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Regulação, o declinio da utilidade marginal

Os gestores de empresas financeiras em que me incluo estão a viver uma época pouco habitual. Apesar de viverem num sector teoricamente extremamente competitivo mas de grande responsabilidade, estão a ser induzidos pela actual realidade a ter uma viseira nos seus olhos como se fosse um cabresto, que os impede de ter uma visão periférica. O objectivo: cumprir com o infindável numero de leis e regulamentos, adequar o negócio de acordo com o estipulado pelo modelo regulamentar. O enfoque não está mais no cliente.

Em resultado disso os gestores não podem ver, e aparentemente nem tão pouco olhar, preferindo alguns até fechar os olhos ao modo como o seu negócio poderia ou deveria funcionar porque simplesmente lhes foi desenhado um modelo de regulação em que se devem focar e concentrar-se no fornecimento de informação ao regulador.

Os operadores de mercado foram assim de alguma forma ‘’nacionalizados’’ pela regulação, em resultado da crise de 2008. Todos têm que fazer a mesma coisa, todos têm que cumprir com o mesmo, todos têm que seguir os mesmos princípios de risco, teoricamente por forma a evitarem uma crise como a de 2008.

Os Franceses no final da primeira guerra mundial, também começaram a trabalhar na famosa linha Maginot, para evitarem uma segunda invasão. A linha era um conjunto de fortificações e de defesa construída ao longo da fronteira com a Alemanha, com vias subterrâneas, obstáculos, postos de observações e paióis de munições em profundidade. A linha Maginot foi construída ao longo de 6 anos com base na informação da guerra 14-18 que foi feita a cavalo. Em 1940 a linha Maginot não evitou a derrota da França porque os Panzer alemães contornaram a linha na região de Sedan cortando os exércitos a meio.

Os reguladores estão a cometer o mesmo erro ao estrangular com informação os operadores, de mercado, quer sejam pequenos ou grandes indiscriminadamente.

Porque sempre me considerei um pouco burro, não posso deixar de me questionar porque se pensa realmente que é preciso mais informação? Pessoalmente nunca me ocorreu chegar a casa e dizer ´´querida precisamos de mais informação, a que temos não é suficiente’’.

Eu creio adivinhar que a resposta seria ‘’querido não temos um problema de falta de informação temos é um problema de falta de comunicação’’.

Este é aliás um problema a todos os níveis, os pais com os filhos, marido e mulher, os gestores com os colaboradores, os governos com os cidadãos, os reguladores com os regulados’’. Todos se queixam de falta de comunicação não de informação.

É verdade que existem entidades que continuam a acumular informação de forma insaciável e entre elas os Estados e os seus governos, na base de 2 premissas: a segurança nacional e a fuga ao fisco. Com mais informação será mais fácil chegar a Estados Policiais com o beneplácito da democracia e da nova geração.

Entre as entidade privadas algumas há também que usam e abusam da informação, como a Google ou Facebook, para só mencionar algumas, mas a lei sobre o RGPD chegou de forma uniforme para todos, quer sejam as oficinas Fagundes Tristeza ou a Apple.

Já estou a divagar. A ideia original deste artigo era sobre informação e os gestores no sector financeiro. Tudo é reportado, porque se suspeita de tudo certamente.  Em cada dia no mercado em cada transacção o erro é punido e a competência e o sucesso premiado. É desta forma que o mercado e a economia deveriam funcionar, e é desta forma que as coisas deveriam ir evoluindo, permitindo aos erros serem corrigidos e a incompetência em principio ser eliminada.

O problema é que actualmente os erros não são corrigidos, fazemos de conta que os estamos a corrigir, fazemos leis que dão a impressão que resolvem os problemas e ficamos satisfeitos de dar aos burocratas europeus e aos políticos a responsabilidade de nos dirigir e orientar.

O erro é corrigido administrativamente já não o é naturalmente. Relativamente às grandes empresas referidas que acumulam grandes quantidades de informação, uma nova correcção administrativa  estrará para chegar, muito provavelmente por uma lei anti monopólio. Pelo menos o presidente Trump já começou a falar disso, mas não pelo facto de violarem e utilizarem os dados pessoais mas pelo facto de permitirem noticias falsas de que ele parece ser o visado.

Não deixa de ser curioso que as noticias falsas sejam agora um tópico relevante apelidado de fenómeno, quando o mundo invadiu o Iraque na base de noticias falsas sobre armas de destruição maciças. É simplesmente uma evolução na curta memória das pessoas.

Talvez já não se recordem mas foi em 1996 por causa da queda de um avião TWA que o presidente Clinton (acreditando que tinha sido terrorismo) obrigou a que houvesse identificação dos passageiros no embarque. Até aí para viajar nos Estados Unidos nem identificação era preciso. Quatro anos depois confirmou-se ser um problema de curto circuito num tanque de combustível do avião o motivo da explosão. Cinco anos depois deu-se o atentado das torres gémeas e a segurança nos aeroportos não parou de aumentar e já vamos no reconhecimento facial automático que vai para as bases de dados juntamente com outras informações biométricas, enquanto somos digitalizados com radiação eletromagnética e apalpados mas ainda não acabaram os atentados.

O problema dos gestores financeiros é que o próximo problema dos mercados não está na informação que actualmente está a ser acumulada nos reguladores, o problema é que não estão atentos aquilo que pode originar o próximo problema.

Mais regulação, mais protecção tem sido uma oportunidade para uma classe corporativa que se estava a debater com problemas: os advogados. Os compliance por exemplo não teriam razão de ser se não fosse a complexidade regulatória. É por isso natural que os compliance apoiem ainda mais regulação.

Mais regulação implica mais serviços administrativos. Os custos de controlo são cada vez mais elevados, mas a actividade é cada vez mais reduzida. Parece haver um claro declínio da utilidade marginal, mas sobretudo existe uma tremenda imoralidade. A defesa que se faz do consumidor é contratualmente imposta ao investidor. Que tipo de protecção existe quando só uma das partes pode alterar as clausulas contratuais e os termos do acordo. Só existem duas formas de relacionamento, por cooperação ou por imposição e o relacionamento dos clientes com o sistema financeiro é feito por imposição.

Se não pensarmos em tudo isto não admira que fiquemos com pouca sensibilidade ao mundo em que vivemos.

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