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Trinta anos

Estou a caminho de Leeds no avião que me vai levar primeiro a Londres. Leeds não fica no caminho de muita coisa a menos que se tenha a intenção especifica de ir a Yorkshire no norte de Inglaterra. No meu caso, a razão prende-se com o facto de que Leeds é o lugar onde nasceu o meu filho.faz exactamente 30 anos.  Não vou a Leeds desde que ele nasceu, e a razão que me traz cá hoje é justamente surpreende-lo no dia do seu trigesimo aniversario.

A prenda que vai receber é um livro de fotografias editado pela mãe, dos seus primeiros 30 anos de vida. Espero que goste. Eu gostei. Fez-me pensar que, tal como um software de aprendizagem, aquilo que hoje se designa por inteligencia artificial, nós somos o acumular de todos esses conhecimentos e experiencias adquiridos ao longo do tempo. Pagina à pagina, fotografia a fotografia, percebemos a evolução, lembramo-nos dos momentos, reflectimos sobre o tempo, um conceito com perspectivas diferentes dependendo de quem faz essas reflexões. Para um ‘’millenial’’ como ele, o tempo significa pouco, porque a gratificação tem que ser imediata, Para um ‘’velho’’ como eu, tempo representa sacrificios, trabalho, preserverança, e um retorno expresso numa taxa de juro.

O meu filho esteve na universidade até ao ano passado, num longo percurso que me levou a pensar que aí se mantinha para evitar o confronto real com a vida e a aprendisagem que dela se tira mas, ao folhear o livro, percebo que não, que a vida já se tinha encarregado de o confrontar com coisas suficientes que o ensinaram a dar valor às experiencias vividas, tanto as vitorias como as derrotas que o tornaram na pessoa que é.

Se alguem perguntar como se aprende, reponderei que se aprende experimentando, fazendo. E quando ? Só quando somos obrigados a isso.

Essa é, no meu entender, uma das responsabilidade dos pais, Obrigá-los a fazer. Mas o que se pode aprender quando não há trabalho para fazer, ou pior, quando a lei proibe dar trabalho a um menor? O que se pode aprender jogando num computador?

Quando tudo se dá aos filhos sem que estes tenham que aprender por eles, o resultado raramente é bom.  O mesmo se passa com a economia. Em principio não é possivel imprimir dinheiro e fingir que se é rico. Essa é certamente a razão pela qual foram criadas as moedas digitais, e o facto de os jovens já não terem contacto com o dinheiro fisico os leva a mais facilmente aceitarem uma moeda virtual, que não oferece nem serviços nem produtos, que é impossivel de avaliar ou estimar um retorno.

São as pessoas que decidem se devem ser produtoras ou consumidoras, mas estes são conceitos que, sem aprendizagem, não podem ser entendidos pelos filhos, porque aquilo que é natural é só a parte consumista. Curiosamente, mesmo nos bitcoins está subjacente o conceito de produtor, aqueles que trabalham para criar electronicamente os bitcoins, mas o interesse da maioria está na sua valorização e na forma como tem sido possivel alguns fazerem dinheiro digital rapido para consumo. Para agravar as coisas este conceito de produtor ou consumidor, não passa de  uma opção de vida, que será cada vez mais dificil de tomar porque os robots ocuparão cada vez mais postos de trabalho e vai ser impossivel competir com máquinas que não reclamam turnos, que não adoecem, não fazem greves e não param para a pausa do café. Ora o Estado, não tem sobre isto uma visão clara. Por um lado diz às pessoas que consumir é bom para a economia mas de vez em quando lembra-as que também é bom as pessoas pouparem.

Penso que os governos têm a mesma visão turva com a economia. Não deixar falir os bancos, ou proteger determinados sectores económicos é um erro que tem sempre consequências. O que se aprende quando se sabe que no fim haverá um resgate?

Para os proximos 30 anos, espero que o meu filho, tal como eu, possa continuar seguindo o principio que nunca sabemos o suficiente, e que por isso é preciso manter os olhos bem abertos, observando, descubrindo, avaliando.

No seu caso, que completou agora o primeiro terço da sua vida, terá que estar atento a quase tudo, ao Brexit, à segurança social ao dinheiro digital, aos bancos centrais às politicas dos governos.

Vai entrar na fase da sua vida em que a sua preocupação será ganhar dinheiro, procurar constituir patrimonio, enquanto o Estado terá como preocupação tirar-lhe o dinheiro sob a forma de impostos, desvalorizando a moeda, utilizando mais regulação ou legislação, com o intuito de proteger aqueles que são da minha geração (os mais velhos) e atrasar ao máximo a inevitablidade que vai ser uma refundação do sistema monetário, uma alteração de paradigma. Sim imagino que alguns estejam perplexos com esta afirmação da necessidade de uma alteração de paradigma, mas de que forma se vai poder garantir aquilo em que se insiste sem sucesso, que é dar mais beneficios aos mais velhos e não inviabilizar o futuro dos mais novos?

Bem sei que o meu filho, como muitos, tem ainda a ilusão de que existe democracia, de que o poder do voto e de alteração de partidos no poder lhe poderão dar um futuro melhor, mas isso é só resultado da aprendizagem nas universidades. Com o tempo perceberá que os partidos existem para perpetuar o sistema não para o alterarem. Gostaria que estivesse mais atento ao facto de em França se ter eleito um presidente jovem, que criou um novo partido, que obteve uma maioria com os votos daqueles que pensaram que alguma coisa assim iria mudar, mas isso não aconteceu. Gostaria que estivesse atento ao facto de que todos os outros governos pretendem garantir os votos dos mais velhos com mais protecção social e mais beneficios, seguindo modelos que tinham por base taxas de crescimento que não existem faz 20 anos e que garantiam que as promessas futuras seriam pagas com as receitas correntes, que haveria mais pessoas novas a trabalhar que pessoas velhas a receber, e não o inverso como agora acontece.

Regularmente, os mesmos governos procuram agora aliciar os jovens em idade de voto com programas que lhes permitam fazer beneficiar da redistribuição dos dinheiros.  Ora a redistribuição assegurada pelos diferentes governos, com o intuito de proteger os mais necessitados resulta justamente na eliminação do processo de aprendizagem. Com isso as pessoas não têm como experimentar, e como tal, não têm como aprender.

Receio que o meu filho tenha que estar atento às razões que levam os governos a fazer o que fazem, porque continuarão a fazê-lo mesmo que seja caro, pouco produtivo até se tornar perigoso, como bastas vezes tem acontecido, com guerras desnecessárias. Mas como poderá estar atento se a informação na sua maioria não é fidedigna? Deverá saber pelo menos que as massas reagem à informação enquanto as elites são calculistas, e que a melhor maneira para ver no meio de tanta desinformação é seguir o rasto do dinheiro.

Meu filho, o teu futuro não vai ser fácil, e não poderás contar com as promessas que são feitas, mas poderás contar contigo com a tua inteligencia a tua intervenção civica o teu trabalho, a menos que com muita sorte, ninguém no futuro tenha que trabalhar. Feliz aniversario.

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