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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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Investir na Bolsa: A Exuberância em 2020 e o Desastre PSI-20

Um dos debates mais pungentes em Portugal, resulta da discussão sobre os benefícios para a sociedade das bolsas de valores, em particular, e dos mercados de capitais, em geral.

Muitos detractores invocam os malefícios da especulação e da ganância desenfreada para reclamar o confisco fiscal e obrigar uma carga regulatória sem freio sobre as empresas cotadas em bolsa, através dos invariáveis apelos: necessitamos de mais polícias e fiscalização; necessitamos de “partir os dentes” à especulação.

A realidade dos números desmente totalmente esta visão.

Os países com mercados de capitais de maior dimensão proporcionam um rendimento per capita e de vida aos seus cidadãos muito superior aos demais.

Se realizarmos uma comparação do rendimento per capita de 7 países, incluindo Portugal (ver Figura 1), podemos observar que o PIB per capita de Portugal representa apenas 35% aproximadamente do rendimento per capita dos EUA e 42% no caso da Holanda – aquele país que sofre todos os dias vitupérios, dos quais destaco o “paraíso dos Offshores” e “o inimigo dos mendigos da Europa do Sul”.

Figura 1

No final de 2019, o PIB norte-americano era de 19,1 biliões de Euros (10^12), enquanto as acções representativas do capital de empresas cotadas em bolsas norte-americanas, segundo a agência noticiosa Reuters, apresentavam uma capitalização bolsista de 32,2 biliões de Euros (Final da sessão de 7 de Setembro 2020); por conseguinte, o rácio capitalização bolsista vs. PIB era de 170% aproximadamente nos EUA.

Em Portugal esse rácio era de apenas 27,3%, ultrapassando apenas a ultra-endividada Grécia, com um rácio de apenas 19,3%. Ou seja, à miséria económica corresponde a miséria bolsista e vice-versa.

Esta realidade tem a ver com o número de empresas cotadas em bolsa e com a evolução das cotações; o PSI 20, o principal índice bolsista de Portugal – na realidade apenas 18 empresas, em que a Pharol é apenas uma holding detentora de participações, sem qualquer negócio visível–registou um máximo histórico no distante ano 2000.

Por outro lado, a sua evolução é um plano inclinado a caminho do abismo. Em 2020, perde 18% aproximadamente (15-09-2020 vs. 31-12-19), enquanto o índice Nasdaq-100, um dos principais índices tecnológicos norte-americanos, sobe mais de 30%.

Por outro lado, Portugal, a par com a Espanha, apresenta um número reduzido de empresas cotadas em bolsa, tanto em valores absolutos como per capita, tal como podemos observar na Figura 2.

Nesta figura podemos constatar que o mercado bolsista norte-americano vale 32 biliões de Euros e estão admitidas à cotação mais de 9,5 milhares de empresas.

Figura 2

Actualmente, o mercado bolsista norte-americano apresenta uma capitalização bolsista sem paralelo, nunca se tinham atingido tais valores, muito acima dos 150% do PIB, indicando uma bolha de dimensões bíblicas.

Apesar de tudo, continua a ser o mercado das verdadeiras oportunidades, com subidas no presente ano que obnubilam qualquer um.

Temos empresas que entre o final de 2019 e o fecho da sessão do último dia 8 de Setembro subiram mais de 2000%, como é o caso da Vaxart, uma empresa do sector farmacêutico.

Figura 3

A empresa Nautilus, uma empresa que desenvolve, fabrica e fornece acessórios de musculação e cardiovasculares para o consumidor final, principalmente nos Estados Unidos e Canadá, subiu mais de 750%.

Como podemos ver na Figura 4, a empresa está numa tendência ascendente desde meados de Março do presente ano e longe da linha de tendência, que constitui um suporte importante.

Figura 4

Em relação à Alemanha, no presente ano, algumas empresas subiram mais de 9000%, tal como podemos constatar na Figura 5.

Figura 5

Na Figura 6, podemos observar as empresas com maiores subidas que estão admitidas à cotação nas bolsas holandesas.

Importa destacar a empresa Alfen, que se dedica à projecção, desenvolvimento e produção de equipamentos paras as redes eléctricas; a subida da sua cotação em bolsa no presente ano foi superior a 200%.

Figura 6

Esta empresa encontra-se a cotar muito acima da linha de tendência ascendente, que se verifica desde meados de Março do presente ano, ocorrendo uma correcção nas últimas semanas, tal como podemos observar na Figura 7.

Figura 7

Em relação às empresas cotadas em Itália, no presente ano, as subidas não são tão exuberantes, quando as comparamos com outros países.

Apesar de tudo, ocorreram subidas superiores a 100%, tal como podemos observar na Figura 8.

Figura 8

No que respeita ao nosso vizinho, Espanha, a empresa Deoleo subiu mais de 1000%, enquanto a Pharma Mar, uma empresa do sector farmacêutico, subiu 133%, beneficiando do confinamento e da presente crise Covid-19 (ver Figura 8), que tem beneficiado este sector de sobremaneira.

Figura 9

No caso da Pharma Mar, a sua cotação apresenta uma tendência ascendente desde meados de Março do presente ano (ver Figura 10); no entanto, no final de Julho perdeu esta linha de tendência, realizando uma bandeira, uma figura de continuação de tendência, para rompê-la posteriormente.

Se a linha de tendência ascendente é novamente rompida, poderá consolidar-se, uma vez mais, a tendência ascendente.

Figura 10

Em relação a Portugal, na comparação directa com outros mercados, a situação é deprimente, atendendo que as maiores subidas são pouco expressivas; importa, no entanto, destacar a EDP Renováveis, que subiu 35%.

Neste grupo aparecem clubes de futebol, bem revelador do desastre em que se tornou o mercado de capitais em Portugal (ver Figura 11).

Figura 11

Em relação à empresa EDP Renováveis, esta encontra-se numa tendência ascendente, muito clara há vários meses, tal como podemos constatar na Figura 12.

Figura 12

Em conclusão, a bolsa portuguesa é um perfeito desastre, com poucos atractivos para os investidores nacionais, algo que não acontece para os países em que o mercado de capitais tem uma expressão relevante na economia.

Na verdade, por este caminho, a única estratégia que resta para a bolsa nacional consiste na tomada de posições curtas.

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