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Não cheira a esturro a ninguém?

Os mercados financeiros sempre tiveram no imaginário das pessoas e sobretudo dos jovens um “glamour” muito grande. Vejo-o sempre que falo com estudantes universitários sobre questões de mercado. Algumas marcas têm até algo de mítico, foi o caso da Lehman e da Merril Lynch e agora da Goldman Sachs.
Compreende-se que os estudantes, pela sua juventude, e as pessoas menos familiarizadas com questões de investimento possam achar que os ícones da finança sejam fantásticos, mas aqueles que já não são estudantes e que têm alguma experiência já não deveriam ter a mesma atracção.
Foi com atenção que vi na CNBC, Marc Faber, um analista com muita experiência e que escreve Gloom Boom&Doom, dizer: “Penso que a Goldman Sachs é uma empresa muito honesta, eles têm um departamento de ‘compliance’ muito rigoroso quando comparado com outros.”
O dr. Marc Faber não deve ter lido o livro FIASCO: Blood in the Water and Wall Street da autoria de um antigo colaborador do Banco Morgan Stanley de nome Frank Partnoy. Neste livro Partnoy explica como o banco vendia produtos derivados complexos com a intenção de, estando na outra ponta do negócio, ganharem aquilo que o cliente perdia.
Pelo que li e vi pela televisão nas audições do Senado Americano, isto parece ser aquilo que a Goldman Sachs fez no processo que lhe foi intentado, com a pequena diferença de ter mediado o produto em vez de estar em uma das pontas do negócio.
Se até agora não percebeu do que estamos a falar é do processo posto pela SEC americana à Goldman Sachs com a designação de Abacus 2007-AC1. Este Abacus é um fundo criado pela Goldman para o gestor John Paulson que ficou famoso por ter feito milhares de milhões em lucros com a crise do “subprime”. Paulson queria um fundo especial com um determinado tipo de produto de risco, criado para poder comprar depois CDS (credit default swaps) como seguro deste mesmo fundo. O fundo Abacus era uma colectânea de produtos de “subprime” com muito risco e que por isso mesmo pagavam uma taxa de juro elevada que parecia interessante aos investidores. O fundo atraiu a atenção de investidores gananciosos mas pouco juízo, que com a crise perderam o dinheiro enquanto Paulson ganhou o correspondente às perdas graças aos CDS que tinha comprado.
Quer a Goldman seja ou não culpada das acusações feitas pela SEC o facto é que as pessoas que investem perceberam como são tratados na instituição e a prová-lo estão mais de 10 milhões de “links” que se encontram quando se faz uma busca no Google procurando “Goldman Sachs Fraud”.
Não tenho opinião sobre estas questões jurídicas e sobre as questões morais não posso emitir opinião, mas posso dizer que cheiram a esturro os resultados de “trading” da Goldman.
“Trading” ou negociar em mercados tem a ver com regras, com risco, com probabilidades, com o montante disponível para investir com a capacidade de dor para assumir perdas e com conhecimento. John Maynard Keynes para justificar a irracionalidade dos mercados afirmou um dia que os “mercados podem manter-se irracionais por muito mais tempo que o investidor se pode manter solvente”.
A mesa de negociação da Goldman Sachs ganha regularmente mais de 90% das vezes desde 2009 e no último trimestre, de acordo com a informação prestada à SEC, teve 100% de acerto. Em 2009, a Goldman perdeu dinheiro em 19 sessões de mercado e ganhou em 244. Na realidade, ganhou mais de 100 milhões ao dia em 131 sessões de negociação.
Se é possível ganhar de forma consistente como o faz a Goldman e de forma regular então estão os problemas do mundo resolvidos nomeadamente os problemas de dívidas soberanas. Os Estados só têm que contratar os serviços da Goldman, não para resolverem os seus problemas de divida como o fizeram com a Grécia mas ganhando dinheiro para eles poderem amortizar divida. Se isso não é possível então o cheiro a esturro pode bem ser alguma coisa queimada.

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