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ONDE FALAMOS DE BOLSA
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Parece que está tudo bem mas o défice não

Uma amiga questionava se seria mesmo possivel que tudo já estivesse bem em Portugal. E acrescentava. “Como era possível que em tão pouco tempo este governo tivesse resolvido todos os problemas?”

O défice não tem importância dizia um antigo primeiro ministro. Ora défice é a diferença entre os impostos que se cobram e aquilo que se gasta. O leitor está provavelmente confuso com esta afirmação e não vê a relação do assunto com o parágrafo anterior, mas existe. A nossa divida está em 130% do PIB, o que representa 23.000 euros por Português (está no Painel de Bordo do site da DIF). O desafio consiste em reduzir o défice e a divida aumentando o crescimento, mas será necessário para reduzir o rácio divida/PIB que a taxa de crescimento seja igual ou superior à taxa de juro média da divida para parar esta hemorragia. Ora a taxa de juro média de longo prazo está nos 4% (ainda no Painel de Bordo da DIF).

Governo e oposição falam da necessidade de reformas. Reforma é uma palavra que parece poder ser utilizada em qualquer situação politica com propriedade. Baixar impostos, alterar os escalões, é uma reforma dos impostos, mas não melhora o défice porque afecta o lado da receita do Estado. Do lado da despesa haveria que fazer uma reforma do Estado, em particular uma reforma do trabalho, que faz um uso abusivo dos gastos, e tal como numa família o importante é que as despesas sejam inferiores às receitas. E em que gasta o Estado é a pergunta natural? Pois essencialmente em pessoas. O Estado tem entre 600.000 e 670.000 pessoas.  Apesar do muito controlo informático existente  curiosamente nunca houve um numero preciso de funcionários do Estado. Muitos são essenciais, médicos enfermeiros, policias, magistrados, juízes, mas outros…. nem tanto. Ora de acordo com noticias o Estado está de novo a contratar pessoas, o que leva a intuir que as coisas estão bem, porque tal como a estupidez, um trabalho no Estado é para a vida.

 Na televisão uma intervenção do primeiro ministro Antonio Costa esclarecia que o que de bom tem acontecido a Portugal ultimamente não é responsabilidade do Governo mas sim dos Portugueses e que o mérito do seu governo é ter voltado a trazer estabilidade ao País. Finalmente uma declaração politica honesta e muito meritória porque directamente do primeiro ministro.

Para que as coisas estivessem todas bem o País precisaria de ter saldo positivo entre aquilo que recolhe em impostos e aquilo que gasta e a realidade não é essa, a euforia vem de estarmos só a 2% do equilíbrio e a 3% dessa realidade.

O mérito como diz o primeiro ministro é dos Portugueses e do esforço que fazem para que a sua realidade seja diferente, ou seja que exportem mais que aquilo que importam, que ganhem mais que aquilo que gastam, para com isso poderem pagar mais impostos e assim ajudarem o Estado.

A nossa realidade é infelizmente menos positiva. O Estado entre salários e responsabilidades sociais e juros da divida gasta tudo o que cobra em impostos e não chega. Ou seja não há nenhum prego nenhum agrafo utilizado pelo Estado que não tenha que ser financiado. Fica claro que qualquer proposta do governo para reduzir custos, que não resolva os 3 gastos que representam os 100% da receita, não resolve nenhum problema e as despesas continuarão a exceder as receitas, pelo que a divida continuará a aumentar. Espanta por isso que o ministro das finanças Centeno diga que o rácio da divida estará nos 100% do PIB em 10 anos (está agora nos 130%). Espanta, porque é preciso ter muita fé que nos próximos 10 anos o País tenha taxas de crescimento substanciais, provavelmente acima dos 3% ano após ano durante 10 anos e nenhum percalço nem nacional nem internacional.

Creio ser insensato acreditar que todos os problemas já foram resolvidos ou que estão para ser resolvidos nos próximos 10 anos, mas não deixa de ser agradável ter-se ganho algum tempo, e algum respeito por parte dos parceiros Europeus com o esforço feito até agora.