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Tudo começa como sendo uma nova era e tudo acaba como na velha

A psicologia evolutiva diz-nos que, apesar de vivermos num mundo moderno, estamos ainda programados para resolver os problemas como o faziam os nossos antepassados. Acontece que não se pode comparar o incomparável. As épocas não são as mesmas. 

Vem a propósito referir aqui que na época actual se trabalha com números infinitamente maiores comparativamente aos números dos anos noventa, ouvindo-se hoje correntemente falar de triliões.

No final dos anos 90, do século passado, vivemos a época que ficou conhecida por ”nova economia”. As empresas não precisavam então de apresentar resultados para obterem valorizações que só se justificavam nessa denominada ”nova economia”. Como se sabe, essa época acabou com a utilização do velho modelo, levando à falência milhares de empresas incapazes de alguma vez virem a apresentar lucros.

Nos primeiros anos deste século iniciámos a vivência de uma nova era de relacionamento com o crédito, o que levou as instituições financeiras a pensar que tinham concebido um modelo que lhes permitiria conceder crédito ilimitado. Sabemos que isto resultou na crise de actual. Actualmente vivemos uma era em que o Estado se propõe resolver os problemas dos seus cidadãos utilizando uma parte da política dos anos trinta, mais concretamente os métodos de Keynes. Mesmo que as medidas de 1930 se pudessem aplicar hoje, a realidade é que a economia de então só recuperou 10 anos depois da depressão e a realidade é que o mundo hoje não parece estar preparado para ver a economia esperar dez anos para recuperar. 

Existem vários problemas que os políticos não mostram disponibilidade para verem. O primeiro é que esta crise não é uma crise com origem no imobiliário, como se repete tantas e tantas vezes, mas o resultado do excesso de crédito que se foi acumulando no sistema nos últimos 60 anos, período durante o qual o mundo viveu uma contínua expansão monetária.

Aquilo que uma crise deveria poder fazer seria purgar os excessos e isso não está a ser permitido. Só assim se percebe que os políticos estejam a tentar que a economia retome nos mesmos moldes que originaram  o problema, ou seja, incentivando e tentando criar condições para que se volte a consumir como dantes com o inevitável e necessário financiamento. Considerando que a origem do problema está no excesso de crédito, no excesso de consumo e baixos níveis de poupança, espanta ver os políticos coligados na sua visão de que a cura está em mais crédito, mais consumo e menos poupança. Em sentido figurado, é o mesmo que enviar um drogado em recuperação para o “Casal Ventoso”.

Não admira, assim, que a reunião do G20 não apresentasse nenhuma resposta adequada pela simples razão de que não colocou nenhuma questão adequada. Importante capitalizar os bancos é o consenso generalizado, mas ninguém procurou colocar a questão se foi só o capital que causou o problema ou se foi também o poder dos bancos.

Em 1999 a lei Glass-Steagall de 1933 foi abolida por Clinton. Esta lei imposta por Roosevelt era a conclusão de que o lobby bancário tinha atingido demasiado poder e precisava de uma lei antitrust. Como resultado a banca comercial foi separada da banca de investimento e o então banco todo-poderoso J.P.Morgan foi dividido para dar origem ao Morgan Stanley. Talvez não seja coincidência que 10 anos depois da abolição desta lei tenhamos em mão a maior crise financeira desde 1929.

Tudo começa como sendo uma nova era mas tudo acaba como na velha, mesmo que os presidentes dos grandes bancos actuais digam que a solução não passa por dividir as actuais instituições.

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