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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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Covid-19: O Desastre Final da Economia Portuguesa e do PSI20

A adesão de Portugal ao Euro já tem mais de 20 anos. É hora de realizar um balanço, tendo em conta a crise do Covid-19.

Ao contrário do propagado pelos próceres do actual regime, se aquilatarmos com seriedade a nossa participação no projecto Euro, podemos concluir que se trata de um absoluto desastre. A crise do Covid-19 apenas veio acelerar a nossa queda para o precipício.

Os factos são avassaladores e estão à nossa frente:

  • Estamos a empobrecer em termos relativos, perdendo continuamente posições na ordenação da riqueza per capita dos vários países do espaço económico que integramos;
  • Portugal é superado em crescimento económico por países que possuíam há mais de 20 anos uma riqueza per capita superior;
  • Apesar da crescente apropriação de recursos por parte do estado, com o argumento da redistribuição de riqueza e combate à pobreza, o endividamento é galopante e as desigualdades na distribuição do rendimento são gritantes;
  • A proporção do rendimento dedicado ao investimento é decrescente, impossibilitando a subida dos salários;
  • O modelo de sociedade que estamos a construir há mais de 20 anos está falido, apenas falta escrever o seu epílogo.

No início da nossa adesão ao Euro, em 2000, 11 países eram mais pobres que Portugal (ver Figura 1); a maioria destes países era do leste europeu. Tratavam-se de países que tinham vivido, durante décadas, debaixo de um regime totalitário, sem qualquer liberdade económica.

Figura 1

O que aconteceu desde então?

Neste grupo de 27 países – todos os países da União Europeia (EU), excepto a Roménia –, Portugal perdeu duas posições. Foi ultrapassado por Malta, Eslovénia e Estónia; como compensação, ultrapassámos os nossos companheiros na desgraça – a Grécia –, tal como podemos observar na Figura 2.

Figura 2

Para agravar o nosso miserável desempenho, entre 2000 e 2019, o nosso PIB per capita, a preços correntes, apresentou uma taxa de crescimento anualizada de 2,69%; inferior a países que eram mais ricos que Portugal em 2000, como a Espanha, a Áustria, o Luxemburgo e a Irlanda!

Todos os países com menor crescimento que Portugal possuíam uma riqueza per capita superior à nossa em 2000 (tal como podemos observar na Figura 3).

Figura 3

Para “facilitar” a vida aos contribuintes líquidos do estado, este último decidiu apropriar-se de uma fatia crescente da riqueza produzida.

Entre 1995 e 2018, não considerando as contribuições para a Segurança Social, a carga fiscal subiu de 21,3% para 25,3% do PIB, um acréscimo de 4 pp., a quinta maior subida de um grupo de 26 países – apenas dois membros da actual EU não foram considerados, a Roménia e a Croácia.

Esta evolução pode ser observada na Figura 4.

Figura 4

Apesar do crescente confisco, os recursos nunca eram suficientes para a pletora de funcionários, clientelas partidárias, burocratas, supervisores, pensionistasfoi e é sempre necessário mais dinheiro!

Entre 2000 e 2019, fomos a medalha de prata do endividamento, com a dívida pública a subir de 54% para 118% do PIB, uma subida de 64 p.p, apenas superado pela Grécia, o vencedor incontestado nesta corrida para o abismo (ver Figura 5).

Para este período, a dívida pública subiu de 70 para 250 mil milhões de euros. Tratou-se de um acréscimo líquido de 180 mil milhões aproximadamente; cada português – incluindo crianças, adultos e idosos – solicitou um empréstimo de 950 euros todos os anos!

Numa família de 4 pessoas, a título de empréstimo, em seu nome, o estado português solicitou 3 800 euros todos os anos – ao final de 19 anos, o valor acumulado foi de 72 mil euros!

Figura 5

A flor da nata do nosso regime, invariavelmente e há mais de 40 anos, apresenta-se em todas as consultas populares como o adaíl da igualdade social: agora é que vai ser!

Depois de uma festa de prazeres licenciosos, dedicada à dívida e aos gastos públicos, que dura há mais de 20 anos, ainda somos um dos países que apresenta das mais elevadas desigualdades na distribuição de rendimentos. No final de 2018, Portugal era o 9º país mais desigual num grupo de 21 países que fazem parte da UE (ver Figura 6).

Figura 6

Para agravar o problema, ninguém se importa com a poupança e o capital. Um engenheiro e um analfabeto numa ilha deserta têm a mesma produtividade.

O que faz a diferença?

Os computadores, a tecnologia, as fábricas, as estradas; os bens de capital, apenas possíveis com a existência prévia de poupança, permitem que alguém com formação possa atingir elevados níveis de produtividade.

Para além de competências de gestão – processos, organização, coordenação…-, trata-se do principal factor que explica a diferença salarial entre países ricos e pobres.

A acumulação de capital per capita na Alemanha é muito superior à que existe em Portugal; por essa razão, os rendimentos no primeiro são superiores.

Não há milagres. A uma maior produção de produtos e serviços corresponde um maior rendimento.

O que fizemos para estimular a poupança?

Decidimos tributar as mais-valias na compra e venda de acções detidas há mais de um ano. Com estas medidas, tratando o capital como inimigo, não é surpresa que os salários e os rendimentos não subam.

Como podemos observar na Figura 7, em 1995, em percentagem do PIB, para um grupo de 25 países, Portugal era o 7º país que dedicava a maior fatia do rendimento à formação bruta de capital fixo. Em 2019, éramos o vigésimo!

Bosquejar as razões dos que realizam discursos a apelar por elevados salários é um imperativo: será que falam a sério?

Figura 7

Desde 2000, com a adesão ao Euro, adoptámos um modelo económico que apenas favorece os receptores líquidos do orçamento de estado. Este grupo não pára de aumentar!

Este conjunto de cidadãos, que segrega os demais, vive numa torre de marfim.

Está completamente alheado da realidade: e porquê?

Sabe que o emprego e o rendimento estão assegurados.

As despesas são superiores às receitas?

Não há problema! Enviamos a conta aos contribuintes.

Não chega?

Faz-se uma emissão de obrigações.

Não há compradores?

Vende-se o papel ao Banco Central Europeu (BCE).

Não pode?

Envia-se a conta ao FMI ou alguém do Fundo de Resgate Europeu. Alguém terá de aparecer!

Como os recursos públicos são abundantes e a caminho do infinito, que competências desenvolveram as grandes empresas?

Tornaram-se coagentes dos poderes públicos.

Estou em risco de falência?

Irá aparecer alguém a anunciar que sou uma empresa estratégica, indispensável ao futuro do país. Tudo serve, desde injecções de capital a empréstimos com o aval do estado; em contrapartida, contrato amigos e comissários políticos, obviamente, oferecendo chorudos salários, prémios e regalias.

Represento um risco sistémico?

Irá aparecer alguém a anunciar o cataclismo, a mera possibilidade da minha iminente falência será suficiente para apavorar os espíritos resistentes.

Em contrapartida, apesar de estar absolutamente arruinado e sem qualquer viabilidade, aparecerá a milagrosa injecção de capital, ou mesmo o empréstimo a fundo perdido, para cobrir os desmandos da minha negligente gestão. Como cereja no topo do bolo, estes fundos também servem para pagar os salários e prémios dos meus administradores.

Represento um monopólio ou tenho o meu mercado ameaçado pela concorrência?

Irá aparecer alguém – em nome dos poderes públicos –, a produzir legislação para proteger o meu mercado e, em alguns casos, a obrigar ao pagamento de rendas vitalícias pelos contribuintes – obviamente, sem risco e com elevados retornos. No futuro, ofereço-lhe um magnífico emprego, tipo CEO, e coloco um serventuário na imprensa a lançar-lhe panegíricos, do tipo: um génio da gestão!

Durante estes 20 anos, estas empresas asseguraram que a imprensa, o suposto contrapoder, continuasse subserviente e com uma lealdade canina aos donos do regime.

Como era sustentada? Através de publicidade proveniente de rendas, receitas de mercados protegidos e fundos provenientes de empréstimos, muitas vezes contraídos sem quaisquer garantias de reembolso. Era tudo entre amigos.

Esta pouca-vergonha, claro está, terminou em falências.

Em alguns casos, fomos obrigados a assistir a deploráveis sessões de esclarecimento, com um préstito de ex-gestores, representantes de poderes públicos e supervisores a afirmarem, sem qualquer pudor, o seguinte: não me recordo da transferência de 800 milhões…não me recordo…mesmo fazendo um grande esforço de memória, não me lembro!

Pelo caminho, todos os centros de decisão foram entregues a estrangeiros e o mercado de capitais caminhou para uma situação calamitosa. Entre 1997 e 2020, o índice PSI 20 apresentou um plangente desempenho. Em finais de 1997, uma aplicação de 100 euros valeria agora 47 Euros. Esta miserável trajectória foi apenas superada, mais uma vez, pelo principal índice Grego, o ATHEX 60, tal como se pode concluir pela Figura 8.

Figura 8

Nos últimos anos, disseram-nos que o nosso destino seria servir cafés a turistas. Muitos portugueses aproveitaram esta alta repentina de visitantes ao nosso país para investir em casas, tanto para as arrendar por períodos curtos, como para as vender a estrangeiros que pretendiam passar a residir em Portugal, atraídos por condições fiscais favoráveis, clima e segurança.

Como sempre, os comentadores e os bobos do regime desdenhavam esta nova tendência: preferiam as cidades em ruínas e sem turistas. Assim é que era bonito!

Eles, claro está, à conta das prebendas, viajavam para as principais cidades e destinos exóticos do mundo. Quando por cá, não queriam ser incomodados por essa horda. Agora desfilam pela televisão a dizer que Lisboa está linda!

Por outro lado, os portugueses, segundo eles, não eram merecedores deste tipo de empregos, nem tinham o direito de viver destes negócios; bom mesmo é viver do subsídio.

Não tardou muito e já existia legislação e impostos suficientes para condicionar, restringir e dissuadir qualquer empreendedor que se atravesse a ganhar uns cobres com a nova realidade.

Com a crise do Covid-19, este mundo acabou e o caminho para o despenhadeiro encurtou-se.

Face a esta situação, o que fez a multidão à mesa do orçamento? Os seus representantes, em particular comentadores associados a empresas de difusão de informação do regime, espalharam o pânico e apoiaram o confinamento da população: fique em casa, fique seguro!

Como é óbvio, nada os preocupa, o salário irá continuar a cair todos os meses e por inteiro. Não se lhes ocorre que para existir consumo, alguém terá de produzir. Para esta gente, o salário não tem qualquer relação com o trabalho e a produção.

Por eles, o confisco do mexilhão deverá continuar: impostos, dívida ou impressão de dívida. Tudo serve. O que importa é continuar em casa, a glosar remotamente nas televisões e a visualizar séries Netflix.

Talvez por isso, todos os dias, fazem apelos pungentes por mais dívida e impressão de dinheiro.

Numa primeira fase, apelavam por dívida mutualizada; aparentemente, não correu bem, apesar dos insultos e da má educação, atendendo que a Alemanha e a Holanda já afirmaram não estar disponíveis para continuar a pagar a conta.

Agora, apenas esperam que o Banco Central Europeu continue a comprar as nossas obrigações, através da emissão de dinheiro; isto é, continuando a gerar inflação. Parece que esta estratégia também começa a correr mal.

Recentemente, o tribunal superior alemão veio alertar precisamente para este problema. A União Europeia (EU), apesar de lançar legislação sem controlo democrático e que destrói todo o nosso tecido produtivo, é sempre a coisa mais fantástica do mundo. Agora, exigem que a UE ponha a Alemanha na ordem!

Apesar de todo este ruído, parece que ninguém deseja anunciar à população que o fim se aproxima: o actual regime está falido e a bancarrota encontra-se ao virar da esquina.

Nas próximas semanas, aqueles que julgam que o rendimento aparece através de qualquer truque de prestidigitação, vão dar-se conta do disparate do confinamento e da dura realidade. O Covid-19 será o epílogo desta triste história.

Isto só pode piorar!

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