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O que é que nós temos a ver com o déficite americano?

Já todos ouvimos falar nos famosos déficites americanos, mas poucos, se calhar, têm a verdadeira noção do problema até porque, apresentado na sua forma económica, dá sempre aspecto de ser um problema complicado para outros resolverem e que nada têm a ver connosco.

De que é que se fala então? Fala-se do déficite da balança de transacções e do déficite orçamental.. O primeiro é o diferencial entre todos os pagamentos feitos fora do país e os pagamentos feitos ao país (basicamente a diferença entre importações e as exportações e capitais) o segundo é o diferencial existente no orçamento e relativo a todas as receitas e todas as despesas do país.

Voltando ao déficite da balança de transacções americanas verifica-se que esse diferencial é negativo e no valor de cerca de 586 mil milhões de dólares por ano o que significa que os americanos todos os dias ficam em divida para com o estrangeiro em aproximadamente 1,6 mil milhões de dolares, para manterem intacto o seu estilo de vida.

O déficite orçamental cujo montante em 2003 era de 455 mil milhões de dólares é financiado por certificados de dívida do País, obrigações, que podem ser adquiridas por particulares, instituições, organismos de Estado e Países estrangeiros e cujo juro acresce ao déficite.

Convém agora relembrar que este valor é relativo ao ano fiscal de 2003 o qual foi juntar-se à divida já acumulada de cerca de 6.5 triliões de dólares (o que dá um total de cerca de 7 triliões). Em 2004 acrescentaram-se mais 596 milhões, e contas feitas, a divida de cada americano é de 30.000 dólares.

É claro que nenhum americano entende esta divida como sendo sua. Eles já têm as deles que dizem respeito á casa, ao carro, aos cartões de crédito, só faltava terem também a do País.

Se todos os americanos tivessem essa preocupação comprariam as obrigações do tesouro americano e estariam a comprar dessa forma divida do País e simultaneamente a poupar para o futuro, um designio verdadeiramente patriótico. Infelizmente não é essa a perspectiva do povo americano, o que obriga a que a divida seja financiada por estrangeiros, nomeadamente chineses e japoneses.

Os Japoneses não são aqui a preocupação porque são clientes habituais da divida Americana e não têm pretensões a liderar o mundo. Muito se especulou sobre essa possibilidade nos anos 90 quando se previa ser possivel uma maior interncionalização do yen. O tempo provou não ser essa a intenção dos Japoneses. Os Chineses, ao contrário, têm essa intenção. Têm também a dimensão de um mercado interno que é o maior do mundo, e têm, tanto quanto é do dominio publico, um pé de meia com mais de 2.2 triliões de dólares em divida Americana, os famosos Treasury Bonds.

O mercado das obrigações americanas é um dos 3 maiores do mundo, pelo que se pode considerar que com estes montantes em causa, a China está a comprar o futuro dos Estados Unidos.

Está simultaneamente a hipotecar o futuro da classe média americana ao patrocinar o maior movimento de deslocalização da industria, e que é responsável por este ciclo de não inflação vivido pela economia mundial. Uma hora de trabalho custa 16 dolares nos Estados Unidos e a mesma hora custa 0.61 cêntimos na China. Não admira que assim a China produza quase tudo o que se consome nos Estados Unidos.

A América está a ficar refém deste colosso, drogada por um consumismo cada vez mais acessivel proporcionado pela China e simultaneamente financiado pela mesma China.

Em face deste mais que evidente contrapoder económico, politico e militar que a China hoje representa, o que é surpreendente são as propostas que o Presidente Bush tem para este seu mandato. O corte efectuado nos impostos nos primeiros 4 anos beneficiou as grandes fortunas americanas mas reduziu a classe média existente. A última vez que uma politica idêntica foi praticada nos Estados Unidos, originou um periodo de expansão que terminou com o crash de 1929 e uma recessão que só foi controlada por Roosevelt e com um aumento das receitas Federais em mais de 90% e um governo Federal dominante, apelidado de Soviet America. Eventualmente por causa da segunda guerra mundial ou talvez pelas medidas tomadas, a realidade é que Roosevelt conseguiu criar de novo uma classe média forte, capaz de dinamizar a América.

O Orçamento Federal preconizado por Bush este mês tem a particularidade de cortar radicalmente com as bases traçadas por Roosevelt e que serviram de base ao sonho americano. Independentemente de se especular sobre as virtudes ou defeitos, se passar, este orçamento, vai ter a responsabilidade de alterar a América tal como é conhecida hoje e certamente acabar com a classe média que foi a sua estrutura basilar nos longos anos de progresso.

Voltemos agora à questão original, que temos nós a ver com o déficite americano? Tudo. Porque o mundo está habituado a estar dependente do ciclo económico americano e habituado ao seu consumo e liderança, e por fim está habituado ao padrão dolar. Ao primeiro sinal de que o governo Bush der de tentar reinflacionar a sua economia imprimindo moeda, milhares de investidores em obrigações do tesouro americano irão vender os seus activos fazendo disparar as taxas de juro

Um problema deste nivel irá levar a que as pensões e os programas sociais sejam cortados em toda a sua extensão e reservados provavelmente aos mais necessitados. O desemprego pode atingir numeros assustadores e com o desemprego vem a contestação ou talvez pior. A Nato discutiu recentemente na Covilhã os ciclos de Kondratieff e a guerra, e fez a ponte entre as grandes alterações que se verificam no mundo quando se está perante uma alteração da potência dominante.

Esta não é ainda a situação que se vive, mas será que faltará muito tempo? Retomando a questão dos ciclos agora analisados pela Nato convém recordar que existe um ciclo industrial de 60 anos que projecta para a China ser o lider mundial do 3º Millenium. A América ocupou esse lugar nos anos 20 do século passado, o Japão os anos 80. Como todos sabemos os excessos deste ciclo industrial tiveram o seu expoente máximo em Bolsa e resultaram em crises económicas profundas, nos Estados Unidos e no Japão.

Este texto não pretende tirar conclusões ou fazer futurologia, mas se permitir um contributo para uma melhor avaliação da situação, cumpre o seu objectivo.

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