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Porque me mantenho aqui?

Estava a ver um episódio da série Boston Legal quando, no decorrer de uma alegação final, um advogado citou o pastor Martin Niemoller (1892-1984) dizendo:
– ‘’Primeiro foram atrás dos comunistas, mas eu não disse nada porque não era comunista. Depois foram atrás dos sindicalistas, mas como não estava sindicalizado também nada disse. Depois foram atrás dos judeus, mas como não era judeu continuei a nada dizer. Finalmente, vieram atrás de mim mas nessa altura já não havia ninguém para dizer algo por mim.’’

Dei por mim a pensar o que teria feito se tivesse vivido na Alemanha em 1933? Teria abandonado o país? Se decidisse fazê-lo em que momento teria tomado essa decisão? Qual teria sido o motivo que me obrigaria a fazê-lo? Quando os nazis tomaram o poder? Quando decidiram suspender as liberdades garantidas pela constituição? Quando começam a prender os comunistas? Quando criam o primeiro campo de concentração? Depois da famosa noite de Cristal em que invadiram e destruíram lojas e sinagogas?
Quando tudo aquilo que conhecemos como referência se desmorona à nossa volta o que se faz?

Não consegui, em consciência, encontrar uma resposta. Ao procurar situações vividas, em que o imaginário me colocasse nesse momento, dou por mim a reconhecer que o cérebro procura sempre encontrar razões que justifiquem a inacção. De alguma forma, é o que se passa agora, hoje, aqui. Que outros motivos mais são necessários para me fazer sair do país?
Na minha actividade ligada ao mercado de capitais somos vistos como causadores dos problemas que todos sentem, porque estamos ligados à finança. Ninguém sabe, ou ninguém quer, distinguir a actividade dos que estão no mercado de capitais daqueles que estão envolvidos na actividade bancária. Vejam-se os políticos, os comentadores ou jornalistas, sobretudo os que se julgam ‘’opinion makers’’, que dizem que a culpa é dos especuladores, dos ricos, e das polÍticas, ou os “indignados”, com razões de queixa de tudo e de mais alguma coisa, mas ninguém nestes grupos é capaz de ver mais longe que o óbvio, não há dinheiro, mas incapazes de perceber porque razão estamos assim.
No mercado de capitais o que se faz é limitado, perfeitamente claro e regulamentado. Se há dinheiro há investimento, não havendo dinheiro não há investimento.

O que faço aqui?
Porque me mantenho aqui se, por exemplo, nesta actividade não estamos autorizados a oferecer produtos de capital garantido na gestão de carteiras, o que aliás me parece muito bem porque de garantido só a morte, mas somos obrigados a pagar parte das perdas do BPP nos seus produtos de capital garantido. Porque continuo aqui, se tenho que contribuir para as perdas dos bancos e ao mesmo tempo tenho que depender desses mesmos bancos em serviços que me são vedados?

Porque me mantenho aqui se as instituições financeiras têm um pacote financeiro preparado pela troika se tiverem necessidade de reforçar capitais, e a minha corretora tem que gerir a sua actividade com zelo e profissionalismo se não quiser falir?

Porque razão me mantenho aqui se acredito na responsabilidade individual e no bom senso enquanto os outros acreditam que o Estado vai resolver os seus problemas?

Porque razão me mantenho aqui se contribuo para uma segurança social insolvente, sabendo antecipadamente que ela não terá dinheiro quando eu precisar dela?

Porque razão me mantenho aqui se vivo numa nação insolvente que pede dinheiro a um sistema financeiro insolvente, para salvar instituições financeiras insolventes?
Quando a estrutura em que vivemos, económica e não só, parece entrar em colapso porque já não dá suporte à nossa evolução como espécie em sociedade e mergulhamos em crise, porque os modelos conhecidos e aplicados já não resolvem as situações judiciais, económicas, financeiras, políticas e sociais, certamente que deve ser um sinal de alerta para que se comece a pensar numa solução que dê continuidade ao nosso processo evolutivo tendente a que se atinja uma sociedade melhor.

Este é o momento em que temos que inventar alguma coisa de novo porque, a continuar assim, isto pode acabar mal. Se se alterarem as coisas que nos levaram a esta situação de crise com sucesso, então poderemos “passar para uma outra fase da nossa evolução”, como diz Bruce H Lipton.

Passaram dois anos e a Grécia, a própria Europa e o sistema financeiro internacional estão à beira de um precipício, com planos e mais planos que não têm aplicabilidade, vivendo-se exclusivamente do suporte que é o Banco Central.

Ninguém questiona o funcionamento desta entidade magnifica que mantém o mundo financeiro em funcionamento? Mas creio que deveríamos fazê-lo, porque um Banco Central é a única entidade capaz de emitir uma dívida sobre si própria. Resultado, é o único passivo, de um actor económico, que não é exigível. Não seria possível dar este poder a uma outra entidade, com benefícios para todos? Os que estiverem a pensar em dá-lo ao Estado desenganem-se.
Será que alguém já reparou que as pessoas dão muito mais atenção ao seu próprio dinheiro que ao dinheiro dos outros? Se já pensaram, entenderão que os políticos, sempre dispostos a gastar dinheiro que não lhes pertence porque mais empenhados em cumprir promessas feitas em períodos eleitorais, não são uma alternativa viável.

Continuo a aprender a cada dia que passa, apesar de já beneficiar da experiência que os anos me vão dando, mas acredito que este tema do Banco Central seria, do meu ponto de vista, um excelente ponto de partida para forçar a sociedade a pensar em soluções para o nosso futuro. Lord Wolfson, CEO da empresa Next, oferece um prémio de 250.000 libras a quem encontrar um plano para acabar com o euro sem efeitos perversos para os países envolvidos. A pergunta está mal formulada porque o problema não é do euro, mas a carência de uma ideia de mobilização de todos para uma solução. Com isso acredito que o futuro será forçosamente melhor e talvez seja essa a razão porque continuo aqui.

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