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Petroleo cereais e a crise dos produtos agricolas

A agricultura, que era até há bem pouco tempo motivo de discórdia na UE pelos elevados subsídios envolvidos e pelos inevitáveis custos para o contribuinte europeu, é agora de novo noticia pelos custos para o consumidor. Os custos com a alimentação estão a penalizar a população mundial, dizem os jornais. Na Argentina os agricultores estão em guerra com o governo por este ter introduzido um imposto adicional sobre a soja. O Financial Times titula, ”medo cresce com uma possível crise no arroz”. O Fundo Monetário Internacional fala na possível agitação social na sequência da falta de alimentos em 33 países. O primeiro ministro do Haiti demitiu-se devido aos desacatos provocados pela subida dos preços.

Não é certamente a primeira vez que vemos isto nos jornais e televisões e não será a última, infelizmente. A originalidade, desta vez, vem indiscutivelmente da Europa porque, apesar da PAC (politica agrícola comum), os preços dos produtos agrícolas estão a subir, e Portugal aproveita para dizer que tem os custos mais altos da Europa com a alimentação. Também os agentes económicos aproveitam para aumentar os seus preços para valores inimagináveis há 6 meses atrás.

A razão para esta situação não é a escassez dos produtos agrícolas, porque não existe menos produção que hà 3 ou 5 anos. É tão só porque o seu preço subiu. É então legitimo perguntar, se não existe escassez de produtos agrícolas, porque é que os preços sobem? Porque a moeda com que são pagos nos mercados internacionais, o dólar, se está a desvalorizar mais rapidamente que o desejável e porque a razão para essa desvalorização é o excesso de dólares em circulação.

É certamente este o momento de os políticos assumirem que estamos no inicio ou no meio de uma crise do sistema financeiro que, se não for assumida e debelada, poderá trazer ainda maior confusão.

A globalização faz com que tenhamos acesso, entre todas as outras coisas, a uma informação também ela global. O problema é que nem sempre essa informação é tratada e ajustada à realidade local. Tornou-se natural ver anunciados nos telejornais os sucessivos recordes dos preços do petróleo. Com este anuncio inócuo, é agora pacificamente aceite ver as petrolíferas aumentar o preço dos combustíveis como consequência de uma correlação directa. Se o preço do petróleo aumenta os preços dos produtos refinados aumentam também. Este precedente perigoso, repetido inúmeras vezes durante os últimos meses, permitiu que os industriais da panificação viessem também anunciar o aumento do pão, em resultado do aumento do trigo, que está em máximos históricos.

Esta é uma visão simplista da situação que carece de algumas rectificações, a primeira das quais a valorização do euro contra a moeda americana, que nunca é levada em linha de conta. As moedas flutuam no mercado cambial, pelo que o valor de uma moeda é variável e como tudo o que se compra fora do espaço euro é pago em dólares, é importante ter em consideração este diferencial. É aqui que as coisas se tornam interessantes porque a realidade dessas coisas não são a realidade que vivemos. Para lhes dar uma ideia do fenómeno vejamos o preço do petróleo e a sua relação com o euro. Em 1999 o euro iniciou a sua paridade com o dólar a 0.80, o que quer dizer que 1 euro representava 0.80 dólares. Em 1999 o barril do petróleo estava a 10 dólares o que à paridade de então representava 12 euros. Em 2004 o barril estava nos 50 dólares enquanto a paridade do euro contra o dólar estava a 1.30 ou seja 38.50 euros e em 2008 temos o petróleo a 110 dólares e uma paridade de 1.59 a que corresponde um preço em euros de 69.18. Em conclusão, enquanto o preço do petróleo aumentou 10 vezes nos últimos 9 anos nos Estados Unidos, na Europa esse aumento foi na realidade de 5,7 vezes, ou seja, um pouco mais de metade. O equivalente a um preço de 57 dólares por barril, muito longe do que é anunciado nos órgãos de comunicação.

O trigo está na mesma situação. Em 2004 estava a 4 dólares por bushell (a medida standard de aquisição em bolsa) ou seja 3.07 euros considerando o câmbio de então e em 2009 está a 9 dólares ou seja 5.66 euros. É aqui no trigo que melhor se percebe a crise do sistema financeiro. Em 1896 o trigo negociava a 1 dólar por bushell quando o dólar valia o mesmo em ouro e uma onça de ouro comprava 20 bushels de trigo. Hoje, com o preço actual do trigo, uma onça de ouro pode comprar 103 bushels desse cereal, ou seja em dinheiro papel o preço do trigo em pouco mais de 100 anos é 100 vezes inferior.

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