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O GES os aviões e os optimistas

Os impérios são normalmente resultado de um pensamento estratégico consciente e o criado pelo Grupo Espírito Santo não foi diferente.
O império só se estabelece quando o seu poder é suficientemente importante para se impor e expandir, e para que isso aconteça os custos aumentam proporcionalmente consoante o avanço na prossecução dos objectivos.

O império Espírito Santo foi crescendo por sucessivas conquistas mas perdendo dinheiro em muitas delas. De que forma foi sustentando as suas conquistas? Com dívida. Não foi por isso muito criativo.
Este império económico não se regia pelas regras normais, e só o crédito praticamente ilimitado o tornava especial. Para mais estava totalmente suportado no prestígio do Banco e no seu acesso privilegiado.

Não consigo deixar de pensar como foi possível ao “dono disto tudo” cair nesta situação, ele que foi idolatrado e reconhecido por muitos como o imperador do império criado. Procuro encontrar justificações, faço “rewind” ao meu cérebro e não acontece nada.

Quando se está bem relacionado, quando se é um “insider” é verdade que não é difícil obter financiamento, mas como se deixa desmoronar um império? O grupo GES tinha acesso ao financiamento mais barato que qualquer empresa em Portugal poderia obter. Assim sendo, não era de admirar que se vissem a si próprios como os melhores gestores, aqueles que conseguiam dar o melhor uso ao dinheiro (barato) a que tinham acesso, e ao mesmo tempo passavam a imagem de saberem evitar a tentação de desperdiçar esse mesmo dinheiro fácil e barato. Essa era, sem dúvida, a imagem do “dono disto tudo” e por isso continuo a pensar como foi isto possível?

Todos nós fazemos coisas mais ou menos incompreensíveis, muitas vezes por razões mais fortes que nós. Em conversa com o meu vizinho que é comandante da TAP, este disse-me que uma aterragem não é mais que uma queda controlada.

Tendo eu que utilizar o avião quase todas as semanas, e continuo a ter medo de voar, fiquei alguns segundos hesitante sobre o que acabava de ouvir mas tive que reconhecer que apesar do medo que sempre tenho, fazia todo o sentido a explicação. Um avião não pode ficar lá em cima, a aterragem é, por isso mesmo, uma queda controlada.

Nas empresas o que fazemos é exactamente o mesmo, umas vezes levantamos voo outras vezes temos quedas controladas. Não pensem que me desviei do assunto do GES porque utilizando a analogia da aviação, aquilo que tiveram foi uma aterragem descontrolada com danos colaterais substanciais e irreversíveis.

O que é anormal é que nos dizem que no GES não houve nenhum aviso “radio”, nenhum “mayday, mayday”, nenhum SOS com pedido de ajuda, senão quando já não havia nada a fazer, ou seja, cinco dias antes do embate.

Nas empresas mais pequenas os donos estão sempre extremamente ocupados no dia a dia a gerir as suas pequenas crises, de modo a evitar que não se tornem grandes crises. Claro que nestas pequenas empresas os gestores conhecem bem os “aviões” que estão a pilotar, mas seria possível que no caso do GES os gestores não conhecessem a gravidade dos problemas, não soubessem onde estavam os pára-quedas nem onde estava as argolas para os puxar e abrir se necessário?

A expansão do crédito começou nos anos 90 para o GES e nessa época o crescimento do País era palpável. Foi, aliás, a década que mais contribuiu para o crescimento do PIB nacional, mas o endividamento do grupo foi sempre aumentando regularmente, com poucas preocupações sobre a possibilidade do ciclo se inverter e, aparentemente, sem nenhuma preocupação com a crise que se deu em 2008 e a consequente contracção do crédito às empresas.

As pessoas a isso predispostas acreditam em tudo o que desejam que seja verdade. Talvez os gestores do GES acreditassem que  como o império crescia, o imperador continuaria a fazê-los crescer. Afinal de contas ele era o “dono disto tudo”.

A situação prova que esta não é a época adequada para os optimistas. As consequências serão terríveis para muitas empresas e muitas pessoas. Irão sobreviver aqueles que com disciplina enfrentarem os factos com realismo. Irão ficar pelo caminho os optimistas, aqueles com fé que no fim tudo acabará em bem.

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