Voltar ao Blog
Tout va très bien Madame la Marquise

”Tout va très bien Madame la Marquise” (http://www.youtube.com/watch?v=rdLUV0hhYZY)  era uma canção dos anos 70 cuja letra relatava a conversa telefónica entre uma marquesa e o seu pessoal em que este a informava de que tudo ia bem no seu palácio, exceptuando o fogo que o tinha destruído e a morte do marquês, que se suicidara.

A canção não me tem saído da cabeça nesta época de crise em que tudo vai bem. As notícias vindas dos Estados Unidos parecem todas animadoras, de acordo com os analistas. Claro que houve um aumento de 7% de casas que foram tomadas pelos bancos em Julho, e é verdade que os preços das casas continuam a cair e o desemprego ainda está a aumentar ao mesmo tempo que o consumo está a baixar mas, à parte isso ”tout va très bien Madame la Marquise”.

A economia é reconhecidamente muito subjectiva, dai talvez esta crescente necessidade de pensamento positivo muito em voga, ao género do livro ”O Segredo”, e que mais não é do que uma fé moderna, ajustada aos dias de hoje. Quanto menor o raciocínio lógico maior a necessidade de fé.

Para os mercados de capitais a fé é uma boa coisa como se pode comprovar actualmente. Em 1929, a subida do mercado depois do crash durou cinco meses, desta vez já vamos em seis. Em 1930, o mercado voltou a cair fazendo novos mínimos, mas quem sabe se desta vez não será diferente? Tenhamos fé.

A época é diferente, os conhecimentos são outros, dizem-nos. Por exemplo, para resolver o problema da indústria automóvel a solução encontrada foi dar dinheiro aos consumidores para que possam comprar carros novos. Daqui se pode deduzir que a solução encontrada está em dar dinheiro para gerar a prosperidade procurada. É uma grande evolução, mas convêm ir mais além e não ficar só pelos carros.

A época é diferente, sem dúvida, porque as pessoas hoje em dia sentem a necessidade de aderir ao que é politicamente correcto, mas sem pensar. Veja-se a questão dos bónus agora muito em voga. Os Estados Unidos decidiram atacar esse problema, os ingleses e os franceses já anunciaram o mesmo e os outros países irão seguir a moda, não porque seja o que deve ser feito, mas porque é importante fazer o que todos fazem e não destoar.

O problema desta época diferente é o facto das regras não se aplicarem a todos da mesma forma, o que é mesmo grave porque, como diz o povo, “ou há moralidade ou comem todos’’. Vem isto a propósito dos leilões de dívida americana estarem a ter sucesso, não porque haja efectivamente compradores, mas porque a FED está a comprar dívida através de intermediários. Directamente já não seria bom mas pelo menos seria transparente; fazê-lo de forma encapotada é o princípio da manipulação.

Perguntar-se-á: por que razão existe a necessidade de fazerem isto? Provavelmente, porque os Estados Unidos estarão perto de terem atingido o seu limite de crédito, uma situação desesperada que merece medidas desesperadas. Afinal de contas imagine que podia emitir títulos de dívida para garantir a sua dívida privada e que não encontrando compradores para essa dívida a podia recomprar com… papel. Não seria bom?

Se a dívida emitida pode ser recomprada com papel e o consumo incentivado com a oferta de dinheiro, ”tout va très bien Madame la Marquise”.

AVISO LEGAL: A informação aqui apresentada é apenas para fins informativos e não constitui uma recomendação de investimento, convite ou oferta para realizar qualquer operação ou transacção. Esta informação não é um reflexo de posições (própria ou de terceiros) firme dos participantes nos mercados de valores. A DIF Broker não tem em conta objetivos de investimento específicos ou situações financeiras particulares. Também não faz qualquer declaração ou assume qualquer responsabilidade sobre a confiabilidade das informações fornecidas ou perda decorrente de investimentos realizados. Este conteúdo é puramente informativo, portanto, não deve ser utilizado para valorizar carteiras ou ativos, nem servir de base para recomendações de investimento. Para os fins informativos deste blog, as decisões de investimento tomadas com base neste conteúdo são da exclusiva responsabilidade do investidor. As operações feitas em seu nome seguindo as recomendações de uma análise, em investimentos particulares e sem limitação, e alavancados, como o comércio de câmbio e investimento em derivados pode ser muito especulativo e, portanto, gerar lucros, mas também perdas. Antes de fazer um investimento ou efectuar uma transacção, deve considerar a sua situação financeira e consultar o seu / s conselheiro / s financeiros / s, a fim de compreender os riscos e considerar se é apropriado à luz da sua situação. Todas as opiniões expressas estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. O conteúdo pode mostrar a opinião pessoal do autor que pode não reflectir a opinião da DIF Broker.
Os CFD são instrumentos complexos e apresentam um elevado risco de perda rápida dinheiro devido ao efeito de alavancagem.
86% das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este distribuidor.
Deve considerar se compreende como funcionam os CFD e se pode correr o elevado risco de perda do seu dinheiro.