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Não é que não vejam soluções, o que não vêm é o problema

Os políticos têm o hábito de privilegiar os mais influentes parceiros económicos: é uma constatação e um facto. Os governos não apoiam as pequenas empresas. Gostam de apoiar as Quimondas e as Autoeuropa, porque rapidamente representam um foco empregador importante com impacto imediato em termos políticos e sociais. O problema coloca-se no momento da saída, quando vem a crise.
No caso da Quimonda, sabemos que tudo foi tentado para salvar os postos de trabalho, mas o problema não foi solucionado, como naturalmente não podia ser quando se apela ao poder politico para resolver problemas de racionalidade económica.
No caso da Autoeuropa, já todos estamos mais ou menos conscientes do que um dia irá acontecer e, nessa altura, para além do desemprego na região, 1% do nosso PIB irá também desaparecer.
Portugal, com outros países, digladia-se para captar as grandes empresas para investirem. Estando-se ou não de acordo podem compreender-se as motivações, mas não se pode ficar surpreendido com os resultados. No fundo é como no futebol; um clube pode procurar construir uma equipa para obter resultados futuros, ou pode comprar um grande jogador para dar alguma alma aos adeptos, assim como a esperança de resultados imediatos.
Neste momento, pergunto-me porque estou tão pessimista em relação aos mercados financeiros, e a resposta invariavelmente está na forma cada vez mais politizada como o mundo assume a economia. Os mercados financeiros mundiais têm sido cada vez mais influenciados pela política, o que parece ser uma tendência Esta alteração política não acontece por acaso, ela é induzida pela alteração económica que se tem verificado.
Por exemplo, apesar dos aparentes resultados é difícil compreender as soluções que têm sido apresentadas para debelar a crise financeira. Talvez porque na realidade ainda não foram apresentadas soluções. Tem-se falado muito de salários de gestores, de maior regulamentação e… está feito o resumo do debate.
Do que não se tem falado é que as instituições grandes demais para falir ficaram ainda maiores. Nos Estados Unidos, como resultado da política seguida para resolver a crise, os anteriores oito grandes bancos existentes em 2007 ficaram transformados em quatro ainda maiores bancos. A crise não foi, por isso, má para estas quatro instituições. O J.P. Morgan tem em depósitos um em cada 10 dólares depositados no sistema. O Banco of America, o Wells Fargo e o Citigroup são responsáveis por um de cada dois créditos à habitação e pela emissão de dois em cada três cartões de crédito nos Estados Unidos.
Se era preocupante a situação anterior por serem ”too big to fail”, a actual é melhor?  E será que ainda existe concorrência nestas condições? Seguindo este modelo os grandes ficaram maiores e os pequenos mais pequenos ainda.
O sistema financeiro ficou agora dividido em dois, e em breve será o sector produtivo que ficará dividido em dois também. As grandes instituições passarão a fazer só os grandes negócios, desprezando os pequenos e passaremos a ter duas economias, uma grande com muito poucos e uma pequena com muitos.
Faria sentido talvez discutir o modelo na sua totalidade. É melhor ter só quatro instituições ou 400?
Parece claro que não são os responsáveis que não vêem soluções, o que não vêem é o problema.

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