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Bancos Centrais: A Destruição do Capitalismo..

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Um dos exemplos paradigmáticos da presente bolha bolsista que vivemos é a Netflix.

A subida da sua cotação na bolsa de valores norte-americana é do domínio da quinta dimensão: do início de 2009, em que cotava em torno dos 5 USD por acção, à sessão do dia 21 de Dezembro de 2020, em que encerrou a cotar nos 528,91 USD por acção, registou uma subida de 10 145%, tal como podemos observar na Figura 1.

No presente ano, regista um ganho acumulado de 64%; quase nos atrevemos a gritar: Viva a “Pandemia”!

Figura 1

A Netflix é há anos uma autêntica máquina trituradora de fundos. Como evita reflectir tal situação na sua conta de resultados?

Capitalizando as despesas que efectua na produção de séries e filmes, para depois provisionar apenas uma parte na sua conta de resultados; como o crescimento das despesas na produção de conteúdos está sempre a subir, constituindo na prática um autêntico esquema em pirâmide, a sua conta de resultados pode exibir uns resultados suculentos, apesar de estar a queimar caixa como se não houvesse amanhã.

Este é o capitalismo servido pelos bancos centrais!

Em que consiste o modelo de negócio destas empresas?

Vender um serviço ou um produto ao mercado a um preço que não cobre, nem de perto nem de longe, os seus custos operacionais; ou seja, a perder sistematicamente rios de dinheiro, mas adquirindo rapidamente clientes e quota de mercado, assente em preços predatórios, justificados, quase sempre, pela “tecnologia revolucionária” por detrás do “inovador” modelo de negócio.

Ora, num capitalismo com taxas de juro que reflectissem a oferta e a procura por poupança, em lugar da decisão arbitrária de um “conjunto de iluminados”, as taxas de juro seriam consideravelmente mais elevadas que as actuais, obliterando por completo a existência de tais negócios – teriam, certamente, uma existência de apenas alguns meses, em lugar de estarem anos sem fim a receberem novos fundos dos seus accionistas, enganados pelas taxas 0% dos bancos centrais.

O dono de um restaurante recém-aberto, com poucos clientes e com perspectivas pouco optimistas, enfrenta de imediato escassez de liquidez.

Qual a consequência mais provável? Fechar portas.

O capitalismo é precisamente isto: satisfazer as necessidades de um cliente com lucro, essa palavra tão abominada nos dias que correm- caso contrário, haverá lugar para outros, tendo que haver, a todo o momento, respeito pelas regras do jogo, a propriedade privada e os acordos assinados entre as partes (clientes, fornecedores, autoridades…).

Como funciona o capitalismo patrocinado pelos bancos centrais?

Garantindo aos “gigantes tecnológicos” uma fonte inesgotável de fundos grátis; obtidos através dos mercados de capitais, em particular junto dos que possuem dimensão e liquidez, como é o caso das bolsas norte-americanas.

Para melhor ilustrar esta situação, nada melhor do que analisarmos as quatro famosas Ofertas Públicas Iniciais que ocorreram no mercado norte-americano em 2019 e 2020; são as “novas estrelas” no encalce da Netflix e da Amazon.

Estas quatro empresas são: a Snowflake, a Airbnb, Uber e a DoorDash. A primeira e a última talvez sejam as menos conhecidas do público. A Snowflake é uma plataforma que presta serviços informáticos na nuvem (Serviços Cloud para empresas), enquanto a DoorDash é uma concorrente da Uber Eats nos Estados Unidos.

Para termos uma ideia da dimensão da bolha, estas quatro empresas no final da sessão de 18 de Dezembro de 2020 possuíam uma capitalização bolsista conjunta de 270 mil milhões de Euros (ver Figura 2); pelo menos, 4 vezes a capitalização de todas as empresas listadas na bolsa de Lisboa!

Figura 2

Face a estes valores poderíamos pensar que estas empresas são um tremendo sucesso empresarial: nada mais longe da verdade!

Estas empresas apresentam prejuízos colossais, tal como se pode constatar na Figura 3. 

O maior descalabro é a Uber: com uma receita de 11,5 mil milhões de Euros, tem um prejuízo operacional de 6,7 mil milhões de Euros. Perde 555 milhões de Euros todos os meses!

Para poder cobrir os seus custos, as suas receitas teriam de subir 58%; podemos imaginar a subida de preços que a Uber teria de aplicar aos seus clientes para lograr terminar com esta sangria de fundos!

O pior caso é a Snowflake, com receitas de 216 milhões de Euros, perde 292 milhões de Euros. Para poder cobrir os seus custos, as suas receitas teriam de subir 135%!

Figura 3

Como sobrevivem? Por que razão não estão sujeitas às leis económicas do “Zé do restaurante” ou do “António do bar”?

Tudo se deve à repressão financeira dos bancos centrais, que proporcionam dinheiro grátis a estes desastres empresariais: sobrevivem graças a uma fonte inesgotável de fundos grátis. Esta é a actual realidade dos mercados de capitais norte-americanos.

Vamos supor que uma obrigação proporciona um pagamento de 10 Euros todos os anos, tal como se ilustra na Figura 4.

Se o leitor investir apenas 100 euros na aquisição dessa obrigação, a taxa de juro que irá receber será 10%; se investir 200 euros será 5%; mas se investir 2000 euros será apenas 0,5%.

Vamos resumir:

  • O valor actual (hoje) dos recebimentos anuais futuros no valor de 10 euros descontados a 10% é 100 Euros;
  • O valor actual (hoje) dos recebimentos anuais futuros no valor de 10 euros descontados a 5% é 200 Euros;
  • O valor actual (hoje) dos recebimentos anuais futuros no valor de 10 euros descontados a 0,5% é 2 000 Euros.

Figura 4

A uma taxa de juro mais elevada corresponde um valor actual menor e vice-versa.

Vamos agora imaginar que um investidor tem as seguintes expectativas para a empresa ABC, tal como ilustrado na Figura 5; trata-se de algo parecido com as “Uber” da actualidade: hoje, perde muito dinheiro, mas, num futuro longínquo, supõe-se que irá ganhar imenso dinheiro, em resultado de actuar praticamente em monopólio, depois de ter arrasado a concorrência através do dumping de preços e confinamentos decretados em nome de uma “pandemia”.

Na Figura 5, podemos ver que no primeiro ano a empresa perde 250 Euros; ao longo do tempo, espera-se que vá diminuindo as perdas, até que no 9º ano começa a apresentar resultados positivos, passando, a partir daí, a crescer todos os anos a 0,5%.

Figura 5

Qual o valor actual dos resultados futuros caso sejam descontados com diferentes taxas de juro?

Se descontarmos a 10%, 5% e 4%, trata-se de um investimento não interessante, tal como podemos observar na Figura 6.

No entanto, para valores inferiores a 4%, o valor actual passa a ser positivo; quando se aproxima dos 0%, o valor actual começa a subir de forma exponencial.

Trata-se precisamente do fenómeno que acontece com os mercados financeiros da actualidade. Esta é a explicação para as valorizações estratosféricas a que assistimos todos os dias!

Figura 6

Se o preço do dinheiro reflectisse o resultado da oferta e procura por poupança, em momento algum tal situação teria lugar.

Há umas décadas atrás, os depósitos bancários faziam concorrência aos mercados de capitais: e porquê?

O seu negócio passava por captar poupanças a 4, 5 e 6% e proporcionar empréstimos a pequenas e médias empresas a 8%, 9% e 10%, obtendo receitas pela diferença entre os juros recebidos pelos créditos concedidos e os juros pagos aos seus depositantes.

A aplicação de poupanças em pequenos negócios era realizada de forma indirecta através do sistema bancário, atendendo que este proporcionava condições de remuneração competitivas.

Era uma concorrência às bolsas de valores, algo que deixou de existir no “Novo Normal”; agora, só resta investir na bolsa.

Os bancos centrais, na ânsia de “dar uma mão” a governos falidos e grandes empresas, ao decretarem, de forma administrativa, taxas de juro 0%, eliminam a competitividade dos bancos comerciais, pois estes deixam de proporcionar condições de remuneração atractivas aos aforradores.

Os bancos comerciais passam a poder financiar-se “gratuitamente” junto da “máquina de imprimir notas” do banco central.

Os aforradores são forçados a encontrar alternativas, nem que seja jogar na “roleta”, sem terem a percepção de que estão a jogar na roleta.

A repressão financeira efectuada pelos bancos centrais, ao colocar os juros a 0%, obriga os investidores a correr para os mercados de capitais e a realizar propostas de compra totalmente especulativas e absurdas.

Quem beneficia?

As grandes empresas norte-americanas com acesso às gigantes bolsas de valores norte-americanas – as que proporcionam liquidez, oportunidades e dimensão.

Neste ambiente de taxas de juro 0%, não é uma casualidade que o índice NASDAQ 100 tenha subido quase 1000% entre 2009 e 2020, tal como podemos constatar na Figura 7.

Figura 7

Também não é uma casualidade que o índice NASDAQ 100 registe um ganho de 45% no presente ano, em que ocorreu uma “pandemia” tão gravosa para a economia – para a plebe seguramente.

Por que razão foi tão positiva para estas empresas tecnológicas?

O bolo gigante expectável num futuro longínquo aumentou consideravelmente de tamanho, pois os pequenos negócios estão obliterados por confinamentos nunca vistos na história da humanidade, onde se impedem pessoas saudáveis de ir trabalhar.

Nada como indagar quem beneficia com uma crise; por esta razão, assistimos aos accionistas, CEOs e fundadores destes grandes ícones tecnológicos a pedir confinamentos sem fim e a espalhar o terror todos os dias. Claro que sim: as suas acções nunca valorizaram tanto em bolsa!

Para continuar a festa, iremos assistir:

  • à terceira, quarta e quinta vaga, as que forem necessárias, até à ruína completa de qualquer concorrente;
  • ao aparecimento de novas estirpes, sempre mais perigosas que as anteriores, justificando confinamentos sem fim;
  • à manutenção das famosas “medidas de segurança” – zaragatoas, máscaras, álcool gel, distanciamento social… -, mesmo depois da vacinação, pois, segundo nos informam, não sabemos se os vacinadas espalham ou não o vírus – vá-se lá saber para que serve a vacina;
  • à chantagem sobre aqueles que não desejam vacinar-se; não entrarás no avião, não entrarás num hospital; não entrarás em transportes públicos, o importante é que fiques em casa a encomendar os nossos produtos e serviços online.

A política de juros 0%, em paralelo com a suposta “pandemia”, irá destruir o capitalismo, tal como o conhecíamos.

Os negócios tradicionais irão desaparecer, para dar lugar a gigantes tecnológicos que actuarão em monopólio; serão obliterados pela concorrência desleal dos últimos, sofrendo o seu dumping de preços e enfrentando encerramentos pelos seus governos, capturados pelos interesses dos segundos.

Quando o poder absoluto destes gigantes for total, ter-se-á operado a maior transferência de riqueza da história da humanidade.

No nosso bolso estará uma moeda que nada vale; no seu bolso, existirão títulos de propriedade que valem milhões.

A plebe terá que apelar a uma esmola do estado, o mesmo estado que a destruiu, pois não suportará a hiperinflação causada pelas subidas de preços destas empresas, que passarão a actuar com total impunidade, fruto da sua posição dominante.

Isto só pode piorar.

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