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Os filhos os alinhados e os ”insiders”

Com o avançar da idade cada vez percebemos melhor que não sabemos nada. Às certezas que tivemos quanto ao futuro quando se era jovem, seguem-se as dúvidas quando se tem mais idade. Por paradoxal que isso possa parecer, percebemos, contudo, melhor as coisas, apesar das dúvidas. Enumeremos algumas.

Teremos capacidade para ajudar os filhos? Será que tivemos capacidade para os educar? Poderíamos ter feito melhor?  Saber desde logo que não sabíamos nada teria sido muito útil e ter-nos-ia ajudado a criar uma família no seu início. Agora é tarde.

A razão por que se constitui uma família deveria ser o de proporcionar uma vantagem aos filhos. Porém, a verdade é que os motivos, se é que existem, são outros. Apesar de não se saber nada, a maioria das pessoas pensa que tem ideias, mas não passam, na maioria das vezes, de simples especulações, que não se confirmam e se perdem ao longo dos anos.

Estar errado em relação a alguma coisa não é, por si mesmo, mau.  Na realidade, estar errado traz, normalmente, mais benefícios que quando se está certo. Quando se está certo, cultiva-se a ilusão de que sabemos alguma coisa, pois raramente se tem a humildade de reconhecer que estar certo é efémero.  Quando se está errado, ao contrário, a humilhação toma conta de nós, reconhecemos os idiotas que na realidade todos somos e só então amadurecemos.

Estávamos a falar dos filhos e do que sabíamos, que era pouco ou quase nada e do que sabemos agora, que quando eles se tiverem que fazer à vida, é com um enorme peso nos ombros e uma corrente a amarrar as pernas.

Esta é uma nova realidade para quase todas as actividades da vida. O futuro é por definição incerto e para lidar com a incerteza, o que fazemos é detectar padrões em coisas que já vimos ou já vivemos e assumimos que esses padrões que identificámos no passado se vão repetir no futuro. Na realidade, este mecanismo, em si mesmo quase automático de detectar padrões, funciona na maioria das vezes para pessoas que têm esse cuidado. Por exemplo, o padrão habitual dos últimos 50 anos foi o crescimento económico com mais emprego, por isso muita gente continua a pensar que depois da crise voltaremos ao padrão. O que não acontece tão frequentemente é pensar nas razões que originam esses padrões e o que os pode fazer mudar.

O objectivo de todos os homens é sentirem-se superiores aos seus pares. Este é o objectivo de cada um e também o problema daqueles que querem sentir-se superiores. Para alguns não é difícil sentirem-se superiores, para outros é um problema.

Há os que se sentem brilhantes por aquilo que são capazes de dizer ou fazer, mas geralmente a esses falta-lhes modéstia. Há os que se sentem superiores por aquilo que são capazes de fazer, há-os que se sentem superiores pelos contactos que têm, e a verdade é que, nos dias de hoje, é mais importante quem se conhece do que aquilo que se sabe. Há os que tendo ideias mas são desalinhados ou politicamente incorrectos, também se sentem superiores mas perseguidos. Depois vêm os que não sabem e não se sentem superiores. E depois há ainda os complexados.

A superioridade na democracia actual é basicamente a lei do mais forte. Literalmente, aquele que é mais forte fisicamente, o que é mais economicamente, o que é mais forte financeiramente, o que é mais forte politicamente, sendo que o mesmo se passa até na clandestinidade. Os outros não passam de seguidores, seja de ídolos, de modas, de clubes, mas com o mesmo errado sentimento de se sentirem superiores de acordo com os seus padrões de vida. “O meu carro é melhor que o teu, o meu clube é melhor que o teu”. Cultivam assim a ilusão de ser diferentes.

O período actual é particularmente sensível a esta ilusão de ser diferente. Em termos financeiros e monetários vivemos o que até “parece” ser uma era “diferente”, em termos tecnológicos vivemos também uma era diferente, em termos políticos e sociais existe, é verdade, uma grande diferença, que é o acentuado aumento do instinto de sobrevivência.

O que é ser diferente quando a tendência é para uniformizar, regular, estatizar, condicionar. Tudo se resume em fazer as pessoas acreditar. Acreditar em quê? Nas lideranças, nas notícias, nos acontecimentos, nas estatísticas. Os realmente diferentes vivem na teoria da conspiração. Como se pode acreditar nas fotografias se estas podem ser transformadas com um programa informático como o Photoshop? Como se pode acreditar em documentários em vídeo se estes podem ser manipulados por “software” como o CGI (computer inserted graphics)? Tudo o que nos dizem e tudo o que se vê deve ser posto em causa como princípio basilar para se ser realmente diferente, mas é preciso ter consciência que ser diferente é ser o inimigo.

Ser “alinhado” é basicamente ser-se consumista, ajudar a economia comprando coisas de que não se necessita com dinheiro que se não tem. Entretido nas suas compras o “alinhado” não tem que pensar profundamente, não precisa de pensar que a guerra contra o terrorismo não é muito diferente da guerra fria contra o comunismo, ambas tinham como propósito salvar a democracia ocidental. Depois de termos salvo a nossa democracia contra o comunismo, estamos agora alinhados nas sucessivas intervenções dos Estados para salvar a economia seguindo práticas do antigo muro de Berlim: os planos.

Planos para o emprego jovem, planos energéticos, planos de recuperação financeiros e, claro, muito controlo estatal, muitas leis de modo a dar aos burocratas e a qualquer chefe de qualquer coisa, poder. Todo este poder dado ao Estado e aos seus funcionários é directamente proporcional ao poder que é perdido pelo cidadão normal em nome da liberdade. Valeu a pena.

Esta “coerência de raciocínio” também é visível nos mercados. Os investidores ora estão receosos, ora se sentem corajosos, nos momentos extremos de mercado ora estão sobreexcitados com os resultados conseguidos, graças à sua inteligência e perspicácia,  ora estão depressivos e desesperados pelas perdas acumuladas e desiludidos com a falta de conhecimentos.

Tudo isto na era da informação em que é suposto saber-se tudo a todo o momento. Antigamente, as pessoas não tinham a informação que têm hoje, no entanto a que tinham era real, resultante da dimensão das coisas. Numa pequena aldeia, as pessoas sabiam quem tinha posses e quem devia o quê e a quem. Da mesma forma a justiça era justa porque se conheciam as vítimas e os malfeitores. Hoje a informação que se tem, apesar de em grande quantidade, não chega a ser tão fidedigna, nem a justiça é justa, porquê? Provavelmente porque existe a necessidade de reduzir a dimensão das coisas para que possa haver controlo e essa será a razão por que os governos se tornaram instrumentos dos “insiders” em detrimento dos outros. Essa será a razão por que aqueles que podem e mandam são cada vez menos.
Boas Festas.

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