Loading...

Blog

ONDE FALAMOS DE BOLSA
Home / Blog

Bolsa Norte-Americana : Verdades Financeiras Inconvenientes

O destino da economia mundial está totalmente dependente da economia norte-americana, que, por sua vez, está totalmente dependente dos mercados de capitais, cuja valorização está dependente de aproximadamente 50 empresas, metade das quais nunca apresentou resultado positivos!

Esta foi uma declaração de Paul Volker, antigo presidente da Reserva Federal (FED), o banco central norte-americano, em 2004.

Paul Volker já morreu, mas o seu raciocínio mantém-se actual, com uma pequena alteração: O destino da economia mundial está totalmente dependente da economia norte-americana, que, por sua vez, está totalmente dependente do mercado de capitais, cuja valorização está dependente de 5 empresas, duas das quais nunca apresentaram resultados – a Netflix e a Amazon, esta última tem apresentado resultados quase insignificantes, face à facturação.

A economia tem ciclos que são estudados pelos académicos e conhecidos de todos graças aos políticos e aos media.

São os ciclos de expansão económica e de recessão, aqueles que são do domínio público, mas existem outros, que, de tão habituais e enraizados nas tradições, nem são considerados como tais, como os ciclos sazonais ligados às estações e que são usados pelos agricultores nas suas fainas.

O mercado de capitais, para além dos referidos, tem os seus próprios ciclos e é talvez a área em que eles são mais analisados.

A pergunta que muitos estarão a fazer é:

Pode então o ciclo económico ser previsto com a ajuda do mercado?

A resposta é: Já não pode.

O que movimenta os mercados é o fluir dos capitais. As condicionantes deste fluir dos capitais podem estar relacionadas com imposição fiscal, taxas de câmbio, taxas de juro, condições de emprego, mas, desde a crise de 2008, o que movimenta os mercados são essencialmente os Bancos Centrais – mais ninguém!

Há talvez 35 anos, os capitais movimentavam-se em 90% dos casos por razões comerciais; somente 10%por razões de investimento.

15 anos era exactamente o contrário, 90% com origem em operações de investimento; desde então, o papel dos Bancos Centrais é fundamental, porque eles representam na prática o mercado, com as suas intervenções directas e indirectas; por exemplo o BCE tem um balanço que já representa 60% do PIB da zona Euro e essa intervenção é feita exclusivamente nos mercados de capitais, em particular no mercado de dívida, através da compra sem fim de obrigações emitidos pelos estados da zona Euro.

Como consequência, os preços passaram a estar distorcidos.

No estudo dos ciclos, 2020 deve ser considerado um ano de transição, com um aumento de volatilidade e de intensidade acentuado pelas medidas em reacção à crise Covid-19. Isso mesmo tem-se confirmado.

As eleições nos Estados Unidos têm um ciclo político indexado ao ciclo presidencial; por sua vez, o ciclo político sempre foi unha com carne com o ciclo económico.

Agora procura-se associar esse ciclo económico ao desempenho do mercado de capitais. Este ciclo presidencial deveria acabar como acaba normalmente, com uma recuperação da economia e da bolsa de valores no último ano de mandato.

Neste sentido, a FED está a fazer tudo para que isso volte a acontecer, utilizando a MMT – moderna teoria monetária – e permitindo que o governo emita mais e mais divida que é comprada pela FED, utilizando dinheiro criado do nada…pela FED.

Vários aspectos devem ser considerados para uma correcta avaliação do ciclo económico.

A América, que deveria estar no início de um ciclo de alta das taxas de juro, está com as suas taxas manietadas pela FED em mínimos históricos.

Em 19/11/2004, Alan Greenspan, o presidente da FED, tinha afirmado num discurso que a subida das taxas já tinha sido publicitada o suficiente para que quem não estivesse preparado e protegido para essa eventualidade, teria certamente vontade de perder dinheiro.

O facto é que as taxas não só não subiram, como 16 anos depois, não estão mais em condições de voltar a subir com o descomunal volume de dívida existente. A FED é agora um instrumento indispensável para o governo norte-americano financiar o seu orçamento – o único comprador das suas obrigações.

A paragem da economia com a chegada da Covid está a levar a práticas de governo entendíveis como totalitárias, ou pelo menos de governação sem limites, com a severa limitação de liberdades.

Finalmente, o conflito latente com a China parece claramente um momento de transição muito mais profundo que a alternância política ou a concretização de políticas económicas com impacto local.

Trata-se de uma primeira tentativa de substituição da superpotência económica Estados Unidos, locomotiva da economia mundial até agora, por outra ou outras superpotências.

Tradicionalmente, o estatuto de superpotência sempre esteve associado uma moeda forte e, nesse contexto, o comportamento da moeda norte-americana deve ser seguido com atenção, assim como os metais preciosos. Este facto é um precioso auxiliar a uma melhor visão do futuro.

O paradigma de novas políticas como a MMT (nova teoria monetária), ou o rendimento mínimo garantido é sintomático da mudança de mentalidades e da necessidade de se encontrar um processo de mudança que melhor se adeque à sociedade.

Este é um sinal claro de que a retórica politica terá nos anos mais próximos que enfrentar alterações radicais para evitar conflitos sociais, mas, por enquanto, a percepção da maioria das pessoas é que o seu risco está limitado pela protecção que lhes é dada pelos políticos e bancos centrais, com a regular chegada de cheques ou de subsídios, ou com moratórias e outros paliativos que apenas empurram o problema para o futuro.

A verdade é que ainda se fala hoje na necessidade que a economia tem do consumidor e do seu nível de consumo, mas a realidade é que neste contexto e nesta realidade, a verdadeira necessidade é de poupança.

As medidas que estão a ser tomadas, na sua essência, não são diferentes das medidas já experimentadas na Argentina, na Venezuela ou no Zimbabué e que, como se sabe, acabaram por trazer a miséria às populações.

A necessidade de poupança é porque em condições normais os governos não conseguiriam o dinheiro que precisam sem aumentar impostos ou captando o aforro emitindo por dívida a taxas de juro num mercado livre – algo que presentemente não existe.

Esperemos que os políticos tenham a visão estratégica para não ter que ser demagogos e se preparem para um novo sistema monetário.

Os mercados financeiros deveriam contrair-se globalmente nos próximos anos, mas estão impedidos de o fazer pelos bancos centrais. O fluir dos capitais não é possível com bancos centrais que estão sempre a criar dinheiro.

As grandes euforias no mercado de capitais dão-se quando existe uma grande concentração de capital num sector determinado, quando este capital se desloca dão-se geralmente também os grandes crashes.

O mesmo acontece com as economias, quando o capital se desloca de uma determinada economia para outra. Este é o equilíbrio que os Bancos Centrais procuram manter.

O destino da economia mundial vai estar dependente da economia global, que por sua vez estará totalmente dependente do mercado de capitais e cuja valorização estará dependente de aproximadamente 5 novas empresas.