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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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Investir na Bolsa: NASDAQ 100 VS Juros

Nos últimos anos, temos assistido a súplicas pungentes por parte de inúmeros políticos e multimilionários, com o propósito de mitigar a crescente desigualdade social.

É sempre estranho observar a classe dirigente, que há anos incrementa o peso do estado e a tributação sobre a economia de forma inexorável, a vociferar contra o capitalismo e a iniciativa privada, pois, este sistema, segundo eles, não pára de incrementar a desigualdade social.

Que soluções propõem? A mesma receita de sempre: mais impostos!

Mas, aparentemente, nunca devemos ficar incomodados com tais anúncios, pois, sistematicamente, as suas propostas são anunciadas sempre no mesmo sentido: tributar os ricos!

Pensamos, eles são mesmo simpáticos connosco, vejam lá, nem desejam incomodar-nos com este sarilho de mais impostos, é lá com os ricos!

Invariavelmente, ricos e poderosos produzem afirmações altissonantes a este respeito:

  • Definitivamente, os mais ricos são pouco taxados em comparação com o resto da população”, afirmava o multimilionário Warren Buffett em Fevereiro de 2019;
  • Não há dúvida de que o que queremos que o governo faça, em termos de melhor educação e melhor saúde, significa que precisamos arrecadar mais impostos”, afirmava Bill Gates em Fevereiro de 2019;
  • A humanidade é mais importante que o nosso dinheiro” – um reboar em qualquer consciência -, afirmava um grupo de multimilionários numa carta aberta aos cidadãos do mundo;
  • Estou cansado de ver as pessoas comuns espoliadas”, afirmava o recém-eleito presidente dos EUA, Joe Biden, no âmbito do seu plano de subir os impostos sobre as empresas para uma taxa de 28%.

É sempre estranho ver os “supostos” prejudicados a pedirem que os tributem. Talvez seja o peso nas consciências que carregam há décadas, em que o banco central norte-americano, a Reserva Federal (FED), com afinco, não cessa de implementar políticas monetárias que estão na origem da crescente distância entre ricos e pobres.

Os primeiros, detentores de activos financeiros, os segundos, com rendimentos fixos – vivem do seu salário e pequenos negócios -, que vêem as suas poupanças obliteradas por políticas de taxa de juro 0% e por uma inflação sistematicamente subestimada pelas estatísticas oficiais.

Como podemos observar na Figura 1, ao longo de 30 anos, investir na bolsa, em particular no índice Nasdaq-100, resultou numa rendibilidade acumulada de 6700%, o equivalente a investir 100 USD no início de 1990 e possuir hoje 6800 USD – de 200 pontos para 13,8 mil pontos!

Figura 1

Qual a razão de tal evolução?

A inexorável descida das taxas de juros, fruto da impressão massiva de dinheiro por parte dos bancos centrais e a respectiva manipulação do preço das obrigações emitidas pelo tesouro norte-americano, tem provocado uma subida do valor dos activos financeiros em bolsa sem precedentes – a verdadeira inflação a favor dos ricos – , em particular das acções do sector tecnológico, tal com explicámos no artigo “Bancos Centrais: A Destruição do Capitalismo”.

Na Figura 1, podemos verificar que a descida da taxa de juro das obrigações do tesouro norte-americano, com maturidade a 10 anos, de 1,12% para 0,5% em Julho de 2020, fruto da compra massiva de obrigações com dinheiro emitido do “ar”, com o aparente propósito de debelar a Crise Covid-19, fizeram disparar o índice Nasdaq 100, tal como um foguetão a caminho da lua, dos 7,8 mil pontos para 13,8 mil pontos, de Março de 2020 para Abril de 2021 – 13 meses.

Para provar que os bancos centrais são os únicos responsáveis por tal concentração de riqueza, atentemos à capitalização bolsista das empresas que compõem o índice Nasdaq 100. Somente a empresa Apple, que agora apresenta uma capitalização bolsista de 2,3 biliões de USD aproximadamente, representa 13,5% da capitalização bolsista de todas as empresas que constituem o índice Nasdaq 100.

O resultado líquido da empresa em 2020, de 57,4 mil milhões de USD, foi inferior ao resultado líquido de 2018, de 59,5 mil milhões de USD, no entanto, nos últimos anos, o preço da acções da Apple apenas tem um sentido nas bolsas norte-americanas: a subida!

Figura 2

Nunca na história dos mercados o valor da capitalização bolsista agregada das empresas norte-americanas cotadas foi tão expressivo em relação ao PIB norte-americano. À data em que escrevo o presente artigo, as empresas que constituem o índice Nasdaq 100 apresentam uma capitalização bolsista agregada de 16,7 biliões de USD, correspondente a 80% do PIB norte-americano!

Nunca tal concentração tinha ocorrido, nunca a capitalização bolsista foi tão expressiva em relação ao PIB norte-americano.

Quem são os proprietários destas acções?

Obviamente os ricos: os que imploram à classe política que os tributem sem complacência e, ao mesmo tempo, por detrás, esperam que essas mesmas autoridades, neste caso os bancos centrais, inflacionem o valor dos seus activos em bolsa.

Enquanto a economia real se afunda, com lojas, ginásios, cabeleireiros e outros pequenos negócios a fechar portas e a despedir um exército de pessoas, as empresas cotadas nas bolsas norte-americanas apresentam rendibilidades que envergonham as taxas de juro de um depósito a prazo num banco: 0,10% ou 0,05%. Senão vejamos.

Tal como podemos observar na Figura 3, desde o início de 2020, até à sessão do dia 19 de Abril, as 10 melhores empresas do Nasdaq 100 apresentaram subidas superiores a 27%, com destaque para a empresa farmacêutica Moderna, responsável por uma das vacinas Covid-19, que subiu 55% em menos de 4 meses!

Para os accionistas desta empresa, a presente crise foi um autêntico El Dorado.

Figura 3

A situação ainda se torna mais surpreendente se tivermos em conta apenas o último ano (19 de Abril de 2020 a 19 de Abril de 2021).

A Tesla, no topo dos 10 melhores desempenhos, registou uma subida próxima de 400%!

Figura 4

Se observarmos a Figura 5, podemos constatar que as acções da Moderna, desde o final de 2019, registaram uma subida de 729% – a crise Covid-19 está a ser manancial de valorizações em bolsa.

Já nada espanta o porquê dos multimilionários pedirem mais impostos; talvez seja a sua consciência a ditar que os ganhos obtidos a partir da máquina de imprimir notas da FED são tão obscenos, que talvez fique bem na sua consciência e opinião pública afirmarem: tributem-me por favor, quero pagar mais impostos!

Figura 5

O mesmo se aplica às acções da Tesla (ver Figura 6): desde o final de 2019, subiram 730% até à sessão de 19 de Abril de 2021, apesar da correcção recentemente ocorrida, a tendência ascendente mantém-se intacta. A capitalização bolsista da Tesla é agora de 685 mil milhões de USD.

Para termos um termo de comparação, basta-nos mencionar que a capitalização bolsista da Toyota é de 176 mil milhões de Euros, da Daimler (Mercedes) é de 70 mil milhões de Euros e da BMW é de 56 mil milhões de Euros, que apresentam vendas de carros incomparavelmente superiores às da Tesla.

Por aqui, podemos ter uma ideia da bonança que a Crise Covid-19 provocou na cotação de algumas empresas tecnológicas, como é o caso da Tesla.

Figura 6

Para a próxima rodada de impressão massiva de dinheiro, argumentos não irão faltar: agora, foi uma pandemia, da próxima vez, será uma emergência climática.

A técnica é sempre a mesma, o resultado é sempre o mesmo: gerar enormes diferenças sociais – uns na miséria, sem emprego e dependentes de esmolas estatais, outros com as suas acções valorizadas à estratosfera e a pedir que os tributem para aliviar a consciência.

Os que ficam na miséria irão sempre pensar que os bancos centrais estão aqui para os ajudar, dada a propaganda oficial: estimular a economia e manter o pleno emprego.

Na realidade estão a empurrar as cotações para um único sentido: a subida e o enriquecimento dos mais favorecidos.

Estimado leitor, vai deixar o seu dinheiro no banco a desvalorizar-se ou preferirá participar da festa na bolsa de valores, juntamente com os multimilionários que apelam a mais impostos?

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