Voltar ao Blog
Morte anunciada

O meu filho, que está a fazer um mestrado em Psicoterapia, dizia-me há dias, durante uma conversa para encher o vazio, que aquilo que estava a sentir se designava em psicologia social por “dissonância cognitiva”.  Basicamente, e de forma resumida, esta dissonância expressa-se pelo facto de o cérebro nos dizer uma coisa e os olhos verem outra. Falávamos da importância das coisas, com a certeza de querer evitar falar de coisas importantes.

Alguém muito próximo foi diagnosticado com um cancro do pâncreas. Quando somos confrontados com este tipo de notícia reconhecemos a diferença entre as permanentes notícias que nos dão os meios de comunicação social, algumas com a devida pompa e circunstância antecedidas de “última” hora” ou “comunicado importante”, ou ainda “comunicação ao país”, e que posteriormente justificam centenas de debates e opiniões de pessoas mais ou menos importantes, mas todas com o dom da verdade.

Infelizmente, passados os minutos de fama proporcionados por esses comentários, nada muda. Apesar da aparente importância destas notícias importantes, a conclusão é que tudo é relativo.

Quando nos dizem, prepare-se porque essa pessoa tem poucos meses de vida, o que é importante ganha imediatamente uma nova dimensão.

Este tipo de notícia obriga-nos a pensar, a questionarmo-nos, a avaliar e a ponderar o que foi feito de bom, de útil, e se poderíamos fazer melhor, ser mais felizes. Inevitavelmente vem à cabeça saber se vale a pena o trabalho, o esforço, as responsabilidades que se assumem, sempre em detrimento do tempo que deveríamos passar com aqueles a quem queremos mais.

Invariavelmente, não obtemos a resposta de que a nossa vida parece estar dependente nesse momento. Dissonância cognitiva, o conflito entre opiniões incompatíveis referido pelo meu filho, parece ser o problema.

É em momentos assim que, creio, mais devemos acreditar em nós próprios, tentar guardar a distância possível relativamente à emoção e olhar para os factos com a objectividade possível. Todos nos movemos por sentimentos: medo, amor, desejo, ciúme, pânico. Estes e outros sentimentos têm uma tremenda influência no nosso comportamento, muitas vezes toldando o nosso raciocínio, outras vezes levando a decisões irracionais. É, por isso, importante acreditar.

Acreditar em quê? Se, por exemplo, as medicinas alternativas resultam ou não? Porque não correr o risco de tentar? Afinal de contas a gestão do risco é a minha profissão. Se não resultar não perdemos muito, o destino está traçado, talvez se percam alguns dias de má qualidade de vida, mas se ao contrário o efeito for positivo e resultar, se as dores desaparecerem se a dignidade não for afectada, o resultado é uma morte natural.

A morte não traz experiência alguma. A experiência de sermos confrontados com a mortalidade quando um médico diz que tem poucas semanas de vida, isso sim. Trará benefícios? Talvez. Pode permitir manter a solidariedade familiar, e pode oferecer à geração seguinte uma razão para pensar. Mas o que se pensa quando somos confrontados com o desconhecido que é a morte? Como é possível que se possa reagir de forma tão espontânea quando um condutor faz uma manobra perigosa à nossa frente, insultando-o ou mostrando-lhe o dedo médio, e não haja espontaneidade para algo que deveríamos estar preparados desde que nascemos, porque, quer queiramos quer não, esse é também o primeiro dia em que começamos a morrer.

No mundo da economia e da finança, o sentimento também é importante medido por múltiplos indicadores: O indicador de sentimento económico da Zona Euro, o de Portugal e de cada um dos outros países, O índice de sentimento do consumidor, o ‘’Consumer cyclical dos Estados Unidos, o índice de volatilidade para medir o sentimento do mercado.. Ninguém quer saber a verdade, o importante é o sentimento das pessoas.

A crise na Europa, de acordo com esse sentimento, umas vezes está a passar outras vezes está-se a agravar. Os números não conseguem ser mais importantes que o sentimento. Por isso se debate muito o sentimento mas poucas vezes a racionalidade. Por exemplo, sobre a medicina.

Será que faz sentido andar a discutir taxas moderadoras, será que não faria mais sentido discutir um novo tipo de medicina? O Dr. Eric Topol escreveu o livro “Como a revolução digital vai criar um melhor serviço de saúde”. No filme que se pode ver em http://www.youtube.com/watch_popup?v=r13uYs7jglg, ele afirma que cada paciente é único e que é o conhecimento dessa individualidade que fará com que a medicina do futuro seja totalmente diferente.

Não sei se tem sido feito esse debate, só sei que o Ocidente tenta baixar os custos da medicina tradicional e que estes lobbies são muito fortes como é natural em todos os sectores que ocupam uma determinada dimensão. Também sei que verdadeiras revoluções tecnológicas só acontecem quando a tecnologia anterior se torna obsoleta. Não creio que seja esse o caso na actual medicina.

Mas voltemos ao sentimento. Será que me vou transformar numa pessoa diferente com a morte deste ente querido? Porque fazemos o que fazemos?

Quando a economia começa a abrandar os bancos centrais vêem isso como um problema mas o único remédio que têm para aplicar é mais ou menos crédito.
Estará a economia também a morrer por falta de remédios adequados?

O Banco Central do Japão anunciou que vai duplicar a base monetária até 2014 com a intenção de reanimar a economia. Será que vai resultar? Não sabemos. O que sabemos é que os juros não podem ir a valores equivalentes aos praticados pelo BCE porque isso significaria que toda a colecta no Japão seria insuficiente para pagar os juros da dívida. A intenção é levar a inflação para 2%. Se os juros não podem aumentar, a garantia deste remédio se ele resultar é haver taxas de juro reais negativas. O Banco Central propõe-se comprar as obrigações com dinheiro criado para manter as taxas a zero e fazer subir a inflação. Mas e depois? Se resultar, imagino que parem de criar dinheiro. E depois?

Será isto uma morte anunciada?

AVISO LEGAL: A informação aqui apresentada é apenas para fins informativos e não constitui uma recomendação de investimento, convite ou oferta para realizar qualquer operação ou transacção. Esta informação não é um reflexo de posições (própria ou de terceiros) firme dos participantes nos mercados de valores. A DIF Broker não tem em conta objetivos de investimento específicos ou situações financeiras particulares. Também não faz qualquer declaração ou assume qualquer responsabilidade sobre a confiabilidade das informações fornecidas ou perda decorrente de investimentos realizados. Este conteúdo é puramente informativo, portanto, não deve ser utilizado para valorizar carteiras ou ativos, nem servir de base para recomendações de investimento. Para os fins informativos deste blog, as decisões de investimento tomadas com base neste conteúdo são da exclusiva responsabilidade do investidor. As operações feitas em seu nome seguindo as recomendações de uma análise, em investimentos particulares e sem limitação, e alavancados, como o comércio de câmbio e investimento em derivados pode ser muito especulativo e, portanto, gerar lucros, mas também perdas. Antes de fazer um investimento ou efectuar uma transacção, deve considerar a sua situação financeira e consultar o seu / s conselheiro / s financeiros / s, a fim de compreender os riscos e considerar se é apropriado à luz da sua situação. Todas as opiniões expressas estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. O conteúdo pode mostrar a opinião pessoal do autor que pode não reflectir a opinião da DIF Broker.
Os CFD são instrumentos complexos e apresentam um elevado risco de perda rápida dinheiro devido ao efeito de alavancagem.
86% de contas de investidores de retalho que perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este fornecedor.
Deve considerar se compreende como funcionam os CFD e se pode correr o elevado risco de perda do seu dinheiro.