Fica claro que estamos a viver, uma vez mais, um período dramático do ponto de vista económico. Em Espanha, segundo o seu banco central, prevê-se uma queda do PIB de 11,6%, podendo, no pior cenário, chegar a cair 15,1%.
Em Portugal, a coisa não é melhor; o Banco de Portugal prevê uma queda de 9,5%; mas, no pior dos cenários, poderá ocorrer uma contracção económica de 13,1%!
Perante uma catástrofe causada por confinamentos sem qualquer justificação, tal como já demonstrei por diversas vezes em artigos anteriores (artigo 1, artigo 2, artigo 3), estamos a caminho de um plangente fim.
Todos os dias, os responsáveis por este cataclismo, realizam eleutérias, propondo disparates sem fim.
Se recordarmos os eventos ocorridos entre 1929 e 1938, podemos ver que as actuais propostas e soluções são muito semelhantes às ocorridas na época. Como sabemos, os resultados foram desastrosos.
É importante lembrar dois dos principais actores desse período, Herber Hoover (com um mandato entre 1929-1933) e Franklin D. Roosvelt (com quatro mandatos, 1933-1945).
Em Dezembro de 1929, logo após crash da bolsa em Outubro desse ano, Herber Hoover declarou: “… é necessário combater a especulação desenfreada…é necessário suprimir a especulação ilegítima”.
No final de 1929, a sua administração promoveu a introdução de tarifas alfandegárias, promulgou a lei “Smoot–Hawley Tariff Act”, com o objectivo de tornar os produtos agrícolas importados mais caros, a fim de aumentar a competitividade da produção agrícola norte-americana.
É claro que países como França, Itália, Austrália, Índia e Canadá responderam imediatamente.
Isso reduziu brutalmente o comércio internacional e, ao mesmo tempo, reduziu as importações norte-americanas em 40%!
Entre 1929 e 1933, a dívida pública norte-americana aumentou exponencialmente.
Essa dívida, em percentagem do produto interno bruto, aumentou 24 pontos percentuais (de 16% para 40%) e o superávite de 1929 (0,46% do PIB) tornou-se um défice em 1933 (-3,27% do PIB), aumentando a dívida pública ano após ano (ver Figura 1).

Não satisfeito, o Presidente Herber Hoover, durante seu mandato, introduziu o “Revenue Act” em 1932, que foi um dos maiores aumentos de impostos na história dos Estados Unidos:
Conseguiu o feito de fazer subir a taxa de desemprego de apenas 3% em 1929 para quase 25% em 1932!
Um em cada quatro norte-americanos estava desempregado no final de seu mandato. O PIB americano contraiu cerca de 25% e o índice Dow Jones caiu perto de 70%: pior era impossível!

Roosevelt seguiu as políticas de seu antecessor, mas com um marketing mais sofisticado.
Durante os primeiros anos de seu mandato, ele ordenou a criação da SEC (entidade supervisora de mercados financeiros, o equivalente à CMVM portuguesa).
O primeiro presidente da SEC (Joseph Kennedy), no seu discurso inaugural, em Maio de 1933, afirmou que a SEC viveria para “levar a lei ao campo das finanças”.
Também em 1933, ele ordenou a criação da lei Glass-Steagall que separava as actividades bancárias de retalho e investimento, tornando impossível para uma entidade financeira trabalhar em paralelo nas duas actividades.
Em 1934, no seu discurso ao Congresso,declarou: “…muitos dos problemas que estamos hoje a enfrentar devem-se à falta de entendimento dos principais valores da justiça e equidade”. Assim, em 1936, a taxa marginal máxima de IRS foi novamente aumentada: de 63% para 79%!
O “New Deal” de Roosevelt caracterizou-se por grandes obras públicas, financiadas por um aumento brutal da dívida pública (3 pontos percentuais do PIB entre 1933 e 1938) e défices públicos (em 1936 atingiu 5% do PIB, algo inédito).
O Dow Jones registou outro crash em 1937, com uma queda de 76 pontos de Agosto a Novembro. O desemprego aumentou para 20% (um em cada cinco americanos estava desempregado.)
O produto interno bruto em 1938 foi semelhante ao de 1929, após dez anos de estímulos económicos claramente mal sucedidos. Somente após 1940, o índice Dow Jones conseguiu recuperar a valorização anterior a 1929.
Recentemente, visando justificar um imposto sobre os gigantes tecnológicos norte-americanos, a ministra das finanças de Espanha afirmou que tal decisão “era uma necessidade do século XXI…ante uma fiscalidade analógica”!
Analógica! Esta senhora é uma insigne vate.
Deseja passar ao sinal digital, que só pode assumir um número predeterminado (finito) de valores: 0 ou 1, por exemplo!
Deve ser assim, hoje, o fisco espanhol cobra de forma analógica, talvez dependente da facturação e lucros das empresas; nos próximos meses tudo será diferente.
Talvez confisque sempre e sem piedade as empresas tecnológicas, tentando obter receita fiscal de qualquer maneira. Será isto?
Aparentemente, agora, visa tornar-se digital!
Não se ficou por aqui!
Perante a ameaça de subida de impostos alfandegários por parte dos Estados Unidos às exportações europeias, afirmou com filáucia e em nome de outros países: “Nem Espanha, nem França, nem Itália, nem o Reino Unido…nenhum país vai aceitar nenhum tipo de ameaça de outros países”.
Traduzindo: vamos cobrar de qualquer maneira! Estão indiferentes aos prejuízos que possam causar aos exportadores europeus para o mercado norte-americano.
Estamos no bom caminho!
A mesma protagonista também promoveu a famosa taxa tobin no código fiscal espanhol. Actualmente, já foi proposta no congresso. Como funciona?
Trata-se de um imposto de 0,2% (20 pontos básicos), ou seja, 20 euros em cada 10 mil euros transaccionados. Apenas se irá aplicar às empresas com uma capitalização bolsista igual ou superior a mil milhões de Euros e às acções, estando excluídos os instrumentos derivados.
Mas o mais incrível foram as afirmações da mesma protagonista: “…alguns querem assustar os consumidores, mas apenas os serviços de corretagem serão tributados…”.
Só nos resta motejar com estas lideranças!
Já podemos imaginar como irá terminar o mercado de capitais espanhol; seguramente, terá o mesmo destino da economia norte-americana nos anos 30: o desastre!
Recentemente, a União Europeia anunciou um novo plano. Segundo os seus autores, trata-se da resposta europeia à presente crise Covid-19, visando “impulsionar a recuperação europeia, proteger os cidadãos, garantir meios de subsistência e salvar empregos”.
Para tal desígnio, propõem um orçamento de 2,4 biliões de Euros, cerca de 12 vezes o PIB português, e asseguram-nos: “garantirão que a nossa União seja um protagonista decisivo na cena mundial, tanto no plano das alterações climáticas e da protecção dos recursos naturais, como a nível digital e social. É chegada a hora da Europa”.
Com dívida e emissão de moeda, ou seja, inflação! Também vimos como terminou a explosão de dívida e défices nos anos 30, mas parece que ninguém aprendeu!
Os mesmos burocratas que nunca investiram um cêntimo do seu bolso, desejam agora continuar a endividar-nos e a cobrar impostos sem fim, com um único propósito: colocar em marcha grandiosos projectos e utilizá-los como propaganda.
Obviamente, através do confisco e do assalto ao poder aquisitivo da moeda que transportamos no bolso: grátis, não será seguramente!
Albert Einstein tinha definitivamente razão: “Duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana; não estou seguro em relação ao Universo”.
Isto só pode piorar!