Voltar ao Blog
Os embustes

Creio que a população mundial está dividida em 3 grupos neste momento:
1- Os que não têm ideia do que se está a passar
2- Os que sentem que algo está mal mas não estão seguros sobre o que deve ser feito
3- Os que sabem que a situação é dramática e estão tomar medidas para não serem afectados.

Portugal parece estar finalmente preocupado com a sua situação económica e financeira. Ao fim de mais de 30 anos, parece que percebemos que não é possível gastar mais do que aquilo que produzimos. Ainda não é totalmente certo que isto seja assim tão linear, mas aponta para aí. De qualquer forma, não é sobre Portugal que queremos falar-vos mas sobre alguns outros países que, como a França, vão actuando como se tudo estivesse bem quando, na realidade, os problemas continuam a sair de debaixo do tapete onde haviam sido escondidos.
Ao contrário de Portugal, que agora se vê na obrigação de olhar pelas suas contas, a  França apresentou, no final do primeiro trimestre, um défice de 28 mil milhões de euros, quando no mesmo período do ano passado o défice era de menos de 22 mil milhões, ou seja, a dívida aumentou mais 6 mil milhões. Este não parece ser o melhor caminho para quem prometeu ter em 2016 um equilíbrio orçamental .
Deste montante, 7.4 mil milhões estão classificados como despesas não previstas (devidas a acontecimentos excepcionais). Designação interessante para algo que se imagina ter acontecido a posteriori, quando se sabe que o futuro é, por definição, incerto. Aqui está um embuste. Acontecimentos imprevistos são agora factos de todos os dias, que os políticos se encarregarão de designar como tal. A Grécia era um imprevisto, Portugal também, a Tunísia, o Egipto, a Costa do Marfim, o Japão, enfim, tudo o que acontece pelo mundo, é agora… imprevisto, mesmo que alguns desses acontecimentos pudessem ter sido previstos.
Com a vontade que os políticos têm de, aparentemente, se substituírem ao próprio Deus, sem nenhuma fé mas com o dinheiro dos contribuintes, arrogando-se o poder de resolver os problemas, é a falência dos estados que nos espera, o que não será surpresa.
Os Estados Unidos apresentaram um plano de redução do défice que, segundo o  Congressional Budget Office (CBO), passará de 89% do PIB em 2011 para 87% do PIB em 2021, sem levarem em consideração… acontecimentos imprevistos. Que tipo de plano é este? Outro embuste.
Os empréstimos do BCE às instituições financeiras passaram de 41 mil milhões de euros em 2005 para 800 mil milhões em 2010. Não obstante, o BCE compra dívida dos países Europeus em dificuldades, para evitar o colapso destes. O famoso Fundo Europeu de Estabilização Financeira, de que tanto se fala, não é como se supõe um fundo com dinheiro real, é tão só mais uma enorme máquina de endividamento. O seu papel é assumir a dívida do Estado em dificuldade. Este Fundo fez o seu primeiro empréstimo obrigacionista em Janeiro no montante de 5 mil milhões de euros e pode ir até aos 600 mil milhões. Este outro embuste é suposto salvar os Estados e salvar todo o sistema financeiro.
O dólar americano é outro embuste. A supremacia da moeda americana, desde há muito reconhecida como o padrão monetário à escala mundial, é agora por alguns colocado em causa. Desde Bretton Woods que este estatuto não suscitava contestação mas, neste momento, esse mesmo estatuto está suportado num Estado em dificuldades financeiras, com uma dívida de mais de 14.000 mil milhões. Para contornar este problema, o FED, banco central americano, tem vindo a baixar metodicamente o valor do dólar, beneficiando do facto de poder emitir moeda. Estamos, cada dia que passa, mais perto do dia da sua previsível substituição. Não há nada de utópico nisto pois o Fundo Monetário Internacional já em 2010 publicou um relatório sugerindo a criação de uma nova divisa mundial, com um banco mundial que administrasse essa mesma divisa.

A visão americana claramente não é esta. Para eles, a moeda americana é a moeda de reserva mundial e não existe mais nenhuma moeda no planeta com estatuto capaz de substituir o dólar (e neste aspecto têm provavelmente razão). Para os Estados Unidos, manipular a sua política monetária afectando assim todo o sistema financeiro para daí retirarem vantagens é uma situação normal, com a qual não têm problema algum, são afinal, só os outros países que ficam com problemas. Veremos o que o futuro nos reserva porque se não existe moeda para substituir o dólar talvez uma nova moeda o deva fazer.
Coincidência ou não, o Fundo Monetário Internacional já emitiu dívida em SDR (direitos de saque especiais) e o BIS (Bank of Internacional Settlements) banco que é detido pelos bancos centrais do mundo, já apresenta as suas contas em SDR. As agências de rating, se bem que sem credibilidade, já começam a olhar para o problema americano e todos sabemos como estas agências são dos últimos a vê-los.
São estes alguns dos embustes com que somos presenteados. Outros são tão perfeitos que, apesar das evidências, precisam de ser explicados às populações. Os políticos, quando, por exemplo, falam de progresso, querem realmente dizer redução de emprego, e foi esse progresso que permitiu o crescimento da riqueza das nações, pelo que a questão que todos nos devemos colocar não é a de quantos empregos serão criados nos próximos 10 anos, mas quantos serão destruídos se se mantiver este modelo de progresso.
Porque será então que a maioria das pessoas pensa que deve ser o Estado a resolver os seus problemas, quando os factos demonstram que o Estado piora todas as situações que se propõe resolver? Porque será que só ganham eleições os políticos que prometem coisas, sobretudo promessas sejam totalmente irracionais?  O maior dos embustes é dizer-se que temos uma crise de liquidez quando na realidade temos uma crise de solvência, pelo efeito resultante da saturação da dívida. Isto é verdade para Portugal, para a Grécia, para a Irlanda, mas também para o Reino Unido e os Estados Unidos, entre outros. Os Bancos Centrais não são os emprestadores de último recurso, como deveriam ser, porque passaram a ser os primeiros e únicos emprestadores. Esta é uma nova dinâmica que permite que as instituições financeiras estejam legalmente insolventes.

AVISO LEGAL: A informação aqui apresentada é apenas para fins informativos e não constitui uma recomendação de investimento, convite ou oferta para realizar qualquer operação ou transacção. Esta informação não é um reflexo de posições (própria ou de terceiros) firme dos participantes nos mercados de valores. A DIF Broker não tem em conta objetivos de investimento específicos ou situações financeiras particulares. Também não faz qualquer declaração ou assume qualquer responsabilidade sobre a confiabilidade das informações fornecidas ou perda decorrente de investimentos realizados. Este conteúdo é puramente informativo, portanto, não deve ser utilizado para valorizar carteiras ou ativos, nem servir de base para recomendações de investimento. Para os fins informativos deste blog, as decisões de investimento tomadas com base neste conteúdo são da exclusiva responsabilidade do investidor. As operações feitas em seu nome seguindo as recomendações de uma análise, em investimentos particulares e sem limitação, e alavancados, como o comércio de câmbio e investimento em derivados pode ser muito especulativo e, portanto, gerar lucros, mas também perdas. Antes de fazer um investimento ou efectuar uma transacção, deve considerar a sua situação financeira e consultar o seu / s conselheiro / s financeiros / s, a fim de compreender os riscos e considerar se é apropriado à luz da sua situação. Todas as opiniões expressas estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. O conteúdo pode mostrar a opinião pessoal do autor que pode não reflectir a opinião da DIF Broker.
Os CFD são instrumentos complexos e apresentam um elevado risco de perda rápida dinheiro devido ao efeito de alavancagem.
79% das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este distribuidor.
Deve considerar se compreende como funcionam os CFD e se pode correr o elevado risco de perda do seu dinheiro.