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O bom senso

Fui visitar um cliente em casa deste e enquanto esperava, ouvi esta interessante troca de palavras:

‘’Acabámos de te pôr o almoço na mesa, o minimo que podias fazer agora era levar os pratos para a cozinha’’, dizia a dona da casa. ‘’Não vejo porquê! Se foste tu que me convidaste para vir cá passar as férias… Não me podes convidar e depois obrigar-me a trabalhar,’’ dizia o filho.

Passados poucos instantes o meu cliente entrava no salão onde me encontrava e convidava-me a entrar para o seu escritorio, ao mesmo tempo que me pedia desculpa pela acesa conversa que escutara. Explicou-me então que o filho, com 18 anos, pretende ser mais independente e imagina que pode fazer o que lhe apetece.
Sem querer intrometer-me na questão familiar, sempre fui dizendo ao meu cliente que um dos problemas dos jovens na actual sociedade está na dificuldade em encontrarem trabalhos que lhes permitam, nestas idades, entender a racionalidade económica que existe no trabalho. Não existe mais a possibilidade dos jovens trabalharem numa arte ou oficio durante as férias, debaixo da supervisão de um mestre e sentirem a progressão dos seus conhecimentos. Também não é possivel encontrar um verdadeiro mentor, numa qualquer actividade, que acompanhe o jovem. O que existe  são situações de favor em que o que acontece é o jovem ganhar uma visão distorcida da realidade ao pensar que está a produzir alguma coisa quando, na realidade, não está a fazer nada e acaba por ficar com uma ideia errada da noção de trabalho.

O meu cliente explica-me que é exactamente isso que está a acontecer. Pediu um favor a um amigo para ter o seu filho no escritório a trabalhar durante as férias e a mesada passou a ser dada pelo amigo como se fosse a compensação pelo trabalho desenvolvido, que aparentemente não é nenhum.

Nessas circunstancias e conhecendo eu o pai, ficou claro para mim que o filho não percebeu que na eventualidade de o seu pai solicitar ao amigo o fim do acordo, corre o risco de vir a ter que baixar o seu nivel de vida se lhe cortarem a mesada. Imagino que o filho, como quase toda a gente, gasta dinheiro pelo simples facto de ter dinheiro para gastar.

Tempos confusos estes em que actual geração tem dificuldade em transmitir valores à proxima,tais como a simples noção de que ter dinheiro não é razão suficiente para o gastar. O pai afirmava-me que sempre haviam vivido de forma modesta e que deveriam continuar a fazê-lo, mas que compreendia a confusão do filho quando via que alguns dos seus amigos recebiam dos pais 100 euros por semana sem fazerem nada e outros que até tinham rcebido carros simplesmente por irem para a universidade.

Se o dinheiro está no subconsciente de todos, o valor do dinheiro só está no consciente de alguns, disse ao meu cliente, enquanto acrescentava que tinha passado o fim de semana com um casal amigo chinês que muito prezo, que me tinha contado as dificuldades porque tinham passado até abandonarem a China comunista nos anos 90. Comparado com as narrativas deles as histórias do meu avô em que referia a divisão de uma sardinha pelos 3 irmãos fazia dessa sardinha um manjar.

Fica claro que para além da globalização, a vontade de acumular dinheiro vai ajudar   aos desiquilíbrios existentes entre Oriente e Ocidente, como ficou também claro no sentimento expresso pelo meu cliente: ‘’Porque é que não ouso viver tão bem quanto poderia? Porque é que poupo dinheiro, se ninguém está preocupado em fazer o mesmo, nem mesmo o Estado? Para o gastar mais tarde? Porque não agora, enquanto posso?’’

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