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Investir Em Bolsa E A Iminente Falência Dos Estados

  • Investir Em Bolsa E A Iminente Falência Dos Estados

Este ano foi especial: 2020 será um ano que ficará vivo na nossa memória para sempre.

Até ao momento, os activos refúgio e as empresas de determinados sectores de actividade – tecnológicas, distribuição online de bens essenciais, energias renováveis, empresas de exploração mineira…– são os investimentos mais interessantes do ano.

O maior destaque vai para o Bitcoin, que entre o final de 2019 e a sessão do último 5 de Novembro, subiu mais de 115%, tal como podemos observar na Figura 1.

Figura 1

Investir Em Bolsa E A Iminente Falência Dos Estados

A Prata, o índice tecnológico norte-americano Nasdaq 100 e o Ouro subiram 43%, 38% e 28%, respectivamente – a avaliação de desempenho destes activos é efectuada na divisa norte-americana, o USD.

Pelo lado negativo, o Petróleo caiu 38%, chegando a registar cotações negativas no presente ano, algo que nunca ocorreu até então – num mundo controlado por bancos centrais, tudo é possível, até pagar para se vender!

Os principais índices bolsistas espanhol (IBEX 35), português (PSI 20), francês (CAC 40) e italiano (MIB 40) registaram quedas acentuadas, -27%, -21%, -17% e -16%, respectivamente, devendo-se, sobretudo, à forte presença de bancos comerciais na constituição destes índices bolsistas, tal como explicámos em anterior artigo.

No caso do índice britânico FTSE 100, a queda de 22% resulta da incerteza em torno da saída do Reino Unido da União Europeia – até ao momento ainda não existe um acordo.

Perante as brutais subidas de alguns activos financeiros, a seguinte pergunta é obrigatória: qual a razão ou razões por detrás das mesmas?

Num ano em que o desemprego está a disparar, se anuncia uma recessão de dimensões bíblicas em toda a Europa, onde milhares de pequenas empresas estão em risco de encerrar as portas nos próximos meses, em adição às que já fecharam recentemente, em que as contas públicas estão pintadas de vermelho – dívidas públicas colossais e défices orçamentais sem fim -, como é possível a existência de subidas meteóricas de determinados activos financeiros?

Há umas décadas atrás, antes de investir em bolsa, era possível explicar os movimentos dos preços de distintos activos financeiros através da análise dos fundamentais – ou seja, compreender as razões que afectavam a procura e oferta por um determinado activo.

No caso das acções de empresas, podíamos apoiar-nos em vários aspectos para realizar uma análise de valor, entre outros, tais como:

  • qualidade da gestão
  • liderança tecnológica
  • expansão para outros mercados
  • incremento de margens de exploração
  • previsão de receitas
  • menores custos de exploração
  • fluxos de caixa gerados pela empresa…

No caso das matérias-primas, importava analisar os factores por detrás da procura e oferta.

A título de exemplo, no caso da procura, a expansão económica de várias regiões do globo implicava uma enorme pressão compradora sobre o Petróleo, dada a dependência da economia mundial em relação aos combustíveis fósseis.

No caso da oferta, a título de exemplo, podemos mencionar a crise petrolífera de 1973, quando os membros da Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OPAEP) proclamaram um embargo petrolífero, que condicionou a oferta de Petróleo; em consequência, os preços dispararam.

E, por fim, no caso das moedas, bastava analisar as políticas públicas e monetárias de um dado país.

Os países com excedentes comerciais, gastos públicos controlados, superavits orçamentais e políticas monetárias tendentes a controlar a inflação, tinham, por regra, uma moeda forte, isto é, que se apreciava no mercado de Forex, protegendo, dessa forma, as poupanças denominadas nessa moeda.

Este era o caso do Japão ou da Alemanha.

Todo este mundo desabou nos últimos anos: os fundamentais deixaram de ter qualquer relevância. Apenas passou a importar se os principais bancos centrais do mundo podem ou não dar a dose de “cocaína” que os mercados de capitais tanto necessitam.

Tal como um toxicodependente, os mercados financeiros exigem agora doses crescentes de estímulos monetários, caso contrário, ficam “zangados” e ocorrem rupturas, tal como aconteceu na crise de 2008 ou no final de 2018, quando a Reserva Federal norte-americana “ameaçou” reduzir o seu balanço e subir taxas de juro.

A prova de que estamos a viver a maior bolha financeira da história, resulta da dimensão dos recentes estímulos monetários – algo sem precedentes, e na ordem dos biliões de Euros!

Agora, os bancos centrais expandem o seu balanço em vários biliões (12 zeros!) de Euros (EUR), Dólares norte-americanos (USD), Libras Esterlinas (GBP) ou Ienes (JPY).

A população não se apercebe da inflação, atendendo que esta massa monetária é essencialmente canalizada para os mercados de capitais, para o mercado imobiliário, para os passes de jogadores ou, por exemplo, para a compra em leilão de carros antigos – veja-se o que aconteceu aos preços do imobiliário em muitas cidades do mundo.

O ainda presidente dos EUA afirmava há semanas que a eleição do candidato rival significaria um crash bolsista, atendendo à sua anunciada subida de impostos – já conhecemos o efectivo propósito da mesma.

No entanto, no momento em que escrevo, onde parece clara a sua derrota, a bolsa norte-americana não tem parado de subir, dando um sinal claro que as políticas públicas são absolutamente irrelevantes para os mercados – o tamanho da dose de metadona é a única coisa que agora importa. O mercado aguarda por mais estímulos, quem lá está pouco importa!

Na semana da eleição, onde já era provável este desfecho, o índice S&P 500, entre a sessão do dia 2 e dia 5 de Novembro, subiu mais de 7%, uma das maiores subidas semanais de 2020.

A economia ocidental, em particular a economia norte-americana, é, há muitas décadas, uma gigantesca montanha de dívida; um esquema em pirâmide que não cessa de crescer exponencialmente.

Na Figura 2, podemos observar que a dívida norte-americana subiu mais de 7.000% em 51 anos, aproximadamente 8,8% ao ano.

Em cada ciclo de dois mandatos, cada administração realiza um verdadeiro feito, duplica o valor da dívida pública da antecedente administração:

  • (i) no final de 2000, a dívida pública era de 5,7 biliões de USD; no final de 2008, era 10 biliões de USD;
  • (ii) no final de 2016 era de 20 biliões de USD;
  • (iii) actualmente, encontramo-nos em 27 biliões de USD, e o ano ainda não terminou!

Figura 2

Desde o final do regime monetário de Bretton Woods, estabelecido no final da segunda guerra mundial e que terminou em Agosto de 1971, que o dólar norte-americano deixou de ser convertível em Ouro.

Com o fim deste regime monetário, estava aberto o caminho para a inflação sem limites. Um megabanco central, como é a Reserva Federal dos Estados Unidos, passou a poder imprimir moeda sem qualquer refreio: como resultado, desde 1970, o dólar norte-americano depreciou-se 98% em relação ao metal dourado; de 27,77 onças de Ouro por 1000 USD em 1979, para apenas 0,59 onças de Ouro por 1000 USD no início do presente ano!

Esta situação não é extraordinária, apenas se encontra completamente descontrolada; apesar de tudo, sempre foi assim: as guerras e os bancos centrais foram as armas utilizadas pelos governos para confiscar as populações.

Hoje, a compra de votos com dinheiro que não se tem é o “Novo Normal”. Basta criar uma prestação social para garantir milhões de votos.

Na guerra civil norte-americana, entre 1861 e 1865, a dívida pública passou de 100 milhões para 2800 milhões de USD.

No início do século XX, com a constituição em 1913 da Reserva Federal, o banco central norte-americano, e o envolvimento dos Estados Unidos na primeira guerra mundial (1914-1928), a dívida pública voltou a explodir: de 3 mil milhões de USD para 28 mil milhões de USD, tal como podemos observar na Figura 3.

Figura 3

Como podemos constatar na Figura 4, a segunda guerra mundial também fez disparar a dívida pública norte-americana; no entanto, entre 1955 e 1970, apesar do envolvimento dos Estados Unidos na guerra do Vietname, a ancoragem do USD ao Ouro impediu a subida da dívida pública. A razão que forçou os EUA a abandonar a convertibilidade da sua moeda em Ouro – este sistema impedia a falsificação do dinheiro.

Figura 4

Este desastre está agora a aproximar-se do fim.

A maioria dos estados encontra-se falida, apenas lhe restando a fuga para a frente: os bancos centrais são os únicos compradores da sua dívida; são aqueles que lhes asseguram taxas de juro próximas do 0%, ou mesmo negativas; em lugar de pagarem, recebem juros. Esta é a nova realidade!

A criação de enormes bancos centrais, como foi o caso do Banco Central Europeu (BCE), origina, na maior parte dos casos, o inexorável descontrolo da dívida pública.

Em Portugal, tal como podemos observar na Figura 5, em 21 anos, e desde a criação do Euro, a dívida pública subiu 303%, enquanto o PIB, a nossa carteira, subiu apenas 65%.

Esta situação é semelhante a uma família que há 21 anos tinha um rendimento de 100 euros e uma dívida de 55 euros; hoje tem um rendimento de 165 Euros e uma dívida de 221 euros, representando 131% do seu rendimento. Alguns dizem que estamos melhor, que somos mais ricos!

Figura 5

Na Grécia, a ruína é completa. Em 21 anos, o seu rendimento cresceu apenas 18% (ver Figura 6), enquanto a sua dívida pública 150%! Esta última irá representar no final do presente ano 207% do PIB!

Seguramente, nos próximos meses, algum elemento da União Europeia irá a uma conferência de imprensa anunciar que tudo está bem com a economia grega!

Figura 6

Em Itália, um dos países mais afectados pela famigerada “pandemia”, a situação é igualmente preocupante. Em 21 anos, o rendimento dos italianos subiu 39%, enquanto a dívida pública subiu 89%, representando, no final do presente ano, 154% do PIB – é agora uma Grécia em grande escala!

Figura 7

Na nossa vizinha Espanha, nos últimos anos, o descontrolo da sua dívida pública tornou-se igualmente uma realidade.

Em 21 anos, a sua dívida pública subiu 265%, enquanto o PIB apenas 84%. A dívida pública passará a representar 120% do PIB no final de 2020, quando no final de 2019 se situava em torno a 100%.

Figura 8

Perante esta realidade, de falência iminente, torna-se evidente a inevitabilidade de medidas radicais, em particular o confisco da população, podendo passar por:

  • Eliminar a possibilidade de utilizar notas e moedas pela população, por forma a obrigá-la a ter as suas poupanças integralmente no sistema bancário, isto é, tudo deverá passar por um depósito, que será confiscado com taxas de juro negativas – para além das comissões, passaremos a pagar juros por qualquer depósito junto de uma instituição bancária;
  • Incrementar a pressão sobre as criptomoedas, utilizando como argumento a luta contra o branqueamento de capitais, evitando, desta forma, que as poupanças sejam canalizadas para este tipo de activos; caso contrário, os estados não poderão tributar as mais-valias que resultam da compra e venda destes activos;
  • Incrementar a pressão sobre os metais preciosos, através da implementação de controlos sobre os cofres existentes nos bancos. Mais tarde ou mais cedo, qualquer particular será obrigado a declarar o que possui nesses cofres; num momento de aflição, iremos ser impedidos de aceder aos mesmos, caso contrário, também poderá ser lançado um imposto sobre o valor ou mais-valias obtidas;
  • Implementação de taxas de juro negativas, visando retirar pressão sobre o serviço de juros da dívida pública, através da emissão massiva de moeda por contrapartida da aquisição de obrigações emitidas pelos estados. Esta inflação irá arruinar a população que não possua activos reais – metais preciosos, imobiliário ou acções de empresas importantes.

A presente crise é apenas uma antecâmara do que se avizinha:

  • Obrigamo-los a usar uma máscara, retirando-lhes a individualidade, não há reacção;
  • Fechamo-los em casa, não há reacção;
  • Levamos à ruína e à miséria pequenos negócios, não há reacção;
  • Obrigamo-los a testes compulsivos, mesmo ao arrepio das constituições, não há reacção.

Se não há reacção, passemos à próxima etapa:

  • Destruir o valor da moeda através da inflação;
  • Confiscar a totalidade do património das pessoas, independentemente do activo detido;
  • Monitorizar em tempo real qualquer movimento financeiro….

Nada poderá escapar à voracidade do estado, com o propósito de o resgatar do caminho para o abismo.

Isto só pode piorar.

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