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“Sou o presidente do conselho de administração da minha vida”

Primeiro foi a viagem de Lisboa para Paris, ao final da tarde, para aproveitar o dia de trabalho. Depois, a noite passada num hotel de aeroporto e logo de seguida o avião da Air France para Bombaim. Um problema técnico e a neve obrigaram a uma prolongada demora naquele que deve ser um dos piores aeroportos da Europa, o Charles de Gaulle, mesmo considerando a concorrência da nossa Portela. A partida só ocorreu à uma da tarde e a chegada, consequentemente, às 3.30 da manhã (hora de Bombaim).

 Um táxi “Ambassador”, sem ar condicionado, levou-me para o Taj President e o acesso ao hotel foi feito com passagem pelo detector de metais e uma revista digna de aeroporto. No “lobby”, apesar de serem quase cinco da manhã, muita gente a trabalhar, entre recepcionistas, bagageiros e seguranças.

Todos sabem que sou um crente nos mercados emergentes. A razão disso é simples. Se é aí que estão as taxas de crescimento, é aí que está a valorização. Bombaim tem uma densidade populacional que é três vezes a de Nova Iorque e é responsável por 5% do PIB indiano. Sabendo isto, convém sempre ver “in loco” a realidade e avaliar os riscos. Bombaim ou Mumbai, como agora é designada, é uma cidade com um desenvolvimento fantástico, que mostra claramente ao mundo o que está mal no modelo económico actual. A Índia tem estado muito ocupada a criar riqueza e fundações para vir a ser uma futura potência, num momento em que o Ocidente começa a ter as primeiras manifestações de uma latente revolta social.

Pergunto frequentemente quanto ganham as pessoas com quem tenho o privilégio de me relacionar nas diferentes partes do mundo, para poder avaliar onde o dinheiro vale mais. O exercício que faço é simples. Quem está mais bem pago? O recepcionista, a 300 euros no hotel da Índia ou a 1,000 euros em hotel equivalente em Portugal? A conclusão que retiro é que na Índia se paga melhor. É muito difícil em Portugal, mas fácil na Índia, comprar quatro camisas por 15 euros ou uma casa com três quartos por menos de 50.000 euros. O interessante é que, na Índia, aquelas pessoas que o fazem agora, não tinham antes acesso a camisas ou casas e compõem presentemente a classe que tem o maior crescimento, a classe média.

 Apesar da pobreza e dos cheiros próprios da imundície, os pequenos comércios de beira da estrada ou de vão de escada, têm taxas de crescimento de 30% e até mais. Fácil é perceber que quem consegue fazer isto durante algum tempo chega a juntar o dinheiro necessário para fazer as aquisições que o colocam na classe média.

Podemos agora voltar ao que disse no início. Demonstrar o que está mal no modelo económico ocidental. Com efeito, enquanto na Índia é a sua classe média que cresce,  no Ocidente ela decresce. Enquanto a Índia cria riqueza para tirar pessoas da pobreza, o Ocidente desperdiça milhares de milhões para salvar bancos e pessoas de entrarem em falência. Não admira que na Índia as pessoas estejam na disposição de trabalhar e estudar as horas que forem necessárias para terem uma oportunidade de viver melhor, nem podemos surpreender-nos por ver que as pessoas, no Ocidente, se habituaram a viver com a protecção do Estado e se revoltem por verem perdidos os seus direitos adquiridos. A Índia, que é o país com o maior número de jovens, mesmo entre os chamados BRIC, contando 500 milhões com menos de 25 anos, pode bem competir com uma Europa que envelhece, com mais de 50% da população acima dos 50 anos. Não é difícil perceber, face as estes factos, que o modelo económico ocidental tem que ser alterado porque, a manter-se a situação, o mundo, como o conhecemos, está a acabar.

 A Índia pode ser muito desconfortável para o viajante, pela forma caótica e desorganizada como nela se vive, pelos seus níveis de pobreza e de salubridade, mas os indianos parecem felizes, compram casas, compram carros e o país cresce. É o futuro, com base num modelo do passado, criado pelo Ocidente.

Na Europa tudo é muito mais organizado e deveria ser uma felicidade viver ali, mas parece que não é, pelos níveis dos constantes protestos, resultantes do desemprego, do endividamento, da perda dos direitos sociais, da insegurança, da crise.

O Ocidente já foi rico. A geração actual, surpreendentemente, é aquela que destruiu a riqueza criada e apresenta soluções desadequadas para uma Europa velha, que continua a olhar para o seu passado, incapaz de encontrar soluções para o futuro.

É difícil competir com uma geração de indianos jovens, bem formados, com vontade de ter um nível de consumo elevado, uma vida melhor e que assumem querer trabalhar, enquanto na Europa se procura manter os direitos adquiridos. Na Índia, um jovem de 25 anos, engenheiro electrotécnico, que acabou de comprar um carro para os seus pais antes de o fazer para si próprio, diz-me, com orgulho, que o fez porque é “o presidente do conselho de administração da sua vida”.

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