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A economia o mundo financeiro e o jardineiro

O artigo sobre a crise que haviamos colocado na home page do site da DIF, originou que tenhamos recebido alguns comentários interessantes, sobretudo porque confirmaram a necessidade de se falar das coisas da economia numa linguagem acessivel a todos. É isso que vamos tentar continuar a fazer, porque quando se ouve falar de tantos milhões, biliões e triliões, as pessoas perdem totalmente a noção das realidades e a maior parte delas acaba por não saber do que fala.


Primeiro tentaremos explicar o que é este mundo financeiro em que vivemos, mostrar-lhes que realidade é esta em que ninguém reparava mesmo quando usufruia os seus beneficios.
Para ilustrar a nossa estória escolhemos um jardineiro, mas poderiamos ter escolhido um profissional de hotelaria, um comerciante, um industrial ou outro qualquer profissional. O nosso jardineiro ganha 30 euros por dia com o seu trabalho de jardinagem. Um banco de investimento vê nisso uma oportunidade e rentabiliza a sua jardinagem para ganhos de 35 euros por dia. Propõe-lhe a criação de uma empresa e vende ao publico as acções dessa empresa de jardinagem por um PER de 20 ou seja 20 x 5 euros x 250 dias por ano = 25.000 euros. (sendo que PER é o numero de anos que o investidor levará a recuperar o seu capital, 5 é o acréscimo de rentabilidade que lhe permite obter aquele resultado e os 250 é o numero de dias úteis de trabalho, apesar do banco considerar como base nas suas análises o ano civil, 365 dias). Neste caso o lucro anual seria de 5 X 250 = 1250 o que representa uma rentabilidade de 5% ao ano. Os subscritores deste capital (no publico) compram pelo preço de 2 cada acção de valor nominal 1, para que o nosso jardineiro possa guardar 50% do capital da empresa. Depois desta operação a empresa de jardinagem passa a ter uma valorização de 25.000 euros correspondente ao seu capital.
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O banco de investimento estrutura um empréstimo obrigacionista de 20.000 euros, encontra um “hedge fund” que o subscreve na totalidade e utiliza esse montante para se fazer pagar pelo desenvolvimento de toda esta operação (colocação das acções e das obrigações).
O banco de investimento tem  agora um lucro de 20.000 euros, o “hedge fund” uma obrigação (titulo de divida) do mesmo montante que lhe paga um rendimento anual, os accionistas 25.000 euros em acções. O jardineiro continuará a ganhar os mesmos 30 euros por dia (porque os 5 conseguidos nas melhorias introduzidas pelo banco, servirão para amortizar o empréstimo obrigacionista efectuado) mas detém agora 51% da empresa que vale 25.000 euros e passou a ter uma responsabilidade de 20.000 euros.
Resultado, produz-se o mesmo mas este tipo de operações permitiram atribuir um maior valor aos activos e permitiram, sobretudo, aumentar exponencialmente a divida existente na economia.

Senão vejamos como passou a ser  a situação do nosso jardineiro agora empresário.
Com os seus 30 euros por dia tem um rendimento mensal de 900 euros mas com o património em acções, (securitizado) de 51% da sua empresa equivalente a 12600 euros, permite-se gastar 1500 euros por mês. Para manter o seu nível de vida de 1500 euros, é financiado na diferença necessária de 600 euros ao mês (só ganha 900) por créditos pessoais e cartões de crédito. A situação pode manter-se durante algum tempo, pelo menos enquanto as garantias que tem se mantiverem a um nível de cobertura aceitável mas não pode certamente manter-se eternamente, e está sujeito a “gripar” com qualquer grão de areia. Por grão de areia podemos considerar uma alteração conjuntural (como a que está a acontecer) que origine uma diminuição do seu negócio e faça com que a sua avaliação de risco se altere e rapidamente a situação se tornará insustentável.
Com a crise, a nossa empresa de jardinagem passou a ter a concorrência de novos jardineiros, a maioria recentes desempregados que vêem na jardinangem uma forma de sobrevivencia e passaram a fazer o mesmo trabalho a 15 euros ao dia.
Este acontecimento tornou-se um problema para o nosso jardineiro, accionista maioritário da sua empresa, com uma divida importante com origem no empréstimo obrigacionista de 20.000 euros  e que para manter os seus clientes passou a ter que baixar os preços para acompanhar a concorrência que lhe estava a ser feita pelos recentes desempregados.
Criativo, o nosso jardineiro, que já tinha ouvido falar da securitização ou titularização, vê nisso um conceito excelente, desde que  pudesse estender-se às famílias. Assim, propõe ao banco o seguinte produto estruturado:

Com a denominação ”Familia Estruturado”, este produto inclui o seu empréstimo à habitação (cerca de 75% da sua divida), o empréstimo para o carro (15%), e um outro para o consumo que utilizou para comprar hi-fi, televisões e computadores e finalmente um cartão de crédito (10%). Este produto estruturado tem por base o seu crédito à habitação, que é a componente de menor risco atendendo a que tem uma garantia real e uma taxa de juro mais baixa (está a pagar 4,8%). Junta-lhe o cartão de crédito com taxas de 20% mas maior risco e no meio coloca o seu crédito ao consumo incluindo o carro com taxas de 12%. Este produto está garantido pelo imóvel que é suposto ter uma garantia constante e pode ser colocado à venda a outros investidores como um produto de capital garantido a 30 anos e uma taxa de juro fixa de 7.5% que é bem acima da remuneração actual do capital e está garantido pelo imóvel.
O Banco vê neste produto uma oportunidade e sugere que seja subscrito com a designação ”Agregado ‘’Feliz’’ pora ser mais apelativo.
Os responsáveis pelas dividas podem assim receber o dinheiro para liquidar o seu empréstimo à habitação e continuar a pagar a remuneração do seu produto a uma taxa vantajosa porque essa foi a responsabilidade que assumiram.
Os tomadores destes produtos, os aforradores, podem ter uma aplicação sem risco com uma taxa mais vantajosa que as outras tradicionais aplicações.
O banco, escaldado com a crise do subprime, informa logo o nosso jardineiro que ele não poderá fazer o que originou esta crise ou seja utilizar o dinheiro para comprar outra casa e multiplicar a divida de modo a criar outro produto estruturado para colocar no mercado, porque o numero de compradores de imóveis não é infinito.
Assim, com esta preocupação ultrapassada, não teria surgido o problema que aconteceu, ou seja, que as casas num qualquer dia começassem a desvalorizar por falta de compradores. Afinal de contas uma família não pode ocupar mais que uma casa.
Este tipo de situações, contrariamente ao que se possa pensar, também pode acontecer a países tidos como seguros, como muito bem se sabe agora pelo exemplo recente da Islândia e outro menos recente mas igualmente famoso como o da Argentina. A moral desta história fica ao critério do leitor.

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