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A actual situação crise ou oportunidade

Os recentes acontecimentos no mercado fizeram com que, se tivermos em consideração os actuais niveis das taxas de juro, as acções pareçam estar baratas. A verdade, porém, é que os indicadores técnicos nos parecem pouco sólidos,  atendendo a que foram quebrados niveis de suporte importantes. Não admira. pois, que os investidores estejam nervosos. O mercado americano teve o pior inicio de ano desde sempre. A taxa de juro das obrigações a dois anos americanas  está nos 2.39%, o que demonstra, claramente, que estas obrigações estão a servir de refugio para os receios existentes.

Tendo as quedas sido acentuadas em todos os mercados, não houve um só que ficasse imune a elas
As perdas verificadas até agora, só este ano, foram as seguintes:

PSI 20       16.9%
IBEX 35      16.8%
EuroStoxx50  15.8%
SP500        13.8%
Russell 2000 15.9%
MSCI World   14.6%

Este é um momento que justifica, uma comunicação nada habitual sobre a nossa visão do mercado, especialmente tendo em conta que existe muita informação neste momento, mas quase toda inconclusiva para o investidor.

Assim, gostariamos de chamar a vossa atenção para o facto de não ter havido nenhum mercado refugio. Só a liquidez teria impedido os investidores de não serem afectados pelos acontecimentos.

É importante ter agora uma visão de médio longo prazo e não desejar uma natural segurança de curto prazo que só uma carteira constituida por liquidez poderia dar. O risco tem um preço.É a gestão desse risco que deve ser equacionada

Os investidores mais experientes, sobretudo os investidores institucionais, estão neste momento na  expectativa de uma correcção  do movimento de descida mas a experiência não é garantia de que se possa ganhar dinheiro com essa correcção. Vejamos porquê.

Em termos macro económicos o FED está a travar uma espécie de guerra de guerrilha simultâneamente contra a inflação e a deflação Contra a deflação porque o valor dos activos está a ser reavaliado pelos mercados e isso está a ser feito com as baixas verificadas nas bolsas no imbiliário e agora nas matérias primas. Contra a Inflação porque os Bancos Centrais continuam a injectar liquidez no sistema e é esse aumento de liquidez que é gerador de inflação.

Em termos práticos convém lembrar que as recessões,tal como os crash na Bolsa, não acontecem quando toda a gente as espera. Acontecem quando, depois da euforia dos máximos, uma correcção violenta é vista só como uma correcção. Não é o que está a acontecer agora. Todos os participantes nos mercados estão cada vez mais receosos. A intervenção do FED e do seu presidente ao cortarem as taxas em 0.75% é a confirmação clara de que Bernanke está a aplicar aquilo que apregoou durante a sua carreira académica, ou seja, é preciso actuar de forma decidida logo que existe uma indicação de potencial problema. Este não é um potencial problema, ele é um real problema e por essa razão apoiou um estimulo fiscal de 150 biliões de dolares apresentado pelo presidente Bush, para ajudar na conjuntura. Convém lembrar aqui que nenhum País tentou mais estimulo fiscal que o Japão nos anos 90, inclusive colocando o juro à taxa 0%. Resultou?  Não.

Acreditamos, no entanto,, apesar de fazermos parte de uma minoria,, que assistiremos a uma recuperação dos mercados nos próximos meses, pelo menos da amplitude das perdas agora registadas. Porquê? Porque os esforços do FED para evitar a recessão ainda só agora começaram, para além de estimulo fiscal, de baixas nas taxas de juro ainda podem utilizar o Plunge Protection Team ( o comité criado depois do crash de 1987 para evitar situações similares). Uma recessão irá certamente acontecer se a situação ficar fora de controle, o que, como já vimos, pode perfeitamente materializar-se. Como saberemos se isso vai efectivamente acontecer? Se o SPX (o indice das 500 maiores empresas americanas) não regressar rapidamente a niveis acima de 1326, estaremos numa situação similar à vivida pelos mercados entre 2000 e 2003.

Se isso acontecer a estratégia a seguir será assegurar-mo-nos que se estará vendido nos indices e comprado em ouro. A razão prende-se com o facto de um ciclo de baixa durar 2 a 3 anos e essa será a tendência dos indices. A posição longa no ouro beneficiará da inflação que irá chegar, em resultado dos excessos de liquidez que vão ser injectados no sistema para evitar a recessão e da consequente desvalorização das moedas e particularmente da moeda americana.

Os aficionados de mercados emergentes deverão considerar que uma recessão nos Estados Unidos ainda terá repercussões em todo o mundo como se viu nas reacções dadas pelos mercados. Países como a India, China ou Brasil, não têm ainda consumo interno suficiente que substitua as perdas sofridas com uma recessão Americana. Apesar das performances espectaculares da China o país será também afectado. Neste caso existe uma agravante. O banco Central Chinês tem vindo a actuar regularmente nos últimos 6 meses aumentando as taxas e as reservas de caixa dos bancos com o intuito de travar a inflação. Apesar desse esforço, o crescimento espectacular da China originou certamente situações de desleixo financeiro que, como em todo o mundo em situações análogas acabará por vir ao de cima. Pensar que a China está imune a um crash não é saudável, pensar aproveitar essa oportunidade se isso acontecer será a melhor poupança reforma que alguma vez pensou fazer.

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