Voltar ao Blog
Legalês e economês

“Um País bem governado tem vergonha dos pobres que tem, um País mal governado tem vergonha dos ricos que tem.” Confucius.

Gerir um negócio com ramificações em mais que um país tem as suas particularidades. A primeira tem a ver com a língua, porque é ela que nos permite comunicar claramente e com eficiência, compreender a cultura para não criar choques culturais, compreender o negócio local para não se cometerem erros.
Operar em um outro país é sempre uma aventura, basicamente porque a língua é, ou pode ser, uma barreira à compreensão.
Quando falamos a nossa língua somos capazes de compreender tudo. Depois, o tom, o ênfase, a expressão facial e corporal, limitam-se a complementar o que já tínhamos percebido.
Em Espanha, por exemplo, país em que a DIF Broker tem uma sucursal faz alguns anos, apesar de falarmos razoavelmente a língua existem subtilezas que nunca seremos capazes de entender, porque não chega conhecer as palavras certas, é necessário conhecer as nuanças para entender o verdadeiro significado. Nunca se pode assumir que se sabe o que a outra parte realmente está a dizer e muito menos a pensar.
Tal como em Inglaterra com os Ingleses, em Espanha os espanhóis têm a particularidade de serem pouco versados em outras línguas, não fazendo nenhum esforço para falarem outra coisa que não seja o Castelhano. Em Portugal, ao contrário, os Portugueses na sua maioria não têm a mesma postura, apesar de começar a ser diferente nas novas gerações.
Os mais velhos pelo menos quando não conseguem entender um estrangeiro sentem-se frustrados, depois de terem tentado todas as formas de comunicação. Os que conseguem o entendimento arriscam-se a interpretações erradas. Não sei exactamente porque estou a falar disto, mas creio que este é um problema muito mais importante do que a maioria das pessoas possa pensar. A comunicação está muitas vezes na origem de problemas entre marido e mulher entre pais e filhos, entre empregadores e empregados, e até entre amigos.
Já sei porque vos estava a falar disto. Estão agora disseminadas um pouco por todo o lado duas novas línguas mais ou menos universais; legalês e economês.
O perigo destas línguas é que apesar de disseminadas estão sujeitas a múltiplas interpretações e na sua maioria erradas. Falemos, por exemplo, das obrigações, os títulos de dívida, um produto tradicionalmente sem risco ou com pouco risco na linguagem normal. Em legalês e economês, estes produtos podem ter as seguintes designações se forem obrigações de bancos:
– Covered Bonds ou obrigações garantidas por activos, mas que têm uma valorização pouco transparente desses mesmos activos.
– Obrigações seniores, que deveriam ter máxima protecção e que agora têm um estatuto menos importante com o projecto Liikanen de separação das actividades bancárias.
– Obrigações Divida Tier 1, que são obrigações muito pouco líquidas sobretudo à medida que forem sendo activadas as calls e operações de recompra de dívida.
– Obrigações Coco (Contingent Convertible), que são obrigações subordinadas com o objectivo de reforçar os fundos próprios dos bancos. Como obrigações subordinadas podem estar como o nome indica subordinadas à evolução de um rácio de solvabilidade ou subordinadas a outra coisa, mas sempre com consequências dramáticas para o investidor apesar de taxas sempre atractivas.

Nas obrigações soberanas vamos ter com maior frequência a partir deste ano “obrigações soberanas com clausulas de acção colectiva CAC” que oferecem menos protecção aos investidores e que são um primeiro passo para uma futura restruturação mais ou menos oficial.
Estas obrigações vão permitir aos Estados Europeus da zona Euro modificar os termos dos contratos de emissão do título de dívida (desde que sempre superior a um ano), mediante acordo da maioria dos detentores. O que isto quer dizer em linguagem normal é que existe uma probabilidade acrescida de assistir a restruturações futuras de dívida soberanas. A Comissão Europeia já impôs que pelo menos 55% das emissões feitas em 2013 tenham a forma CAC. Para os investidores, toda a dívida soberana parece igual, mas como vimos uma será mais igual que outra. Até 2023, só 5% da dívida soberana não será CAC, pelo que, imagino, será mais tentador para os governos estruturar dívida que impor políticas de rigor no futuro.
Volto a repetir aquilo que disse à pouco para o Castelhano. Apesar de falarmos razoavelmente bem economês e legalês existem subtilezas que nunca seremos capazes de entender porque não chega conhecer os instrumentos, neste caso obrigações, é necessário conhecer as nuanças para entender o verdadeiro risco. Nunca se pode assumir que se sabe, porque estas linguagens estão agora em permanente mutação. Podem já ter alterado ou estão certamente em processo de alteração.
Não admira que cada vez mais gente se sinta frustrada, manipulada e enganada com estas dificuldades de linguagem aplicadas por políticos. Imagino que as gerações mais jovens estarão na primeira linha apesar de não estar seguro que entendam exactamente as subtilezas.
No mundo financeiro o juro mede a confiança. Quanto menor o juro maior a confiança, mas com os juros a níveis historicamente baixos, seria normal pensar que se vive um período de extrema confiança. Nada disso. As interferências políticas não só não criam confiança como são geradores de desconfiança.
A democracia está a viver um período difícil, com uma linguagem que não é entendida por muita gente. De outra forma como se poderia compreender que os bancos possam financiar-se a custos artificiais e cobrar tudo o que cobram aos seus clientes, ao mesmo tempo que dificultam todo e qualquer financiamento a esses mesmos clientes, e agora possam também vir a ficar com os depósitos dos clientes em caso de necessidade de resgate?
Só em legalês e economês isto é possível porque em linguagem normal qualquer pessoa quereria o mesmo para o seu negócio, caso corresse mal ficar com o dinheiro do cliente.

AVISO LEGAL: A informação aqui apresentada é apenas para fins informativos e não constitui uma recomendação de investimento, convite ou oferta para realizar qualquer operação ou transacção. Esta informação não é um reflexo de posições (própria ou de terceiros) firme dos participantes nos mercados de valores. A DIF Broker não tem em conta objetivos de investimento específicos ou situações financeiras particulares. Também não faz qualquer declaração ou assume qualquer responsabilidade sobre a confiabilidade das informações fornecidas ou perda decorrente de investimentos realizados. Este conteúdo é puramente informativo, portanto, não deve ser utilizado para valorizar carteiras ou ativos, nem servir de base para recomendações de investimento. Para os fins informativos deste blog, as decisões de investimento tomadas com base neste conteúdo são da exclusiva responsabilidade do investidor. As operações feitas em seu nome seguindo as recomendações de uma análise, em investimentos particulares e sem limitação, e alavancados, como o comércio de câmbio e investimento em derivados pode ser muito especulativo e, portanto, gerar lucros, mas também perdas. Antes de fazer um investimento ou efectuar uma transacção, deve considerar a sua situação financeira e consultar o seu / s conselheiro / s financeiros / s, a fim de compreender os riscos e considerar se é apropriado à luz da sua situação. Todas as opiniões expressas estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. O conteúdo pode mostrar a opinião pessoal do autor que pode não reflectir a opinião da DIF Broker.
Os CFD são instrumentos complexos e apresentam um elevado risco de perda rápida dinheiro devido ao efeito de alavancagem.
79% das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este distribuidor.
Deve considerar se compreende como funcionam os CFD e se pode correr o elevado risco de perda do seu dinheiro.