancos centrais é potencialmente geradora de problemas e não só de soluções.

Curiosamente, esta realidade que foi consensual entre políticos e bancos centrais desde 2008 parece agora ter deixado de o ser, face aos alertas recentes feitos pelo Banco Mundial e IIF de que existe excesso de divida e criada com demasiada rapidez como se pode ver nos quadros a seguir, representativos da divida global em 1999 e em 2019.

Existem imagens que valem 1000 palavras e existem quadros que dizem mais que todas as retóricas politicas.

  • Neste momento, as soluções criadas pelos Bancos Centrais passaram a ser o problema de todos porque esta politica tem repercussões no resto do mundo, a começar pelo facto de que estes programas de aumento da liquidez não beneficiam todos por igual. Na realidade, as classes mais baixas e a classe média, são prejudicados porque são os mais afectados pela inflação daí resultante.

Taxas de juro inexistentes e a politica de ”Quantitative Easing” têm sido a chave para a subida actual dos mercados de acções, mas atenção que tem havido muito menos participação.

A ‘’euforia’’ que se vive agora nos mercados é diferente daquela vivida em 2000 e 2007, porque agora a euforia só se reflecte nas cotações e não no publico investidor em geral, a participação deste nos mercados é actualmente muito menor, a liquidez existente é gerada por algoritmos de instituições especializadas e carece de prova de que é verdadeira em situação de stress.

  • No Japão por exemplo, o Banco Central é detentor de 50% da divida emitida pelo Japão e é um dos 10 mais importantes investidores em 1446 empresas cotadas na Bolsa local. O Japão pode e deve servir de guia ao que pode acontecer no Ocidente, porque estas medidas de QE (Quantitative Easing) foram copiadas de lá.

Será que 50% da divida é o limite que o Banco Central pode absorver ou será que pode ir até aos 100%? E ser um dos 10 maiores investidores foi a regra que se impuseram ou pode comprar a totalidade do capital destas empresas? Afinal de contas, um Banco Central não precisa fazer nada de produtivo para criar dinheiro, precisa só de decidir que vai fazer mais dinheiro.

É este detalhe que torna tudo mais difícil agora para quem tem que avaliar risco.

A fazer fé nos últimos anos qualquer crise que possa haver no futuro é provável que os Bancos Centrais imprimam mais dinheiro, com que moral não o fariam? Mas e se não for suficiente?

 

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