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Como Investir Na Bolsa: As 10 Regras

  • Como Investir Na Bolsa: As 10 Regras

As pessoas continuam a associar a bolsa de valores a algo inacessível e com enorme risco; apesar de o banco proporcionar-lhes depósitos com juros 0%, muitos continuam a aplicar aí as suas poupanças, mesmo existindo evidências claras que a inflação é presentemente elevada e, por conseguinte, o dinheiro no banco está todos os dias a perder o seu valor.

1) Poupar para investir

Na hora de investir na bolsa é determinante a existência de um “pé-de-meia” com algum significado. Ora, na minha opinião, algo inferior a 25 mil Euros torna muito difícil realizar uma efectiva diversificação do investimento.

Qualquer pessoa que invista na bolsa deve saber que é fundamental diversificar o seu investimento. No caso de um investimento de 25 mil euros, este deverá ser repartido por diversos valores, por exemplo, 5% nas acções da Apple ou 5% nas acções da Amazon. Desta forma, o investidor deixa de estar sujeito a um possível péssimo desempenho de um determinado título.

Vamos supor que a China proíbe a venda de iphones com o propósito de proteger a sua indústria de telemóveis: o que iria acontecer às acções da Apple? Com elevada probabilidade, em face de tal cenário, a cotação das acções da Apple poderá sofrer um forte revés.

Neste caso, o investidor que estivesse diversificado não iria ser excessivamente prejudicado, enquanto o investidor com todas as suas poupanças aplicadas em acções da Apple iria estar totalmente exposto a uma possível queda acentuada da cotação das acções.

Como anteriormente exposto, 5% de 25 mil euros representa apenas 1 250 Euros. Neste caso, a corretora irá obrigá-lo a pagar comissões mínimas elevadas que provocam uma elevada erosão da rendibilidade pretendida.

Nestes casos, o investidor poderá utilizar instrumentos financeiros que proporcionam alavancagem financeira, visando evitar precisamente as comissões mínimas, dado que é de extrema importância evitar tais custos.

2) Seleccionar uma corretora

O leitor deverá saber que o envio de uma dada instrução a uma bolsa exige a participação de uma corretora. Esta deverá estar regulada, preferencialmente por autoridades pertencentes à União Europeia, onde as exigências são elevadas. Vários aspectos são analisados, entre os quais, a avaliação da sua experiência e conhecimentos, para que a corretora possa alertá-lo dos riscos de um dado instrumento financeiro.

Para além de certificar-se que a entidade está regulada, deve conhecer os seus direitos no caso de insolvência da corretora: os seus depósitos estão protegidos por algum seguro de depósito? Os valores mobiliários que possui custodiados junto da corretora estão protegidos, pertencem-lhe efectivamente? A corretora garante a sua participação nas assembleias de accionistas?

Todas estas questões devem ser respondidas pela corretora sem tergiversações e de forma clara, caso contrário, desconfie.

Outro dos aspectos que deverá avaliar são os conflitos de interesse entre a corretora e o cliente.

A corretora envia as suas ordens directamente à bolsa ou utiliza intermediários para o efeito; a corretora pode ganhar um diferencial entre o preço de execução na bolsa e o preço obtido pelo intermediário? A corretora vende a informação relacionada com as suas ordens pendentes de execução a terceiros, como stops e saídas com ganhos, podendo, desta forma, praticar comissões 0% em virtude de obter tais receitas?

A corretora comercializa derivados OTC, como CFDs? Se sim, tem conflitos de interesses com o cliente.

Executa a mesma ordem do cliente numa bolsa organizada quando este utiliza um derivado OTC? Se não, tenta obter ganhos com as perdas dos clientes, manipulando cotações, por exemplo?

Outro dos aspectos críticos é a formação em bolsa. A corretora, ou parceiros de formação, proporciona-lhe formação em bolsa de elevada qualidade.

Antes de investir na bolsa é fundamental que se prepare.

Destaco alguns aspectos que me parecem da máxima relevância:

  • Como funciona uma bolsa de valores;
  • Como funcionam as ordens de bolsa, em que situações devem ser utilizadas, de que forma se deve comportar a corretora em cada situação;
  • Quais os riscos associados aos instrumentos financeiros? Como funcionam e para que servem os instrumentos financeiros?
  • Como definir uma estratégia de investimento? Como seleccionar os valores que devem fazer parte da carteira de investimentos?
  • Como aplicar a análise técnica na selecção de valores e na determinação dos pontos de entrada e saída de uma dada posição?
  • Como realizar a gestão monetária da minha conta de corretagem? Qual a percentagem que devo arriscar em cada posição? Qual a dimensão das minhas posições? Qual a perda máxima que estou disponível para aceitar.

3) Qual o meu perfil?

Um dos aspectos mais importantes que o leitor deverá ter em conta é avaliar o seu perfil de risco. A bolsa implica riscos, não há investimentos sem risco.

Mesmo o tradicional banco, quando ainda proporcionava juros de 4 e 5%, tinha risco de insolvência, pois era obrigado a encontrar empresários e particulares a quem emprestar a taxas de juro superiores, podendo haver a possibilidade dos devedores do banco não serem capazes de pagarem o crédito.

Desta forma, o leitor deverá ter claro que a bolsa de valores é um grande mercado de risco: quem compra acções e quem vende acções. O primeiro compra risco e o segundo vende risco.

Quando se tem uma posição aberta, está-se a correr riscos. Se a posição é longa, em caso de queda da cotação após a abertura da posição, significa uma perda potencial, que será efectiva no momento em que a posição é fechada; no caso de uma posição curta, a subida da cotação pode implicar perdas substanciais, pois não há limite para a subida da cotação das acções.

Tendo em conta isto, importa classificar-nos em três grupos:

  • Conservador: é um perfil que tenta evitar a utilização da alavancagem financeira, atendendo que não deseja amplificar as perdas e ganhos; por outro lado, tenta seleccionar acções que apresentam baixa volatilidade: o que significa? São valores que historicamente tiveram oscilações reduzidas e, por conseguinte, apresentam menor risco. Por outro lado, não deseja expor uma grande parte do seu património financeiro à bolsa de valores, em virtude da sua enorme aversão ao risco, no entanto, deseja rendibilizar na bolsa uma parte do seu património financeiro;
  • Moderado: é um perfil que deseja igualmente evitar a utilização da alavancagem financeira, no entanto, procura valores que proporcionem maior rendibilidade, mas, ao mesmo tempo, está disponível para aceitar maior risco. Por outro lado, deseja colocar uma importante parte do seu património na bolsa de valores;
  • Arriscado: é um perfil que aceita risco e pretende utilizar a alavancagem financeira para amplificar ganhos; está, no entanto, ciente que também pode sofrer pesadas perdas, em caso de más decisões de investimento, alterações súbitas nos mercados de capitais e má gestão monetária da sua carteira de investimentos. Trata-se de um perfil que deseja colocar uma expressiva parte do seu património financeiro exposto às bolsas de valores.

4) Quais os objectivos de rendibilidade?

Sempre que decidimos investir na bolsa temos que ter muito claro os objectivos a que nos propomos, em particular os objectivos de rendibilidade. Devemos, por um lado, ter em conta a situação dos mercados financeiros e, por outro, a nossa experiência e formação em bolsa. Quanto maior o conhecimento maior será a possibilidade de obtermos retornos interessantes na bolsa de valores.

Há algo que devemos ter claro, se estamos numa tendência ascendente do mercado, devemos ser mais exigentes nos objectivos de rendibilidade da nossa carteira. Se visualizarmos a Figura 1, podemos observar que o índice S&P 500 desde o mínimo de 2009, proporcionou uma rendibilidade anual de 15%, existindo uma tendência ascendente clara desde então e que se mantém na actualidade.

Figura 1

Assim, neste contexto, o objectivo deveria ser um retorno de 10 a 15% anualmente.

Outra coisa completamente diferente é quando estamos a viver um mercado com tendência descendente, neste caso, torna-se obrigatório utilizar posições curtas e implica maiores conhecimentos de bolsa, ou seja, os objectivos neste contexto devem ser obviamente ser mais modestos, em particular para aqueles com pouca experiência e sem formação.

5) Como identificar as acções certas?

Como se expôs anteriormente, num mercado com tendência ascendente devemos procurar acções que se encontrem em tendência ascendente e encontrar aquelas que se enquadrem no nosso perfil de risco.

Assim, no final da sessão do último dia 22 de Junho de 2021, fiz uma simples análise a 1 122 empresas constituintes (ver Figura 2) dos índices bolsistas Nasdaq 100, S&P 500 e STOXX 600. No caso deste último, é constituído por empresas que cotam em várias bolsas europeias: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Portugal, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Figura 2

Neste grupo de empresas tínhamos a seguinte volatilidade anual mínima, 13% (Nestlé SA), e máxima de 84% (Rolls-Royce Holdings PLC).

O que significa a volatilidade? Em primeiro lugar, tem em conta as últimas 250 sessões, correspondente aproximadamente a um ano completo. Em segundo lugar, uma volatilidade anual de 13% significa que a cotação, de acordo com o histórico mais recente, poderá subir 3,9% ou cair 3,8% num dado mês.

As acções da Nestlé apresentam um risco reduzido, em face do seu recente histórico.

Em relação à Rolls-Royce Holdings, com uma volatilidade de de 84, significa que num dado mês pode subir 27,7%, como pode cair -21,6%; ou seja, o risco deste valor é elevadíssimo. O investidor na hora de investir deve ter em conta as recentes oscilações do valor na hora de efectuar uma selecção.

Criei então três grupos de risco: conservador, moderado e arriscado.

No primeiro, a volatilidade anual deverá ser inferior a 37%; no segundo, a volatilidade anual deverá estar no intervalo 37% a 61%; no terceiro e último, superior a 61%.

Na Figura 3, podemos observar as empresas que se encontram no grupo conservador e que respeitam as seguintes condições, nomeadamente tendência ascendente: a média móvel de 20 dias é superior à de 50 dias, a de 50 dias é superior à de 200 dias; a volatilidade anual é inferior a 37%.

Depois foram ordenadas de forma decrescente em rentabilidade desde o final de 2020 até à sessão do último dia 22 de Junho. Assim, a Getinge AB proporciou uma rentabilidade acumulada de 66% e a sua volatilidade anual é de 28%.

Vamos agora visualizar o gráfico para observar se a tendência é efectivamente ascendente. Como podemos ver na Figura 4, a empresa sueca Getinge subiu consideravelmente desde o início de 2021 e encontra-se numa clara tendência ascendente.

Esta poderia ser uma opção para quem procura oportunidades com uma reduzida volatilidade.

Figura 4

Vamos agora ordenar no sentido decrescente (ver Figura 5) a rendibilidade das empresas do grupo moderado, com uma volatilidade entre 37% e 61% e respeitando igualmente o filtro anteriormente indicado, por forma a detectar as empresas com tendência ascendente.

Na primeira posição, temos a empresa britânica Future PLC que subiu 83% em 2021 (até à sessão do último dia 22 de Junho) e tem uma volatilidade anual de 47%, ou seja, mais risco face ao grupo anterior.

Se repararmos, para este grupo de 10 empresas, a rendibilidade média foi de 50%, enquanto no grupo conservador era 41%; no entanto, a volatilidade – ou seja, o risco – é superior.

Estes conceitos devem estar claros para qualquer investidor: maior rendibilidade esperada, maior risco associado.

Figura 5

Vamos agora visualizar a evolução da empresa Future PLC desde o início de 2020; desde o mínimo de Março de 2020, a empresa está numa tendência ascendente clara, que se acentuou e acelerou no primeiro trimestre de 2021, tal como podemos observar na Figura 6.

Em conclusão, esta também podia ser uma opção para os investidores que desejem risco moderado.

Figura 6

Vamos agora observar o grupo de risco (ver Figura 7), neste caso temos a farmacêutica Moderna, com uma subida superior a 100% e uma volatilidade anual de 76%, ou seja, enorme risco. Mais uma vez, podemos constatar que a maior retorno está associado um risco mais elevado.

A rendibilidade média deste grupo em 2021 – até à sessão de 22 de Junho – é de 67%, muito superior aos anteriores grupos, mas uma empresa como a Moderna pode subir 25% num dado mês, mas também cair 20%; por conseguinte, qualquer investidor deve ter em conta o binómio rendibilidade/risco antes de tomar decisões de investimento.

Figura 7

Vamos agora visualizar a evolução da empresa Marathon Oil, a segunda do grupo, que subiu igualmente mais de 100% no presente ano.

Como podemos observar na Figura 8, em virtude da subida do preço do petróleo, a empresa encontra-se numa tendência ascendente desde Outubro de 2020; agora, importa verificar se rompe o anterior máximo que ocorreu antes da crise Covid-19, onde o Petróleo chegou a cotar em valores negativos.

Figura 8

6) Colocar sempre uma protecção da sua posição

Se nunca ouviu, deverá informar-se: sempre que se abre uma posição no mercado, devemos sempre ter uma ordem stop associada; na prática é o valor que estamos disponíveis a aceitar como perda máxima.

Por outras palavras, se eu investir 10 mil euros, apenas estou disponível a perder 500 Euros, ou seja, 5%. Neste caso, terei de colocar a ordem a um preço que represente 95% do meu preço de abertura, no caso de uma posição longa, ou 105% do meu preço de abertura, no caso de uma posição curta.

Se deseja conhecer todos os detalhes dos vários tipos ordens, recomendamos-lhe a leitura deste artigo.

7) Diversifique as suas posições

Como se explicou anteriormente, deve ter em conta vários aspectos na hora da diversificação: por um lado, deve procurar diversificar por empresas de distintas bolsas, em particular aquelas que possuam índices com importantes subidas, no caso da existência de uma tendência ascendente nos mercados norte-americanos, aqueles que decidem a direcção dos mercados, dada o peso que a capitalização bolsista das bolsas norte-americanas representa.

Por outro lado, deve diversificar por distintos sectores de actividade. Quando o mercado se encontra numa tendência ascendente, os sectores tecnológicos, por exemplo, têm tendência a ter mais “força” do que a maioria dos sectores. No caso de uma tendência descendente, devem-se procurar sectores “defensivos”, como eléctricas ou empresas de alimentação.

Também devemos procurar utilizar outras classes de activos, como moedas ou matérias-primas, pois podem solidificar a diversificação de uma carteira de investimentos.

8) Não se deixe levar pelas emoções

Um dos aspectos mais importantes para o sucesso em bolsa é não seguir as emoções. Os investidores que se iniciam na bolsa de valores têm tendência a não respeitar o plano inicialmente traçado.

Se, por exemplo, se coloca um stop com uma perda de 5% e o preço aproxima-se desse preço, há tendência para modificar esse stop, com a emoção de que o preço poderá recuperar e talvez a posição volte aos ganhos: nada mais errado.

Quando se abre uma posição deve ter-se muito claro a perda máxima e caso esta ocorra, deve-se aceitar tal evento, pois as perdas podem ser muito superiores caso a emoção se sobreponha ao plano que traçou para cada posição aberta na sua carteira de investimento.

9)Realize uma gestão monetária correcta

Este é um dos aspectos mais importantes em que se deverá formar. De acordo com o valor da sua carteira de investimento, seja 10 mil, 50 mil ou 100 mil Euros, deve ter muito claro o seguinte: i) qual a percentagem da sua carteira irá ser investida em cada posição aberta; ii) para cada posição aberta, qual a perda máxima que irá aceitar; iii) qual a percentagem de perda do stop, tendo em conta o perfil de risco e a volatilidade do valor que se está a adquirir.

10) Esteja atento ao seu dinheiro

Por fim, a monitorização da sua carteira é crítica. Alterações de política monetária por parte dos bancos centrais pode obrigar a alterar o plano de investimento, atendendo que uma determinada tendência do mercado pode ser posta em causa.

Quando uma posição é fechada devido a um stop, deve abrir novas posições que estejam de acordo com a sua estratégia. Em algumas situações poderá ter que alterar o stop, em virtude dessa posição já garantir ganhos e apenas terá que colocar o stop a uma determinada distância do preço de mercado.

Em conclusão, deverá estar sempre atento ao que se passa no mercado e não facilitar.

De que está à espera: investir na bolsa não é assim tão difícil.

 

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