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O drama dos números

Há já algum tempo que sofro de insónias, mas recentemente li no European Journal of Psychiatry que quatro em cada 10 pessoas sofrem do mesmo. Com a notícia, durante breves segundos fiquei com a sensação de ter melhorado. Afinal, 40% dos adultos sofriam do mesmo mal que eu. Contudo, rapidamente percebi que isso não me iria ajudar em nada para ter uma boa noite de sono.

Imagino que os desempregados Portugueses e da Europa devem ter como eu momentos semelhantes. Quando os governantes vêm falar com números da recuperação da situação económica, por instantes devem sentir que as coisas melhoram e depois percebem que continuam desempregados e que nada mudou.

Creio ser este um dos grandes dramas do século XXI: o drama dos números e a crescente tendência para uniformizar, ao contrário de individualizar, a tendência para criar dimensão em vez de a reduzir, a vontade para padronizar em vez de particularizar e a ânsia em regulamentar em vez de responsabilizar.

Os números deste século são maiores, fala-se em biliões, triliões e ao mesmo tempo em aumentos percentuais que na prática representam poucos euros e por vezes só alguns cêntimos. Pergunto-me se as pessoas perceberão alguma coisa de números para não se ofenderem com aquilo que lhes apresentam com pompa e circunstância.

A uniformização é uma tendência que vem do século passado, somos tratados como números avulso, na administração pública e nas grandes empresas. As estruturas são criadas para que ninguém tenha poder de decisão e de avaliação e, como tal, ninguém tem capacidade para decidir.

Isto é resultado da dimensão das coisas, do número de leis, do crescimento das empresas por via de fusões e aquisições, do tamanho da função pública, das modas que facilmente se globalizam, das zonas económicas que agora extravasam os países, para juntarem vários países, do número de comissões que são necessárias criar para acompanhar e enquadrar este desenvolvimento.

Este enquadramento serve para padronizar. Somos todos cada vez mais iguais nas nossas opiniões e cada vez mais a nossa opinião tem que incidir sobre algo cada vez maior, mais globalizado, sobre o qual na maioria das vezes não temos conhecimentos.

 

Não sabemos limpar as nossas ruas e as nossas cidades mas temos uma opinião sobre a necessidade de não poluir o mundo. Não conhecemos o mundo nem as suas culturas específicas, mas temos uma opinião sobre a necessidade de mudar as coisas em outros países.

É difícil não recordar a recente conferência sobre o clima na Dinamarca. Desde que Al Gore ganhou um Óscar com um documentário sobre o aquecimento global, que o mundo tem batido sucessivos recordes de frio, pelo que a evolução do marketing levou-nos para uma designação mais consentânea que é a alteração do clima.

Foi uma evolução. O povo já não tem medo do aquecimento global e passou a ter medo das alterações climáticas.

Pessoalmente, o que me assusta é que se dê carta-branca aos governos para controlarem o tempo, quando não existe evidência que consigam controlar descargas de algumas indústrias, como a suinicultura, ou garantir um melhor tratamento dos resíduos, ou tantas outras coisas que cada um de nós com atenção se lembrará.

Ainda não sabemos como, ou se, iremos controlar as dívidas galopantes do mundo, e já temos como objectivo melhorar as condições climáticas. Imagino que estaremos todos mais confortáveis, agora que anunciaram estarem a ocupar-se desse assunto.

Os peixes têm que nadar, os pássaros têm que voar e as pessoas têm que fazer figura de parvas. Esta é a versão moderna daquilo que o meu avô afirmava no século passado: ”Um homem é um homem, um bicho é um bicho e um elefante tem uma tromba deste tamanho” . Dizia-me isto quando me queria demonstrar que as coisas eram o que eram; hoje, gostaria de ter deixado claro que as coisas não são o que são.

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