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Os mercados estão manipulados

Nos últimos meses, os mercados têm levantado dificuldades acrescidas em termos de “trading” de curto prazo aos profissionais do sector e aos investidores em geral, levando frequentemente a situações em que as oscilações atingem mais de 1% em pouco tempo, e fazendo com que os stops sejam atingidos para retomar depois o caminho contrário. A análise técnica, instrumento que reflecte o simples compromisso entre a oferta e a procura, tem sido pouco eficiente em resultado de movimentos que se podem considerar anómalos.
Ao ler um relatório da empresa americana TAAB penso ter encontrado o motivo das minhas dúvidas quanto aos méritos da análise técnica no investimento para o século XXI.
O problema (porque disso se trata),  envolve 2% dos intervenientes no mercado e chama-se “high frequency trading”, ou negociação de alta frequência.
Segundo o TAAB Group, o “trading” algorítmico nos Estados Unidos representou 70% do volume negociado em 2009 e teve origem em 2% das empresas de corretagem e de investimento. Nos Estados Unidos, existem cerca de 20.000 empresas neste sector, mas só 2 % representam os tais 70% do volume.
“High frequency trading” são sistemas informáticos que actuam em milionésimos de segundo, tendo por base modelos quantitativos, para intervir nos mercados de acções, e futuros. Estes sistemas computorizados são capazes de “ler” os preços do mercado e transmitir milhares de ordens por segundo (não é erro), introduzindo, cancelando e reintroduzindo ordens consoante as alterações do mercado, sem intervenção humana.
Estes sistemas configuram, no nosso entender, manipulação de mercado, pelo menos por quatro razões:
1 – O investidor tem que pagar o “feed” da bolsa para ter preços em tempo real. Independentemente de ser já uma das maiores aberrações o investidor ter que pagar para obter as cotações que se estão a fazer antes de poder negociar, a realidade é que quando esse preço lhe chega, ele já deu origem a intervenções de 2% dos participantes do mercado, que puderam actuar nos tais milionésimos de segundo. Existe manipulação quando alguns intervenientes no mercado beneficiam de condições especiais.
2 – Estas empresas utilizando “high frequency” tiveram 21 mil milhões de lucros em 2008, o que demonstra claramente que existe uma vantagem competitiva. Todos se recordam como a Goldman Sachs levou a tribunal o seu antigo programador Aleynikov por roubo de segredos de “trading”, porque acredita que, se a sua concorrência tiver acesso à mesma programação a sua vantagem competitiva com origem na velocidade e eficiência das ordens seria diminuída de forma significativa.
3 – Na verdade, a velocidade de negociação destes sistemas distorce a realidade do mercado, sendo possível agora de modo electrónico fazer aquilo que foi proibido manualmente a “traders” e investidores, ou seja, o lançamento e posterior anulação de ordens no sistema, por configurar manipulação de mercado. Como referimos, um sistema deste tipo pode introduzir e cancelar milhares de ordens por segundo.
4 – A velocidade é ainda um factor de manipulação, porque permite aquilo que se designa por “front running”. Este é dos pontos mais importantes porque aqueles que colocam ordens no sistema para fecho de posições de compra ou de venda estão expostos ao risco de mercado antes de receberem a confirmação da execução, enquanto os que dão liquidez ao mercado colocando ordens para comprar ou vender estão sujeitos ao risco de verem as suas ordens ficarem no mercado enquanto o preço se afasta. A velocidade dos sistemas de “high frequency trading” tem como objectivo permitir que as suas ordens sejam executadas antes, das ordens daqueles que não têm essa capacidade.
O pior é que os sistemas de “high frequency trading” podem vir a tornar-se ainda mais conhecidos por razões piores. Alguns participantes indirectos com sistemas de “high frequency trading” (hedge funds, por exemplo), fazem-no através de “clearing members” (instituições membros das bolsas com capacidade para liquidar), entidades que são responsáveis pelos “tardes” executados nas bolsas através da sua associação às câmaras de compensação. Assume-se que nestas condições existam estruturas de gestão do risco, quer ele seja de crédito quer ele seja de negociação, como forma de segurança. Existem dois tipos de acordo com estas instituições: o acesso supervisionado (sponsored access) e o acesso não supervisionado (unfiltered sponsored access). O sistema com filtro é obviamente mais lento que o outro e é por isso certamente menos utilizado.
Com o intuito de manter ou obter negócio em período de crise, muitas serão as instituições tentadas em facilitar, até porque não existe regulamentação sobre este assunto.
O risco existe se por qualquer razão o sistema ficar “maluco” (trata-se de um algoritmo) por motivos técnicos. Apesar dos participantes serem responsáveis pela integridade dos seus sistemas, a realidade é que a todos os níveis em todos os sectores já houve perda de informação ou adulteração de bits e bytes.
Nos mercados é conhecido o erro de 2002 da Bear Stearns que com uma ordem de 4 mil milhões fez baixar o índice Dow Jones em 100 pontos quando a ordem era “só’” de 4 milhões.
Em 2007, na Morgan Stanley, uma compra de 10.8 milhões foi transformada em 10.8 mil milhões. Sempre que existe um erro deste tipo são negociados muitos outros milhões de títulos por simpatia com o movimento original, porque são induzidos nesse erro.
A crise que vivemos demonstra que os níveis de risco nas grandes instituições financeiras não foram reduzidos e, pelo contrário, foram aumentados como comprovam os resultados dos grandes bancos de investimento Americanos.

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