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As sementes da próxima crise

A Goldman Sachs apresentou resultados trimestrais muito bons, o que foi motivo suficiente para fazer subir o mercado americano no seu todo cerca de 2% no dia do anúncio dos resultados, ou não fosse a Goldman Sachs uma empresa emblemática.

Curioso no entanto foi verificar que a maioria dos seus resultados vêm de “trading”. E mais curioso ainda é verificar que o banco aumentou substancialmente a sua exposição ao risco. A esta curiosidade junta-se uma outra, relativa ao roubo de código fonte de programas automáticos de “trading” por um antigo funcionário, que de acordo com a Goldman Sachs pode afectar a empresa, e segundo o US “assistant attorney general” tem potencial para manipular o mercado.

Vejamos a exposição ao risco. Os bancos nos Estados Unidos são obrigados a divulgar à SEC (a nossa CMVM) a sua exposição ao risco medida pelo VAR (Value at Risk). Nos relatórios trimestrais e de acordo com o último, este tinha atingido um novo máximo de 245 milhões de perdas potenciais num dia, para a Goldman. Na Goldman, este VAR esteve sempre em crescendo mesmo nos momentos mais críticos da crise no sistema financeiro – cerca de 133 milhões em Março de 2007 e de 184 milhões em Junho de 2008. A constatação óbvia é que o risco foi substancialmente aumentado, entre 50% e 80%, mesmo enquanto recebia milhares de milhões do governo.

Todo o sistema financeiro continua assente no pressuposto de que o risco é controlado pelas administrações das instituições e pelos respectivos departamentos de risco, utilizando os mesmos modelos que levaram à falência o LTCM, o Bear Stearns ou a Lehman Brothers.

Esta situação com a Goldman Sachs demonstra que o risco não foi reduzido antes foi ampliado como vimos, e demonstra também que as lições da crise não foram aprendidas. A menos que o conceito ”too big to fail” seja uma garantia implícita para que estes bancos que são grandes demais para falir possam fazer o que entenderem, a continuar assim estamos a caminho da próxima crise. Efectivamente, o risco não pode ser calculado matematicamente quanto mais não seja porque as posições destas entidades não podem ser fechadas num dia, e como foi possível constatar a diversificação dos activos não resolve o problema porque todos eles caíram por contágio.

Falemos agora do “software” conhecido por “algorithmic trading”. Independentemente de permitir ou não manipular o mercado, concentremo-nos apenas numa particularidade deste tipo de “software”: a falsa sensação de volume, porque é um ponto importante para o risco de que falámos anteriormente. Se uma instituição faz os seus cálculos de VAR baseado em volumes de 10 milhões por dia de um determinado título, pode sentir-se confortável ao comprar um milhão de títulos porque também os poderá vender facilmente, mas se 80% do volume for falso por ter origem no “trading” algorítmico então podem estar plantadas as sementes para uma próxima crise.

O “trading” algorítmico está muito em voga e tem tido o incentivo das bolsas, porque implica grande rotação de negócios.

Existindo mesmo vontade de intervir de forma profiláctica nos mercados antes dos problemas acontecerem, estes são alguns dos indícios que se devem procurar.

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