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Euro: Um Projecto Falhado?

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Há dias, a imprensa anunciava aos portugueses um autêntico paradoxo (notícia), talvez para motejar de todos nós: afinal, a crise Covid-19 não tinha afectado tanto a economia como inicialmente se pensava; vejam lá: a receita de IRS tinha acabado de registar um máximo histórico em 2020, demonstrando, dessa forma, a resiliência da economia portuguesa!

Nunca o estado português tinha obtido tanta receita a título de IRS, dizia a imprensa encomiadora! O estranho de tudo? A propagação desta notícia sem qualquer contraditório.

A pessoa pergunta-se: se o desemprego e as falências dispararam, como tal foi possível?

É mais simples do que possa parecer. É apenas uma ilusão, do género: tiro de um bolso e coloco no outro.

Para melhor ilustrá-lo, vamos utilizar um exemplo, apenas com taxas de IRS e de Segurança Social próximas da realidade.

Estimado leitor, vamos imaginar que a nossa economia possuía apenas três pessoas empregadas: duas no sector privado e uma no sector público.

Cada pessoa tem os seguintes salários brutos mensais e taxas de IRS e Segurança Social:

  • Privado 1: 1 000 Euros; Taxa de IRS: 15%; Segurança Social do trabalhador (SS): 11%; Segurança Social da entidade empregadora (SS EE): 23,75%;
  • Privado 2: 1 000 Euros; Taxa de IRS: 15%; Segurança Social do trabalhador (SS): 11%; Segurança Social da entidade empregadora (SS EE): 23,75%;
  • Funcionário: 1 500 Euros; Taxa de IRS: 20%; Segurança Social do trabalhador (SS): 11%; Segurança Social da entidade empregadora (SS EE): 23,75%.

Figura 1

De repente, aparece uma “pandemia”, onde o estado obriga os negócios privados a cometer um autêntico suicídio, decreta o seu encerramento: desta forma, no nosso exemplo, desaparece da economia uma pessoa empregada no sector privado – o pobre, infelizmente, abriu falência!

Em paralelo, pelo esforço exemplar do funcionário, em virtude do seu enorme contributo para um sistema de saúde que está em ruptura desde sempre, imune a qualquer crise ou despedimento, o estado decide atribuir-lhe um enorme aumento salarial: em lugar de 1 500 Euros brutos, passa a receber 2 500 Euros brutos.

Apenas um senão: a sua taxa de IRS passa de 20% para 30%. Também tem de contribuir para o esforço colectivo: sairemos juntos de tudo isto!

Vamos agora analisar a nova situação, tal como consta na Figura 2.

A massa salarial da economia manteve-se igual, pois continua a ser 3 500 Euros; no entanto, o sector público é agora responsável por 70% desta massa salarial, em lugar de apenas 40% da situação anterior.

Figura 2

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Com esta nova situação, o estado poderá anunciar, com pompa e circunstância, que a Receita de IRS subiu 50%: de 600 Euros para 900 Euros – um sucesso sem paralelo, apesar da gigantesca recessão económica, com 50% do emprego do sector privado destruído!

Com este anúncio, poder-se-á disfarçar o seguinte: o buraco orçamental passou de -40 Euros para -978 Euros; um autêntico truque de prestidigitação, do tipo “onde está a bolinha”.

Para tapar o dito buraco orçamental, o estado poderá recorrer a três vias:

  • a uma maior carga fiscal sobre os privados; na situação actual do sector privado, o “jerico” da nossa história – a carga é cada vez mais pesada – , é provável que arreie de vez;
  • emitir dívida pública, através da captação de poupança privada; na presente situação, também será impossível. Muitos já nem conseguem colocar comida na mesa, quanto mais adquirir títulos de aforro remunerados a uns fantásticos 0,1% ao ano;
  • emitir dívida pública e vendê-la indirectamente ao Banco Central Europeu (BCE) – presentemente, o único comprador; este, de forma mágica, emite dinheiro do “ar” e adquire a nossa mais importante exportação pública: obrigações do tesouro, para todos os prazos, montantes e gostos.

Esta é a actual situação que vivemos: resultou da nossa adesão ao Euro no final do anterior milénio.

Agora, de mão estendida, suplicamos uma esmola ao BCE, com um único propósito: pagar as contas da casta que vive à mesa do orçamento de estado. Por essa razão, a consciência não lhes pesa, quando os seus concidadãos sofrem a miséria e a fome, impossibilitados de exercer o seu ganha-pão. Para eles, as contas estão sempre pagas.

Por essa razão, o escol do país irá implementar qualquer instrução do actual Dono Disto Tudo (DDT), que agora não vive em Cascais, mas em Frankfurt. Quando está aflito, viaja a Bruxelas para falar com os seus emissários; às vezes, verdade seja dita, também tem a honra de receber a visita do seu principal emissário: a grande líder, eleita em lista única, ao melhor estilo de um adaíl dos trópicos.

Como era a situação da economia portuguesa anterior à adesão ao Euro?

Como podemos observar na Figura 3, em 1980, Portugal era o segundo país mais pobre de um grupo de 13 países, todos actualmente membros da Zona Euro. Atrás de nós, apenas a Grécia. Em 1999, passámos a ser os mais pobres deste grupo.

Figura 3

Apesar de tudo, a economia portuguesa convergiu com estes países, pois a taxa de crescimento nominal anual durante este período foi muito superior à dos demais países.

Ou seja, estávamos efectivamente a melhorar a nossa posição relativa, tal como podemos constatar na Figura 4.

Nem o “Tigre Irlandês” logrou crescer a um ritmo superior, apenas a Grécia superou-nos, a razão de nos ter ultrapassado, em termos de PIB per capita a preços correntes, durante o período 80-99.

Figura 4

Entre outros critérios, a então adesão ao Euro obrigava os países a possuir um rácio de dívida pública vs. PIB inferior a 60%.

Na altura, cumpríamos com folga este critério; pasme-se, países muito mais ricos, como a Holanda, Alemanha e França, apresentavam uma situação pior que a portuguesa.

Figura 5

No final de 1999, entre os 18 países que actualmente constituem a Zona Euro, Portugal era o sexto mais pobre da Zona Euro. Atrás, encontravam-se apenas 5 países; na sua maioria do Leste europeu, que tinham vivido décadas de obscurantismo económico.

Figura 6

Fiscalmente, qual era a nossa posição em 1999?

Se analisarmos a relação Rendimento per Capita vs Receita do Estado per capita, permite-nos ver a proporção que o estado apropria em função do nosso rendimento. Países mais ricos, como é natural, conseguem captar uma maior proporção do rendimento da população para os cofres do estado.

Em 1999, 6 países eram mais competitivos que Portugal; nomeadamente: Irlanda, Espanha, Chipre, Malta, Lituânia e Letónia (ver Figura 7 – foi excluído o Luxemburgo).

Na altura, a Holanda, apesar de ser o segundo país mais rico da actual Zona Euro, atrás do Luxemburgo, não tinha uma posição fiscal superior à portuguesa.

Figura 7

Como correu desde então?

A nossa convergência é um fracasso absoluto: entre 99-20, o nosso crescimento foi medíocre; países como a Bélgica, Áustria, Holanda, Finlândia, Luxemburgo e Irlanda, muito mais ricos do que Portugal no final de 1999, cresceram a um ritmo muito superior.

Figura 8

A competitividade fiscal também se deteriorou consideravelmente, em lugar de 6 países, passámos a ter 7 países mais competitivos, com uma agravante: em lugar de apenas 3 países mais competitivos e ricos, temos agora 5, nomeadamente: Eslovénia, Espanha, Malta, Holanda e Irlanda, tal como podemos constatar na Figura 9.

Figura 9

O nosso mercado de capitais, a par com o grego, teve o pior desempenho dos países da Zona Euro, apenas aqueles com índices bolsistas minimamente relevantes.

Entre o final de 1999 e o final de 2020, o índice PSI 20 perdeu 60% (ver Figura 10), de 11 961 pontos, para apenas 4 898 pontos; definitivamente, investir na bolsa portuguesa foi um absoluto desastre para as poupanças desde a nossa nossa adesão ao Euro.

Em sentido contrário, o principal índice alemão, o DAX 30, dobrou de valor para o período 99-00: de 6958 para 13 719 pontos.

Figura 10

O percurso da nossa bolsa de valores, no sentido descendente há 20 anos, foi semelhante aos nossos companheiros na desgraça: Grécia, Itália e Espanha; precisamente, os países que mais se endividaram desde a adesão ao Euro.

Quase sempre, a bolsa de valores acaba por reflectir os erros de política económica de um dado país.

A adesão ao Euro, permitiu uma ilusão durante mais de duas décadas: dinheiro “grátis” para todos – estádios sem espectadores, auto- estradas sem carros, aeroportos sem passageiros e aviões, remição de transportadoras aéreas na completa falência, com ordenados e regalias sem paralelo, subsídios para uma massa enorme da população, para garantir o seu voto; uma festa sem fim!

No final de 2020 (ver Figura 11), em termos de endividamento público, passámos da posição 11 em 1999, para o terceiro país mais endividado da Zona Euro: à nossa frente na corrida para o abismo, apenas a Itália e a Grécia.

Este último, terminou 2020 com uma dívida pública em 205% do PIB; já dizia um anterior primeiro-ministro: “isto não é para pagar”. Os gregos seguem-no à letra.

Figura 11

Na verdade, estamos há mais de 20 anos a ser intoxicados com propaganda, em que sempre nos anunciam o dilúvio ao virar da esquina. Caso alguém se atreva a desviar-se da narrativa de sucesso, lá aparece a ameaça: se sairmos do Euro, deixaremos de existir, será a completa ruína – já não estamos mesmo?

Ora, é o BCE que está a perpetuar o presente regime. Sem a impressora do BCE, de imediato, deixaria de existir liquidez para pagar os salários de funcionários, burocratas, pensionistas, correligionários e amigos.

Apesar de terem entrado vários milhares de milhões de Euros em fundos da União Europeia, apesar do estado português ter incrementado a sua dívida pública em mais de 205 mil milhões de Euros para o período de 1999 a 2020 – 20 500 Euros por português, 82 mil Euros para um agregado familiar de quatro pessoas -, apesar do estado português ter subido a percentagem das suas receitas na economia em dois pontos percentuais em 20 anos, diminuindo a competitividade fiscal, estamos tal como um mendigo; excepto para os próximos da fonte inesgotável de notas do BCE.

De mão estendida, mas com o escol a rir-se a bandeiras despregadas da nossa ignorância – aceitará todas as estratégias para nos tornar totalmente dependentes da impressora do BCE, sempre que os seus privilégios se mantenham.

A presente crise é um sinal evidente de tal tendência, em que o BCE irá controlar totalmente a soberania de vários estados. Estes, em troca do dinheiro que escorre da sua fonte inesgotável de imprimir notas do “ar”, irão implementar todas as leis e medidas que o DDT lhes solicite; se necessário, aplicando todas as facetas do activismo do medo, recorrendo a patranhas sem fim.

Um grande português, falecido há anos, em meados da primeira década do século XXI, já nos alertava para a propagação da mentira como arma de domínio da plebe; muito fácil de implementar, quando se trata de um povo sem qualquer literacia financeira.

Precisamente o que acontece há 20 anos sem cessar, mas agora sem qualquer rebuço: em nome de um teste sem qualquer fiabilidade, tal como demonstrado há meses pelo Tribunal da Relação de Lisboa, lográmos incrementar desmedidamente o número de óbitos, bastando, para tal, incrementar desmesuradamente o número de testes.

Como podemos observar na Figura 12, no início de 2021, tanto a Dinamarca como a Noruega, países vizinhos da Suécia, registaram um maior número de óbitos Covid. Portugal foi o terceiro da lista.

Figura 12

Há uns meses, a Suécia era o inferno de Dante; no entanto, depois de os termos superado, no sentido negativo, em todos os indicadores – mortalidade global e óbitos Covid por milhão de habitantes –, em lugar da campanha do inferno, iniciou-se a seguinte: “não podemos comparar, são realidade distintas…devemos utilizar exclusivamente os países escandinavos como termo de comparação…”; pois aqui temos a comparação!

Como é possível alguém anunciar o sucesso das medidas, quando o pico da mortalidade coincide com as mesmas? Não nos causa qualquer surpresa a existência de tantos “especialistas” que confirmam sistematicamente o azorrague sobre a população, com base em “ciência Voodoo”?

A nenhuma destas luminárias se lhe ocorre que as baixas temperaturas do início do ano, seguida de uma forte subida, é a principal explicação para tal evolução; tal como podemos observar na Figura 13?

Figura 13

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A propaganda atinge o ápice todas as semanas: isto só irá melhorar quando todos formos vacinados; assim o dizem.

Estranho, muito estranho: o país mais vacinado do mundo, apresenta uma mortalidade superior à dos seus vizinhos; piorando precisamente no período em que 50% da população foi vacinada, como podemos observar na Figura 14.

É realmente surpreendente, tudo o que se está a passar!

Figura 14

Em conclusão, os países mais endividados e dependentes do BCE serão os que irão implementar todas as medidas da narrativa; objectivo final?

Destruir por completo a economia, fazer explodir os défices públicos para, desta forma, o BCE poder expandir significativamente o seu balanço, adquirindo todas as obrigações que os estados são obrigados a emitir para pagar as contas da sua clientela.

Por mais que o escol nos diga que o Euro foi um sucesso, a realidade desmente-o todos os dias.

Na realidade, trata-se de um dos maiores desastres da história económica de um país com quase 900 anos; já começa a ser hora de realizarmos um balanço.

Isto só pode piorar!

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