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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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A Grande Depressão dos Anos 30 e a Presente Crise COVID-19: Semelhanças e Diferenças

Fica claro que estamos a viver, uma vez mais, um período dramático do ponto de vista económico. Em Espanha, segundo o seu banco central, prevê-se uma queda do PIB de 11,6%, podendo, no pior cenário, chegar a cair 15,1%.

Em Portugal, a coisa não é melhor; o Banco de Portugal prevê uma queda de 9,5%; mas, no pior dos cenários, poderá ocorrer uma contracção económica de 13,1%!

Perante uma catástrofe causada por confinamentos sem qualquer justificação, tal como já demonstrei por diversas vezes em artigos anteriores (artigo 1, artigo 2, artigo 3), estamos a caminho de um plangente fim.

Todos os dias, os responsáveis por este cataclismo, realizam eleutérias, propondo disparates sem fim.

A história repete-se, tal como na grande depressão dos anos 30!

Se recordarmos os eventos ocorridos entre 1929 e 1938, podemos ver que as actuais propostas e soluções são muito semelhantes às ocorridas na época. Como sabemos, os resultados foram desastrosos.

É importante lembrar dois dos principais actores desse período, Herber Hoover (com um mandato entre 1929-1933) e Franklin D. Roosvelt (com quatro mandatos, 1933-1945).

Em Dezembro de 1929, logo após crash da bolsa em Outubro desse ano, Herber Hoover declarou: “… é necessário combater a especulação desenfreada…é necessário suprimir a especulação ilegítima”.

No final de 1929, a sua administração promoveu a introdução de tarifas alfandegárias, promulgou a lei “Smoot–Hawley Tariff Act”, com o objectivo de tornar os produtos agrícolas importados mais caros, a fim de aumentar a competitividade da produção agrícola norte-americana.

É claro que países como França, Itália, Austrália, Índia e Canadá responderam imediatamente.

Isso reduziu brutalmente o comércio internacional e, ao mesmo tempo, reduziu as importações norte-americanas em 40%!

Entre 1929 e 1933, a dívida pública norte-americana aumentou exponencialmente.

Essa dívida, em percentagem do produto interno bruto, aumentou 24 pontos percentuais (de 16% para 40%) e o superávite de 1929 (0,46% do PIB) tornou-se um défice em 1933 (-3,27% do PIB), aumentando a dívida pública ano após ano (ver Figura 1).

Figura 1

Não satisfeito, o Presidente Herber Hoover, durante seu mandato, introduziu o “Revenue Act” em 1932, que foi um dos maiores aumentos de impostos na história dos Estados Unidos:

  • foram introduzidos impostos sobre a gasolina, os carros, a energia eléctrica
  • o imposto médio sobre o rendimento individual de 0,5% a 5%
  • o imposto sobre as sociedades de 10% a 12%
  • a taxa máxima sobre rendimento individual passou de 25% a 63% – aquilo que agora designamos de IRS.

Resultados do mandato de Herber Hoover?

Conseguiu o feito de fazer subir a taxa de desemprego de apenas 3% em 1929 para quase 25% em 1932!

Um em cada quatro norte-americanos estava desempregado no final de seu mandato. O PIB americano contraiu cerca de 25% e o índice Dow Jones caiu perto de 70%: pior era impossível!

Figura 2

Roosevelt seguiu as políticas de seu antecessor, mas com um marketing mais sofisticado.

Quem não se lembra do “New Deal”? Quem nunca leu que Roosevelt é considerado o homem que salvou a América?

Durante os primeiros anos de seu mandato, ele ordenou a criação da SEC (entidade supervisora ​​de mercados financeiros, o equivalente à CMVM portuguesa).

O primeiro presidente da SEC (Joseph Kennedy), no seu discurso inaugural, em Maio de 1933, afirmou que a SEC viveria para “levar a lei ao campo das finanças”.

Também em 1933, ele ordenou a criação da lei Glass-Steagall que separava as actividades bancárias de retalho e investimento, tornando impossível para uma entidade financeira trabalhar em paralelo nas duas actividades.

Em 1934, no seu discurso ao Congresso,declarou: “…muitos dos problemas que estamos hoje a enfrentar devem-se à falta de entendimento dos principais valores da justiça e equidade”. Assim, em 1936, a taxa marginal máxima de IRS foi novamente aumentada: de 63% para 79%!

O “New Deal” de Roosevelt caracterizou-se por grandes obras públicas, financiadas por um aumento brutal da dívida pública (3 pontos percentuais do PIB entre 1933 e 1938) e défices públicos (em 1936 atingiu 5% do PIB, algo inédito).

Resultado do primeiro mandato de Roosevelt?

O Dow Jones registou outro crash em 1937, com uma queda de 76 pontos de Agosto a Novembro. O desemprego aumentou para 20% (um em cada cinco americanos estava desempregado.)

O produto interno bruto em 1938 foi semelhante ao de 1929, após dez anos de estímulos económicos claramente mal sucedidos. Somente após 1940, o índice Dow Jones conseguiu recuperar a valorização anterior a 1929.

O que propõem os alienados que nos governam, em particular num momento de crise económica causada por um confinamento absurdo?

Recentemente, visando justificar um imposto sobre os gigantes tecnológicos norte-americanos, a ministra das finanças de Espanha afirmou que tal decisão “era uma necessidade do século XXI…ante uma fiscalidade analógica”!

Analógica! Esta senhora é uma insigne vate.

Será que se referia ao sinal analógico, em que todos os valores intermediários possíveis (infinitos) entre o máximo e mínimo são possíveis? E agora?

Deseja passar ao sinal digital, que só pode assumir um número predeterminado (finito) de valores: 0 ou 1, por exemplo!

Deve ser assim, hoje, o fisco espanhol cobra de forma analógica, talvez dependente da facturação e lucros das empresas; nos próximos meses tudo será diferente.

Talvez confisque sempre e sem piedade as empresas tecnológicas, tentando obter receita fiscal de qualquer maneira. Será isto?

E há anos, como era? A fiscalidade espanhola era medieval ou moderna, passando depois a analógica?

Aparentemente, agora, visa tornar-se digital!

Não se ficou por aqui!

Perante a ameaça de subida de impostos alfandegários por parte dos Estados Unidos às exportações europeias, afirmou com filáucia e em nome de outros países: “Nem Espanha, nem França, nem Itália, nem o Reino Unido…nenhum país vai aceitar nenhum tipo de ameaça de outros países”.

Traduzindo: vamos cobrar de qualquer maneira! Estão indiferentes aos prejuízos que possam causar aos exportadores europeus para o mercado norte-americano.

Recordam-se da lei “Smoot–Hawley Tariff Act” do presidente Herbert Hoover sobredita que destruiu o comércio internacional, fruto de represálias fiscais entre países?

Estamos no bom caminho!

A mesma protagonista também promoveu a famosa taxa tobin no código fiscal espanhol. Actualmente, já foi proposta no congresso. Como funciona?

Trata-se de um imposto de 0,2% (20 pontos básicos), ou seja, 20 euros em cada 10 mil euros transaccionados. Apenas se irá aplicar às empresas com uma capitalização bolsista igual ou superior a mil milhões de Euros e às acções, estando excluídos os instrumentos derivados.

Mas o mais incrível foram as afirmações da mesma protagonista: “…alguns querem assustar os consumidores, mas apenas os serviços de corretagem serão tributados…”.

Esta gente de onde surgiu? Julga que as empresas de intermediação não irão reflectir este imposto no consumidor? Será que lhes passa pela cabeça que estas empresas paguem do seu bolso este imposto, actuando como um filantropo do estado?

Só nos resta motejar com estas lideranças!

Já podemos imaginar como irá terminar o mercado de capitais espanhol; seguramente, terá o mesmo destino da economia norte-americana nos anos 30: o desastre!

Recentemente, a União Europeia anunciou um novo plano. Segundo os seus autores, trata-se da resposta europeia à presente crise Covid-19, visando “impulsionar a recuperação europeia, proteger os cidadãos, garantir meios de subsistência e salvar empregos”.

Para tal desígnio, propõem um orçamento de 2,4 biliões de Euros, cerca de 12 vezes o PIB português, e asseguram-nos: “garantirão que a nossa União seja um protagonista decisivo na cena mundial, tanto no plano das alterações climáticas e da protecção dos recursos naturais, como a nível digital e social. É chegada a hora da Europa”.

Estimado leitor, como irão pagar tudo isto?

Com dívida e emissão de moeda, ou seja, inflação! Também vimos como terminou a explosão de dívida e défices nos anos 30, mas parece que ninguém aprendeu!

Os mesmos burocratas que nunca investiram um cêntimo do seu bolso, desejam agora continuar a endividar-nos e a cobrar impostos sem fim, com um único propósito: colocar em marcha grandiosos projectos e utilizá-los como propaganda.

Obviamente, através do confisco e do assalto ao poder aquisitivo da moeda que transportamos no bolso: grátis, não será seguramente!

Albert Einstein tinha definitivamente razão: “Duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana; não estou seguro em relação ao Universo”.

Isto só pode piorar!

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