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Que sentido faz a vida

Na passada semana, depois de passar o dia no interior centro, acabei por chegar ao Porto cerca da meia-noite. Antes de ir para o hotel, fui deixar o meu companheiro de viagem no centro da cidade, na Rua 31 de Janeiro. A quantidade de sem-abrigo nas ruas do Porto deixou-me perplexo e triste, porque contrastam com o crescimento que se diz a cidade está a viver.

Sem dar por isso, e já deitado na cama de hotel, questionei-me sobre o sentido da vida.

Que raio de pergunta, estarão agora a pensar? Na realidade, há várias razões para ela. A primeira, porque sou conhecido por ser um ‘triste’, mais atento às coisas más que às coisas boas; a segunda, porque este ano de 2018 tem sido difícil a nível profissional e pessoal e, no geral, tem-no sido também a nível económico político e social.

Todos os planos do mundo bastas vezes não servem para nada, simplesmente, porque as pessoas não pensam da mesma maneira. Há os optimistas e os pessimistas como eu. Para não manter o ‘suspense’ sobre a minha pergunta, direi que para mim, até essa noite no Porto, a vida servia para se procurar a felicidade, e não podia ter encontrado pior resposta à uma da manhã.

O que me faria feliz naquele momento era dormir e percebi nesse momento que a felicidade em si é algo de temporário, pelo que não faz sentido fazer disso um objectivo de vida.

A felicidade não pode ser um estado permanente da vida. Só conhecemos a felicidade porque existe a infelicidade. Claramente, isso torna a felicidade e a infelicidade subprodutos, resultado de qualquer coisa ou acontecimento. Viver para ser feliz passava a ser tão tonto quanto dizer que vivemos para comer.

Vejamos o mesmo problema mas de um ângulo diferente. O PIB está a crescer segundo as estatísticas, as taxas de juro estão a zero em termos percentuais, o endividamento nunca foi tão alto, portanto, o que faz toda aquela gente na rua?

Nos Estados Unidos que tem o mesmo problema de sem-abrigo, a dívida oficial é agora de 21 triliões, e o governo federal prepara-se para ter défices de 1 trilião por ano. Isto quer dizer que ano após ano serão necessários mais juros para pagar a dívida, o que irá criar algures no futuro dúvidas quanto à capacidade de pagamento da mesma. É legítimo considerar as notícias sobre a guerra comercial como um subproduto do problema original que é o endividamento. Comércio e dinheiro estão intimamente ligados, dinheiro e Estado também. Quando um Estado se serve da sua moeda para falsear os preços, está a interferir com o comércio. É legítimo então pensar que ao não abordar o problema principal focando-se no subproduto se está a mentir? E é justificável mentir quando o problema é grande?

Voltando à dúvida original sobre o sentido da vida, pergunto-me se será que o que falta, simplesmente, é ‘acção’? A necessidade de se fazer alguma coisa, quer seja para resolver problemas, quer seja por necessidade de evoluir, ganhar eleições, manter o posto de trabalho, ou o seu negócio ou a sua reputação. Partindo deste princípio, será que todas as acções são justificáveis?

Por exemplo, em Novembro de 1910, rodeados do maior segredo, um grupo de banqueiros entre os quais se encontrava JP Morgan e Rothschild, os maiores banqueiros da época, reuniam-se na ilha de Jekyll. O grupo reunia-se com a intenção de resolver algumas situações prementes à época como:

A cada vez maior influência dos bancos pequenos e a necessidade de concentrar poder em poucas instituições
A necessidade de aumento da massa monetária para poder financiar a indústria
Criar um modelo que permitisse ao contribuinte pagar em última instância
Como convencer o governo americano que as medidas eram do interesse público em geral e não do interesse dos bancos.
Criar um banco central para proteger os bancos.

O resultado desta reunião ficaria consumado na noite de 23 de Dezembro de 1913 no Congresso americano (pouco participado por ser véspera de Natal), com a criação da Reserva Federal, o banco central americano, provavelmente a mais importante instituição do mundo.

Em 2018, pouco mais de 100 anos depois, creio que se justifica perguntar relativamente a esta situação, como exemplo para outras, qual a linha que delimita a desonestidade para a importância da ‘acção’.

Revendo os 5 pontos debatidos, vemos que aquilo que é importante são os resultados que se obtêm no seguimento das acções tomadas. É isso que dá sentido à vida. Neste caso específico:

Conseguir concentrar uma influência determinante em poucas instituições.
Conseguir com ‘’Quantitative Easing’’ o aumento da massa monetária para poder financiar tudo, mas sobretudo os bancos.
Conseguir que o modelo criado funcione perfeitamente para fazer pagar o contribuinte em última instância.
Conseguir convencer o governo americano e a maioria das pessoas que as medidas necessárias eram do interesse do público em geral e não do interesse dos bancos.
Conseguir criar o tal banco central como previsto.

Aqui chegado… estava pronto para dormir, já saíra da filosofia barata e estava no domínio da política. Para os desgraçados a dormir nas ruas seria bom que houvesse uma segurança social em que o rendimento permitisse uma vida digna, ou em alternativa, parafraseando o antigo presidente Kennedy, seria bom que não perguntassem o que o Estado pode fazer por eles antes o que podem eles fazer pelo Estado. Em qualquer circunstância, é necessário ‘acção’, para não se deixarem confundir com os que dizem que os défices não são importantes, e ao mesmo tempo dizem que poupar também é importante. Que sentido faz a vida?

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